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Palavra do leitor

O Paraíso da Sapucaí, o Messias sem a Cruz e os Cristãos enlatados

‘’Valer-se da liberdade de expressão para esconder as cloacas de imundícias, ainda assim, não altera o fato do que é’’.

Texto de João 3.17 e 2 Pedro 3.3

O desfile perpetrado ou realizado pela Escola de Samba Acadêmicos de Niterói ora envolta na temática compromissada a homenagear o atual Presidente da República, com o endosso e o aval premente de setores midiáticos, de representantes de instituições públicas e privadas, apresentou, em uma de suas abordagens, expressamente, uma alusão inclinadamente compromissada a rotular os cristãos como burlescos ou ridículos.

Diga-se de passagem, para bom entendedor basta, enlatados como referência paradigmática de estarem confinados a posturas retrógradas. Além disso, não cessa, por aqui, o pretenso verniz da alcunhada expressão popular, configurou-se como uma voraz declaração de galhofa ou de zombaria a quem não se adere aos preceitos de valores e de ideologias encabeçados por uma cultura progressista, por aqueles aderidos ao marxismo cultural e a suas nuances ou variantes.

Decerto, não ocorre, tão somente, agora, porque, a cada ciclo carnavalesco, percebe-se o avolumar de uma doutrinação, de uma catequese e de uma consubstanciação dogmática por execrar ou abominar, por escarnecer ou tripudiar, por regurgitar ou vomitar todo um amontoado de indiferenças, de hostilizações, de abusos e de canalhices no tocante a um ataque, inexoravelmente ou implacavelmente, corrosivo e para carcomer a fé cristã, as estruturas da cosmovisão cristã e os dos conteúdos ou dos princípios alicerçadores da maneira como os cristãos acreditam na construção, na coordenação e na condução da vida.

Anota-se, coube aos valores e ideias engendrados e esculpidos pelo Cristianismo, a condição para haver o promanar ou o florescer da liberdade de expressão, do Pluralismo Constitucional, da abertura para manifestação da liberdade de oposição e contestação.

Agora, onde está o epicentro desses ecos estridentes de repulsas a fé cristã?

A começar, circunscreve-se em sempre e como tem sido praxe a eleição, a escolha e a execução de nomear um espectro, grosso modo, os cristãos, com sua cosmovisão e com seus princípios as quais creditam e acreditam. Negar seria uma tolice, observa-se uma afronta colossal e impiedosa, com uma comunicação estampadamente legitimadora para considerar um lado como não valido, nem vigente e muito menos visível.

Vale dizer, ainda mais, não se concebe com excrescência ou algo inútil outras dimensões, mas a fé cristã, pautas de ordem conservadora, como algozes de quem preconiza poder trazer e estabelecer o Paraíso da Sapucaí, com os vetustos ou velhos slogans ou repertórios para os discursos de que podemos viver um novo tempo, por essas bandas mesmas.

Retomo o fio da meada, ao abordar os textos de João 3.17 (Não tomarão nome do Senhor, em vão) e 2 Pedro 3.3 (zombam não pela verdade e sim pelo escárnio). Sempre se torna de bom alvitre mencionar, a satirização quando se debruça pela verdade se converge numa ferramenta para fazer com que a sociedade reveja seus rumos. Em contrapartida, o pomo de discórdia se estriba na objetificação ou coisificação de um setor específico da sociedade para ser ofuscado, sufocado, solapado e se, porventura, houver possibilidade, riscado do mapa ou enlatado ao ostracismo ou ao banimento.
São Paulo - SP
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