Palavra do leitor
25 de abril de 2019- Visualizações: 1021
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
No divã com Deus
Em silêncio, busco o primeiro amor. Aquele amor que as circunstâncias da vida deixaram escapar por entre os dedos das minhas mãos. É uma sensação única de estar no divã com Deus. A cada dia sou confrontado pelos meus erros e entro em uma reciclagem nova a cada fim de sessão.
Quando conheci a Cristo, em minha adolescência, vivi um dos momentos mais felizes da vida. Tive amigos da igreja, me afastei das coisas erradas do mundo e tive uma casa alegre e unida, diferente dos lares dos colegas de escola que visitava para fazer os trabalhos em grupo. Foi o período de maior crescimento espiritual.
Em 2013, eu me decepcionei com Deus. E ele sabe a razão. Levou a minha mãe numa manhã nublada de terça-feira, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Ela tinha 57 e eu tinha 23. Ficamos eu, minha tristeza e a minha decepção.
Os meses e anos que se passaram foram difíceis. É difícil refazer uma vida a partir de uma lacuna. Eu sempre contava tudo o que acontecia para ela: namoros, mudanças de empregos, novos projetos. Ela, corajosa como era, me acompanhou num momento que acho que foi crucial para mim: aprender a dirigir. Talvez para você isso seja algo básico, mas para o Lucas de 18 anos (em 2008) representava um medo gritante. Foi ela quem me acompanhou em minhas primeiras saídas de carro e não o meu pai, que já tem 30 anos de habilitação. A minha confiança estava nela.
Como podem ver, eu me entristeci com Deus no ato de partida da minha mãe. No dia do sepultamento, lembro de ter perguntado ao meu pastor o motivo de Ele não ter ouvido meu pedido por um milagre. Eu nunca havia pedido por milagres. Aquela tinha sido a primeira vez.
No tempo que sucedeu, me afastei da igreja. Criei "amizades" que muito mal me fizeram. A minha intimidade com Deus acabou. Deixei de orar. Quando me arriscava a fazer alguma, já não dizia mais ‘Senhor meu Deus e meu Pai’, já não me sentia confortável para falar isso. Um pai não faz coisas ruins para seus filhos. Pelo menos, não deveria.
Foi na igreja, em um domingo em que me arrisquei a ir, que senti algo diferente. Algo que confrontou as minhas muitas crises de ansiedade. A palavra era baseada em Mateus 6:27. "Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?". Não podemos. Apenas Ele pode.
Foi o começo do meu entendimento. A minha mãe foi porque cumpriu o seu propósito, guardou a fé e foi para a morada do Altíssimo a quem ela direcionava seus louvores. Eu aqui fiquei porque meu prazo não está encerrado. Ainda tenho coisas a fazer até quando Deus assim quiser.
E neste silêncio em que busco o primeiro amor, aquele, dos tempos de adolescente e jovem, eu peço mais sabedoria e humildade para entender as coisas do alto. São apenas elas que realmente importam. Não são lições fáceis. É por isso que todos os dias sou confrontado no divã. Ainda há uma luta interna em mim com a ansiedade. O meu conforto é quando dobro os meus joelhos e começo a conversar com Ele. "Senhor meu Deus e meu Pai...". Ele é amor. Um amor que, por vezes, não entendemos, porque está acima de nossa compreensão humana.
LUCAS MELONI, 28 anos, é um jornalista paulista, integrante da Igreja Batista Luz para as Nações (integrante do Ministério de Comunicação), escritor e cronista do cotidiano.
E-mail: lucasmeloni90@gmail.com
Facebook: /lucasmeloni
Instagram: @lucasmeloni_
Quando conheci a Cristo, em minha adolescência, vivi um dos momentos mais felizes da vida. Tive amigos da igreja, me afastei das coisas erradas do mundo e tive uma casa alegre e unida, diferente dos lares dos colegas de escola que visitava para fazer os trabalhos em grupo. Foi o período de maior crescimento espiritual.
Em 2013, eu me decepcionei com Deus. E ele sabe a razão. Levou a minha mãe numa manhã nublada de terça-feira, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Ela tinha 57 e eu tinha 23. Ficamos eu, minha tristeza e a minha decepção.
Os meses e anos que se passaram foram difíceis. É difícil refazer uma vida a partir de uma lacuna. Eu sempre contava tudo o que acontecia para ela: namoros, mudanças de empregos, novos projetos. Ela, corajosa como era, me acompanhou num momento que acho que foi crucial para mim: aprender a dirigir. Talvez para você isso seja algo básico, mas para o Lucas de 18 anos (em 2008) representava um medo gritante. Foi ela quem me acompanhou em minhas primeiras saídas de carro e não o meu pai, que já tem 30 anos de habilitação. A minha confiança estava nela.
Como podem ver, eu me entristeci com Deus no ato de partida da minha mãe. No dia do sepultamento, lembro de ter perguntado ao meu pastor o motivo de Ele não ter ouvido meu pedido por um milagre. Eu nunca havia pedido por milagres. Aquela tinha sido a primeira vez.
No tempo que sucedeu, me afastei da igreja. Criei "amizades" que muito mal me fizeram. A minha intimidade com Deus acabou. Deixei de orar. Quando me arriscava a fazer alguma, já não dizia mais ‘Senhor meu Deus e meu Pai’, já não me sentia confortável para falar isso. Um pai não faz coisas ruins para seus filhos. Pelo menos, não deveria.
Foi na igreja, em um domingo em que me arrisquei a ir, que senti algo diferente. Algo que confrontou as minhas muitas crises de ansiedade. A palavra era baseada em Mateus 6:27. "Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?". Não podemos. Apenas Ele pode.
Foi o começo do meu entendimento. A minha mãe foi porque cumpriu o seu propósito, guardou a fé e foi para a morada do Altíssimo a quem ela direcionava seus louvores. Eu aqui fiquei porque meu prazo não está encerrado. Ainda tenho coisas a fazer até quando Deus assim quiser.
E neste silêncio em que busco o primeiro amor, aquele, dos tempos de adolescente e jovem, eu peço mais sabedoria e humildade para entender as coisas do alto. São apenas elas que realmente importam. Não são lições fáceis. É por isso que todos os dias sou confrontado no divã. Ainda há uma luta interna em mim com a ansiedade. O meu conforto é quando dobro os meus joelhos e começo a conversar com Ele. "Senhor meu Deus e meu Pai...". Ele é amor. Um amor que, por vezes, não entendemos, porque está acima de nossa compreensão humana.
LUCAS MELONI, 28 anos, é um jornalista paulista, integrante da Igreja Batista Luz para as Nações (integrante do Ministério de Comunicação), escritor e cronista do cotidiano.
E-mail: lucasmeloni90@gmail.com
Facebook: /lucasmeloni
Instagram: @lucasmeloni_
Os artigos e comentários publicados na seção Palavra do Leitor são de única e exclusiva responsabilidade
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
25 de abril de 2019- Visualizações: 1021
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.
Ultimato quer falar com você.
A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.
PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.

Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Revista Ultimato
- +lidos
- +comentados
- Diversidade de letrinhas
- O novo paradigma do ministério pastoral na era da Inteligência Artificial
- O sol parou mesmo? Onde está o milagre?
- Culto racional
- A beleza dos caminhos improváveis
- Dois caminhos e uma escolha
- Cuidado: frágil!
- Vamos refletir sobre esgotamento, saúde mental e espiritualidade?
- O princípio da caridade e o diálogo cristão
- Não abandone o caído
(31)3611 8500
(31)99437 0043






