Palavra do leitor
01 de agosto de 2013- Visualizações: 1452
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Um pastor chamado Francisco e os pastores que queriam ser papa
Por André Luís de Oliveira de Sant’Anna
A visita do Papa Francisco ao Brasil foi uma colcha de retalhos. E isto é um elogio! Na minha infância, assisti a minha avó tecendo pacientemente retalhos coloridos, que traziam em seu passado origens diversas, mas que nas mãos daquela anciã negra de sorriso largo ganhava nova identidade. Colcha de retalho tem sua origem na pobreza. Os ricos compravam enxoval novo. Os pobres a partir do que tinham, e até do que se imaginava destinado ao lixo, salvavam os retalhos e os reintegrava a casa na digna tarefa de trazer beleza e acolhimento.
Dito isto, retomo. A visita do Papa Francisco ao Brasil foi uma colcha de retalhos. Francisco rompeu protocolos, tocou e se deixou tocar, alterou roteiros para se encontrar com os empobrecidos, encarnou a simplicidade e não apenas falou dela, escutou não apenas a confissão, mas também o clamor da juventude, transitou em meio a temas delicados e foi imensamente espiritual ao se dirigir aos cristãos. Enfim, o Papa Francisco pastoreou o seu rebanho e deixou um exemplo a ser seguido.
No entanto, o exemplo de Francisco não foi apenas para padres e católicos. Suspeito que se os pastores deixassem de lado toda esta arrogância de que são melhores do que os católicos, e detentores exclusivos da fé, têm muito, mas muito mesmo a aprender com o Papa. Já ouvi alguns ressuscitarem a ameaça de que o anticristo enganará a muitos, e que o Apocalipse anuncia que a besta virá e a muitos confundirá. Mas sinceramente, com as bestas que vejo em programas evangélicos tupiniquins, desconfio que o inimigo mora mais perto do que pensamos. E antes que me falem dos ídolos, foi Francisco que nos alertou para os ídolos de estimação que cultivamos e atendem pelo nome de dinheiro, poder, sucesso e prazer.
O papa Francisco, nos desafiou a uma simplicidade esquecida em meio à ostentação de pastores, que abandonaram o pastorado para se agarrarem a títulos e rótulos e sonharem com a supremacia no mercado da fé. Como afirmou Leonardo Boff, este papa é o papa da ruptura e não da continuidade. Sua fala foi a fala da fé, quando afirma “tudo aquilo que se compartilha, se multiplica” ou mesmo “peço um favor, com jeitinho, rezem por mim”. Eu rezei. Não concordo com tudo que foi apresentado nos discursos do Papa, nem com todas as práticas do catolicismo ou mesmo com muitos dos dogmas Romanos. No entanto, Papa Francisco, com seu sorriso largo, passou pelo Rio de Janeiro e teceu através de antigos retalhos - feitos de gestos, palavras e ações – e nos apresentou uma colcha de retalhos chamada esperança, que encheu a cidade de beleza e aqueceu o coração de muitos.
A visita do Papa Francisco ao Brasil foi uma colcha de retalhos. E isto é um elogio! Na minha infância, assisti a minha avó tecendo pacientemente retalhos coloridos, que traziam em seu passado origens diversas, mas que nas mãos daquela anciã negra de sorriso largo ganhava nova identidade. Colcha de retalho tem sua origem na pobreza. Os ricos compravam enxoval novo. Os pobres a partir do que tinham, e até do que se imaginava destinado ao lixo, salvavam os retalhos e os reintegrava a casa na digna tarefa de trazer beleza e acolhimento.
Dito isto, retomo. A visita do Papa Francisco ao Brasil foi uma colcha de retalhos. Francisco rompeu protocolos, tocou e se deixou tocar, alterou roteiros para se encontrar com os empobrecidos, encarnou a simplicidade e não apenas falou dela, escutou não apenas a confissão, mas também o clamor da juventude, transitou em meio a temas delicados e foi imensamente espiritual ao se dirigir aos cristãos. Enfim, o Papa Francisco pastoreou o seu rebanho e deixou um exemplo a ser seguido.
No entanto, o exemplo de Francisco não foi apenas para padres e católicos. Suspeito que se os pastores deixassem de lado toda esta arrogância de que são melhores do que os católicos, e detentores exclusivos da fé, têm muito, mas muito mesmo a aprender com o Papa. Já ouvi alguns ressuscitarem a ameaça de que o anticristo enganará a muitos, e que o Apocalipse anuncia que a besta virá e a muitos confundirá. Mas sinceramente, com as bestas que vejo em programas evangélicos tupiniquins, desconfio que o inimigo mora mais perto do que pensamos. E antes que me falem dos ídolos, foi Francisco que nos alertou para os ídolos de estimação que cultivamos e atendem pelo nome de dinheiro, poder, sucesso e prazer.
O papa Francisco, nos desafiou a uma simplicidade esquecida em meio à ostentação de pastores, que abandonaram o pastorado para se agarrarem a títulos e rótulos e sonharem com a supremacia no mercado da fé. Como afirmou Leonardo Boff, este papa é o papa da ruptura e não da continuidade. Sua fala foi a fala da fé, quando afirma “tudo aquilo que se compartilha, se multiplica” ou mesmo “peço um favor, com jeitinho, rezem por mim”. Eu rezei. Não concordo com tudo que foi apresentado nos discursos do Papa, nem com todas as práticas do catolicismo ou mesmo com muitos dos dogmas Romanos. No entanto, Papa Francisco, com seu sorriso largo, passou pelo Rio de Janeiro e teceu através de antigos retalhos - feitos de gestos, palavras e ações – e nos apresentou uma colcha de retalhos chamada esperança, que encheu a cidade de beleza e aqueceu o coração de muitos.
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