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Palavra do leitor

Por quem os sinos dobram?

Tomo esse título do best-seller For Whom the Bell Tolls, do escritor norte-americano Ernest Hemingway (Pulitzer/1953 e Nobel/1954). O romance se posiciona contra a Guerra Civil Espanhola (1936/1939), o evento histórico mais traumático ocorrido antes da 2ª Guerra Mundial. Nela estiveram patentes todos os elementos ideológicos que marcaram o século XX. De um lado, as forças do nacional-fascismo, aliadas às classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja, o Latifúndio); do outro, a Frente Popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e a franco-maçonaria. Mas, o livro vai muito além, ao versar sobre a condição humana diante da tragédia das guerras.

Em 1943, protagonizado pelos mais famosos astros do cinema da época — Gary Cooper e Ingrid Bergman — veio o filme, com o mesmo nome. Em 1955, o consagrado escritor Thomas Merton publicou o seu célebre No Man is an Island – (Nenhum homem é uma ilha). Em 1984, a banda californiana Metallica lançou a canção "For Whom The Bell Tolls". Em 1979, o nono álbum do cantor e compositor Raul Seixas, teve o título e a música principal também inspirados na obra de Hemingway.
Todavia, todos eles foram beber em uma mesma fonte: a composição do pastor e poeta inglês John Donne que se encontra na obra "Poems on Several Occasions" (em português teve o nome de Meditações), e invoca o absurdo da guerra civil — travada entre irmãos. No romance e no filme, os personagens estranham e se estranham desempenhando os papéis bizarros que se viram forçados a assumir durante a guerra, e doem-lhes as almas ao ver no "outro-inimigo" seres humanos manipulados que poderiam estar de qualquer lado da batalha — a miséria da morte sempre tem como pano de fundo a carência de alteridade que nos levaria a ver o outro em nós.

Esse poema, de 1600, reafirma a consciência cósmica, quando expressa: "Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti".
Enquanto o Brasil para idiotizando-se, para discutir posts/torpedos dos bolsonaros, do guru-astrólogo Olavo de Carvalho dos EUA e do vice-general Mourão, segue a senda macabra do mortal desemprego e da falida economia, dos mais altos índices de homicídios do planeta, da tétrica educação e da fúnebre saúde pública, matando gente como gado em frigorífico. A pauta-ordem é: trucidem os filósofos e os sociólogos, são perigosos demais, instigam os jovens a pensar, desde a época de Sócrates...
Mas, como Donne, os poetas têm sensibilidade, os pastores, espiritualidade. Sabem os gritos dos mártires insepultos; sabem que o endereço mais difícil de chegar-se é o lugar do outro; sabem que a motivação do extermínio do "inimigo" mora no mesmo teto do egoísmo; sabem a Lei Maior de Cristo: "Ame a Deus amando ao seu próximo".

O Estado brasileiro deve refletir a sua responsabilidade sobre os milhões de vítimas dessa guerra-imbecil--fratricida, e agir na sua autoridade indelegável, para fazer minorar esse estado de ignomínia. Cada cidadão também deve, na sua ação individual e cotidiana, responder à pergunta de Deus a Caim, quando este cometeu o primeiro homicídio da história: — onde está Abel, teu irmão? Essa voz ecoou do jardim do Éden, atravessou os céus e voltou ao universo, até tocar os sinos das igrejas, que devem ir além do retinir estrepitoso, para se dobrarem pelo próximo/irmão/inimigo.

EDEMUNDO DIAS DE OLIVEIRA FILHO — Advogado e Pastor (Goiânia/GO)
Goiânia - GO
Textos publicados: 3 [ver]

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