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Palavra do leitor

Mais que denominação: ser cristão é exalar vida e amor

Eu tinha dezoito anos quando me converti — ou, como alguns preferem dizer, fui convertido — e aceitei a Cristo como meu Senhor e Salvador. Embora tivesse sido criado na igreja, como já relatei aqui, ainda não compreendia muito sobre as diversas denominações presentes no cenário evangélico brasileiro. Foi então que percebi que precisava me definir religiosamente para as pessoas do meu convívio, que buscavam entender a razão da minha súbita mudança de vida. A princípio, eu apenas dizia que era crente e, se alguém demonstrasse desconfiança, acrescentava que era evangélico — algo parecido com o estudante da escola pública que, para dar uma melhorada na apresentação, diz que estuda em uma "escola governamental". De alguma forma, cada rótulo parecia carregar um tipo próprio de explicação antecipada, um modo de se situar diante do outro.

Com o tempo, descobri que também podia simplesmente dizer que era cristão. E foi aí que notei algo curioso: quando eu usava esse termo, ninguém perguntava mais nada. A conversa simplesmente terminava, como se a palavra desse conta de tudo e, ao mesmo tempo, não dissesse quase nada. De repente, senti-me meio deslocado — não exatamente em crise, mas com a estranha sensação de estar sem uma identidade religiosa claramente descritiva e relacional para apresentar. A experiência me fez pensar sobre a necessidade humana de rotular tudo, inclusive a fé.

Para tentar entender isso, imaginei uma cena simples: suponha que todas as marcas de margarinas do mercado perdessem seus rótulos. Como escolheríamos qual levar para casa? Não dá para saber a diferença pelo sabor antes de comprar; seria impossível distinguir qual é qual pela aparência, já que a maioria delas é praticamente igual. Sem rótulo, o consumidor ficaria inseguro, sem referência e sem direção. Percebi então que fazemos algo parecido com nossa vida espiritual: buscamos rótulos religiosos porque eles nos dão sensação de pertencimento, identidade imediata e uma espécie de mapa social. Mas, ao contrário das marcas de margarina, cuja distinção está na embalagem , a fé cristã é identificada tanto pela rotulagem confessional quanto pela vida que exalamos.

É por isso que o apóstolo Paulo afirma: "Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo" (2 Coríntios 2:15). Em outras palavras, aquilo que verdadeiramente deveria nos distinguir não é apenas o nome no crachá, o rótulo denominacional, nem a tradição que carregamos, mas o aroma espiritual das nossas ações, atitudes e condutas. Antes de qualquer identificação visível, somos chamados a exalar Cristo — seu caráter, sua compaixão, sua verdade e sua graça.

E foi lembrando disso que também me vieram à mente as palavras de Jesus: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (João 13:35). Aqui, o Senhor estabelece o único critério definitivo para o reconhecimento dos seus seguidores: o amor. Não o amor abstrato, sentimental ou teórico, mas o amor visível, vivenciado, relacional e sacrificial. Jesus não disse: "Nisto vos conhecerão se vos identificardes como batistas, assembleianos, presbiterianos ou pentecostais". Ele disse: "se vos amardes".

Percebi então que, embora os rótulos religiosos tenham sua utilidade — organizacional, histórica e até prática —, eles não definem a essência da fé cristã. A identidade verdadeira não se lê na etiqueta; se percebe no aroma. Não está no nome que declaramos, mas no amor que vivemos. Se as margarinas dependem do rótulo para serem reconhecidas, os discípulos de Jesus dependem do amor e do perfume de Cristo para serem identificados no mundo. Assim, compreendi que, no final das contas, o mais importante não é o nome que digo que sou, mas o que minha vida anuncia quando ninguém está perguntando.
Sao Paulo - SP
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