Palavra do leitor
22 de agosto de 2013- Visualizações: 931
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Meu maior medo
Por André Luis Sant'Anna
Meu maior medo é ter tanto medo do outro, que tenha medo de me aproximar. Meu maior medo é ocupar tanto espaço comigo mesmo que não encontre espaço para acolher o outro, e descobrir que todo espaço ocupado somente comigo se torna um espaço onde fico só. Meu maior medo é dos dias onde os personagens virtuais ganhem status de companhias reais, enquanto isso pessoas ao redor sigam se tornando em um borrão digital.
Meu maior medo é me acomodar com as pessoas sentadas em torno da mesa sem comunhão, tragadas cada uma por suas cadeias-tecnológicas que os impedem de brincar e rir juntos, tornando-se ali um lugar onde também me ponho a lustrar a minha própria solidão. Meu maior medo é o vazio das multidões, a superficialidade das conversas do elevador e o abandono de quem precisa empurrar o carro quebrado em lugares onde a solidariedade foi esquecida.
Meu maior medo é quando a fala frenética no celular ocultado pelo fone de ouvido, substitui o balbuciar da prece. Meu maior medo é temer o silêncio por não querer escutar os sons do coração, medo de me acostumar ao barulho como quem se cobre com papelão para enfrentar o frio da noite. Meu maior medo é não superar a indecisão na hora de mandar um e mail, fazer uma ligação, chamar pelo nome um amigo que passa, enfim, não ter coragem para construir uma ponte de palavras que me leve ao encontro do outro.
Meu maior medo é estar perto e não dividir um sorriso, recolher o bom dia e engasgar com um obrigado. Meu maior medo é me acostumar com o vidro do carro fechado, com as grades no coração e com os sentidos treinados para não sentir. Meu maior medo é ter tanto medo do medo que para não sentir medo desista da coragem de tentar. E o seu medo, qual é?
Meu maior medo é ter tanto medo do outro, que tenha medo de me aproximar. Meu maior medo é ocupar tanto espaço comigo mesmo que não encontre espaço para acolher o outro, e descobrir que todo espaço ocupado somente comigo se torna um espaço onde fico só. Meu maior medo é dos dias onde os personagens virtuais ganhem status de companhias reais, enquanto isso pessoas ao redor sigam se tornando em um borrão digital.
Meu maior medo é me acomodar com as pessoas sentadas em torno da mesa sem comunhão, tragadas cada uma por suas cadeias-tecnológicas que os impedem de brincar e rir juntos, tornando-se ali um lugar onde também me ponho a lustrar a minha própria solidão. Meu maior medo é o vazio das multidões, a superficialidade das conversas do elevador e o abandono de quem precisa empurrar o carro quebrado em lugares onde a solidariedade foi esquecida.
Meu maior medo é quando a fala frenética no celular ocultado pelo fone de ouvido, substitui o balbuciar da prece. Meu maior medo é temer o silêncio por não querer escutar os sons do coração, medo de me acostumar ao barulho como quem se cobre com papelão para enfrentar o frio da noite. Meu maior medo é não superar a indecisão na hora de mandar um e mail, fazer uma ligação, chamar pelo nome um amigo que passa, enfim, não ter coragem para construir uma ponte de palavras que me leve ao encontro do outro.
Meu maior medo é estar perto e não dividir um sorriso, recolher o bom dia e engasgar com um obrigado. Meu maior medo é me acostumar com o vidro do carro fechado, com as grades no coração e com os sentidos treinados para não sentir. Meu maior medo é ter tanto medo do medo que para não sentir medo desista da coragem de tentar. E o seu medo, qual é?
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