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Palavra do leitor

Lá no fundo, o que queremos?

"O maior exemplo não está nas celebridades, mas em gente que decidiu caminhar, em meio aos acertos e erros".

A história de Jacó, de certo, retrata nossa busca por ser importante e ser bom. Lá no fundo, nos queremos, sim e sim, ser lembrado, como uma necessidade vital. O interessante desse personagem se encontra por demonstrar faces do ser humano, com seus erros e acertos, com suas formas de tentar se dar bem.

Eis a caminhada de Jacó, desde sua tenra infância, sempre levado a maquinações e articulações para tirar vantagem. Basta atentar para o episódio do prato de lentilhas, quando seu irmão, supostamente, transacionou sua primogenitura, passou – se pelo mesmo para obter mais uma vantagem de receber a benção de seu pai. Afinal de contas, será haver a permissividade ou a ressalva de os fins justificarem os meios, como um destino supremo para evitar que Esaú não desperdiçasse os privilégios especiais da primogenitura.

Sem sombra dúvida, não sei e nem arrisco entrar nessa seara, pelo qual posso acabar num vendaval de fantasias. Aliás, após a descoberta, por parte do irmão lesado, enganado e, expressamente, passado para trás, Jacó foge, abandona sua família e se dirige para conviver com seu tio Labão. Em meio a tudo isso, depara – se com Raquel e se apaixona, aqui, o primeiro relato de um caso desse, porque, até, então, os homens tomavam as mulheres. Agora, isso faz com que Jacó comece a subir e descer os degraus de que nós somos as pessoas a quem amamos, porque faz com que venhamos a decidir peloabondade e pelo amor.

Mais, nem tudo são flores, nessa nova fase de Jacó, porque acordou com a filha mais velha de Labão e não Raquel e teve de trabalhar, por mais um tempo, para consolidar o encontro com sua amada. Sinceramente, Jacó nota o quanto determinadas perdas nos estabelecem vias acessíveis para efetivos ganhos. O ganho de uma leitura diferenciada da vida, de que nem sempre compreenderemos o bom e mal, de, as vezes, olhamos para as páginas de cada dia e encaramos gente comprometida esquecida, vitimada pelos reveses de situações que não conseguimos aceitar ou justificar e fica um ponto de interrogação atordoador.

Enfim, Jacó se encontra com um anjo, conforme as escrituras sagradas determinam, ao qual interpreto como a ascensão numa perspectiva de que, mesmo diante das marcas, tenho a condição de ir além, de mudar rotas, de conceber a vida e a minha vida, como um ponte para outras vidas. Verdadeiramente, Jacó não traz nenhuma revelação apoteótica, ou uma profecia fenomenal, ou pode ser comparado como um modelo de fé, deixou vir a tona suas mancadas, suas vaciladas, suas ânsias por acertar e, ademais, adquiriu uma importância e uma bondade.

Vale dizer, como acreditar nisso, quando ser importante envolve aderir – se ao regime de uma cultura submetido ao individualismo, escasseada de valores pulsaltilmente humanizadores, diluída a um caldeirão de mil e uma interpretações relativistas, aversiva a história, a identidade, a tradição, ao outro, ao diálogo, ao ouvir e, em suma, tudo o que nos faz ir a direção oposta de uma forma de vida egoísta narcisista?

Neste ínterim, há um cântico que diz sobre como Jacó segurou o Anjo, entretanto, chego a conclusão da oportunidade de o mesmo ter decidido por uma existência voltado a sempre prejudicar ou romper com esse script. Estamos diante de um cenário do cada um por si, de emoções insensíveis, do semelhante como um adversário, de uma subjugação aos estímulos e aos instintos.

Por fim, somos chamados ou podemos responder para, lá no fundo, não assumimos nenhuma toga de donos da justiça, senhores do bem e mau, propagadores de uma fé excludente, protagonistas de uma espiritualidade marginalizada do mundo, mas sim, trilharmos pela oportunidade de sermos importantes, em favor de alguém, de outro, de um próximo, em atos de bondade e respeito, de dignidade e reconciliação.
São Paulo - SP
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