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Palavra do leitor

Leitura da Bíblia numa sociedade pós-moderna

A Bíblia é a expressão de fé de um povo que, conforme caminhava com Deus era inspirado por Ele a relatar suas experiências. Na Bíblia temos a história de fé do povo de Deus, e Sua revelação na vida do povo. Portanto, desmaterializar a Bíblia das condições humanas é negar sua inspiração divina para a vida cotidiana. Essas narrativas de fé acontecem dentro da história de homens e mulheres, que no processo natural da vida vão compreendendo a identidade de Deus e a Sua vontade segundo as suas condições históricas e culturais.

Precisamos distinguir entre ditado (palavra que cai pronta do céu) e inspiração. A inspiração pressupõe a plena participação de seus autores e sujeitos (aqueles que estão diretamente envolvidos nos fatos narrados) no processo de construção de um texto. Esse processo acontece, sempre, a partir da realidade, tanto dos sujeitos como também do autor do texto. O ditado, por sua vez, os anula e tende a ignorar a realidade. O autor bíblico não repete o que Deus, em tese, ditou, antes, elabora a partir de sua vivência o que Deus inspirou.

Mesmo no caso das Tábuas da Lei, Deus se revelou a Moisés a partir das questões que o afligiam e a partir da realidade de um povo que passava por um processo de formação social, política, econômica e religiosa, após o longo período sob jugo egípcio. Deus e sua palavra (na Bíblia) não que se encontram fora da realidade das pessoas e os relatos que envolvem Moisés são a prova disso.
Partir desses princípios implica em entender a Bíblia como palavra de Deus, mas primeiro como palavra vivida e só depois como palavra escrita.

Admitir a participação humana não significa, em hipótese alguma, eliminar seu caráter divino. Admitir que a Bíblia é um livro divino não significa negar as realidades concretas da vida em que ocorreram os fatos narrados e nem as realidades na vida e contexto de quem relatou os fatos dados no passado. Negar esse processo comprometeria inclusive a aplicação dos textos para nossa realidade.
Talvez seja interessante pensar quando observarmos a base bíblica de alguma questão, que o que estiver nas escrituras aliado com o praticado/pregado por Jesus pode ser tomado como válido, e o que não, podemos desconsiderar como fundamento em nossa ação cotidiana, porém, ainda com valor para nossos estudos e compreensão. Cristo sempre deve ser a chave hermenêutica.

De toda forma, algo que precisamos evitar é ler a Bíblia tentando achar o que é pecado e o que não é. Tal prática, ainda comum, é consequência de uma religião que nos torna prisioneiros do moralismo. O pecado existe sim, e é tudo aquilo que nos separa de Deus, das pessoas e do mundo com que convivemos.
Fundamental é discutir a Bíblia partindo da leitura comunitária como proposta de inserção do cristianismo no mundo contemporâneo. Tal prática parte do pressuposto de que o cristianismo é e foi comunitário desde sua gênese.
Nossa sociedade, também chamada Pós-moderna, tem caraterísticas muito distintas daquelas verificadas no berço do cristianismo. Nesse sentido, exacerba os direitos individuais em detrimento dos coletivos, sendo o relativismo e o desengajamento também marcas fortes dessa sociedade.
Nossa sociedade vê a autonomia como virtude, e a dependência como defeito. Para grande parte da sociedade autonomia é sinônimo de maturidade. Mas o que a mensagem de Deus nos ensina é algo muito diferente. A Bíblia não nos ensina nem para a dependência e nem para a autonomia, mas, sim para a interdependência. A vida só faz sentido se for compartilhada. É a lógica do corpo que deve prevalecer em nossos relacionamentos. Os cristãos são partes uns dos outros.

Como o cristianismo é uma religião que lida com a interpretação de textos e está inserida nesta sociedade individualista, muitas vezes pode adotar uma postura hermenêutica também individualista, buscando nas Escrituras "elementos" que justifiquem a satisfação dos desejos individuais dos fiéis, esquecendo-se desta forma, de preservar a vivência em comunidade, que é sua premissa.
A palavra grega que o Novo Testamento emprega para comunhão é "Koinonia" – que significa basicamente "compartilhar", "ter coisas em comum", a ideia é de algo orgânico. É por isso que o Novo Testamento nos ensina que só o Espírito Santo é capaz de criar um verdadeiro senso de comunidade entre os crentes. Deus leva tão a sério a comunhão na Igreja que nos manda preservá-la.
Portanto, à luz desses pressupostos, a proposta da leitura comunitária é, sem dúvidas, um dos elementos que contribuem para uma forma saudável de vida cristã, que é, antes de tudo, comunitária.
Portanto, no corpo, nenhum membro pode se individualizar, nem buscar seus próprios interesses, porém, deve buscar o bem de todos, pois o corpo é um só. O nosso crescimento deve ser comunitário, juntos; no mesmo ritmo, com a mesma espécie de maturidade, para que o Corpo demonstre agradável proporção e sem nenhum tipo de desarmonia entre a cabeça (Cristo) e as outras partes do corpo (Igreja).
Curitiba - PR
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