Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Palavra do leitor

Por que a Bíblia não sistematiza tudo

Apesar de ouvirmos às vezes que a Bíblia é um manual, já reparou que ela não foi escrita assim? A Bíblia não trata diretamente diversos assuntos, não é um conjunto de regras agrupadas por temas e organizadas logicamente. Ela não é um manual sistematizado de como a igreja deve funcionar ou de como devemos viver nossa vida cristã. Ao contrário, o santo livro apresenta verdades espalhadas por suas páginas, muitas vezes brotando de experiências reais, as quais é preciso inferir a partir do caso concreto.

Mas, por que isso? Por que será que Deus não fez a Bíblia como um manual bem organizado por temas organizados em ordem alfabética e que abrangesse todas as possíveis situações a serem enfrentadas na igreja e na caminhada cristã? Por que não há, por exemplo, um capítulo específico sobre a relação do cristão com o dinheiro ou sobre a ordem correta do culto? Posso citar vários motivos.

Isso acontece porque não é possível sistematizar toda a realidade, porque a existência de lacunas possibilita a condução do Espírito Santo em cada caso concreto não sistematizado e porque o aprendizado baseado no relacionamento com Deus é mais efetivo que o mero cumprimento de regras.

Imagine quantas páginas de um livro seriam necessárias para conter, por exemplo, instruções sobre cada detalhe do culto que os cristãos prestam a Deus. Trata-se do local, da ordem dos atos, do louvor, dos participantes, da mensagem, das orações, da dedicação de bens, dos adornos, e por aí vai. Apenas na área do louvor, poderíamos pensar nos instrumentos permitidos, nas letras das canções, nos ritmos, nos ministros, na atitude dos adoradores, etc. A realidade é tão complexa e as possibilidades tão imensas que seria inviável, diante da limitada capacidade humana, colocar no papel tudo que deve acontecer, como se ao menos pudéssemos controlar tudo. Imagine como tratar as diferentes nuances do louvor musical nas diversas culturas (africana, asiática, americana e outras) e suas mudanças durante o curso da história. Mesmo que se escreva muito do que deve acontecer, sempre alguém poderá levantar a acusação de que ainda falta este ou aquele pequeno detalhe.

Tal volume de informação tornar-se-ia enfadonho demais. É muito mais agradável ler a parábola do filho pródigo do que estudar páginas e páginas de como deve ser o arrependimento sincero e de como Deus age e pensa ao receber e acolher o pecador. Até na memória tudo aquilo fica muito mais gravado. Basta perguntar o que as pessoas lembram mais: a parábola do bom samaritano ou o discurso de Jesus no sermão do monte?

Além disso, como seria possível sistematizar a atitude de um adorador? Como expressar em palavras seus pensamentos e emoções no momento em que está se entregando de corpo e alma ao Criador? O problema nesse caso não é limitação de páginas, mas a própria ausência de palavras. Do mesmo modo, não há palavras que possam descrever a atitude daquele que ora pedindo a Deus a cura da esposa que está com câncer ou agradecendo pelo nascimento do filho. Acredito que para sistematizar esse tipo de coisa, Deus precisaria utilizar termos talvez até divinos, que superam em muito a capacidade humana. Por misericórdia de nós, e para que pudéssemos compreender a profundidade de realidades deste tipo, o Senhor preferiu colocar aqui e ali alguns exemplos. É o caso da oração alegre de Maria, exultante por ser mãe de Jesus: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva. De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor; santo é o seu nome.”. É o caso também de Davi, que confessa os seus pecados assim: “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer”. Deus não precisou dizer como deve ser uma oração. Apenas meditando nas palavras destes servos, é possível compreender a atitude dos adoradores sinceros.

Por fim, vale ressaltar que o Espírito Santo fala onde a Escritura cala. Na falta de especificação sobre os mínimos detalhes da vida cristã, os crentes buscam em Deus orientação. O Espírito Santo, então, fala à consciência e ao coração. De modo misterioso, é preciso reconhecer, mas fala. Assim, a busca por orientação deixa de ser apenas uma pesquisa num livro e passar a ser um relacionamento pessoal.

A sistematização não é garantia de que as regras serão seguidas, vide o Talmude e o código Penal brasileiro. E a ausência de regras estabelecidas não é risco para seu não cumprimento, basta observar que depois de anos de convivência, marido e mulher já sabem exatamente o que o outro gosta e o que não gosta, sem que isso precise estar escrito num manual. As regras são muito mais efetivas quando baseadas não em um livro, mas em um relacionamento. É exatamente disso que se trata a vida cristã.
Vila Velha - ES
Textos publicados: 3 [ver]

Os artigos e comentários publicados na seção Palavra do Leitor são de única e exclusiva responsabilidade
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.