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Palavra do leitor

Igreja, líderes e crescimento

Muitos membros de denominações cristãs confundem o crescimento das instituições cristãs com o desenvolvimento do Reino de Deus. Para essas pessoas pode parecer absurda a ideia de que o crescimento numérico de fieis possa ser um fato não desejável.

Para o desenvolvimento do Reino de Deus, não basta pessoas conhecerem ou citarem o texto bíblico. Lembremos que o próprio Satanás fez uso das escrituras quando tentou Jesus Cristo no deserto (Mt 4; Lc 4).
O desenvolvimento do Reino de Deus na terra só estará em curso quando os excluídos, oprimidos forem vistos não como candidatos a conversão, mas com mesmos olhos de afeto e compaixão que o Cristo teve ao olhar as pessoas aflitas e exaustas (Mc 6:34; Mt 9:36; Mt 15:32).

Sem compaixão, a evangelização se torna doutrinação; a experiência espiritual se confunde com religiosidade; a construção de grandes prédios e o crescimento da igreja institucional é tratada como expansão do Reino de Deus.
O crescimento desordenado traz perigos: a superficialidade no compromisso, a proximidade e cumplicidade com os poderes constituídos, esquecendo que fomos orientados a não ser conformados com este mundo, mas transformados pela renovação do entendimento, para que experimentar a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2).

Embora nem todos possuam (ou se dediquem) à essa forma de espiritualidade, é essencial no povo de Deus o papel da Espiritualidade Profética, função desempenhada por aqueles que conseguem penetrar no âmago dos fatos e acontecimentos e analisando suas causas e efeitos e rememorando aos homens as vontades de Deus.

A Espiritualidade Profética se sustenta em Deus, e no compromisso dessa pessoa em deixar-se guiar pelo Espírito Santo, mesmo que suas ações e falas se contraponham ao mundo. Não é uma pessoa sem rumo, mas na sua liberdade de ir e vir vai conforme os desígnios de Deus. Quase sempre vemos as palavras libertação, justiça, paz e esperança associadas aos profetas na Bíblia e na história da Humanidade. Como repreendeu o Cristo, "(…) Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão" (Lc 19:40).
Quantos líderes acumulam grande fortuna material ou então desenvolvem relações de promiscuidade com os poderes políticos abdicando de seu papel profético ? Pastores e líderes são especialmente suscetíveis à tentação do poder, pois são pessoas que se sobressaem no grupo e sua condição de liderança implica inevitavelmente numa posição de poder.

Fundamental é reconhecer que toda liderança envolve exercício de poder, que pode ser empregado para o bem ou para mal. Que encontramos em Cristo o exemplo do bom uso do poder. A liderança só é de fato cristã quando renuncia ao modelo autoritário, hierárquico e gerencial, que visa "metas", "números", "resultados" e assume o modelo do líder-servo que "também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mc 10:45).

A multiplicidade de denominações muitas vezes, menos que compreensões teológicas e hermenêuticas distintas revela as dissensões resultantes dos conflitos por poder entre líderes religiosos.
A busca por crescimento do número de frequentadores nas denominações não significa necessariamente crescimento dado por Deus, porque se fosse dado por Deus não dependeriam tanto de métodos com suas diversas siglas, de curso de líderes, etc. As denominações querem tanto ampliar sua presença na sociedade, e acabam vivendo para métodos que se tornam o fim da igreja (não da Igreja).
Contudo, o Nazareno também foi categórico ao afirmar "Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos " (Mc 10:43-44).

Além do distanciamento da unidade do corpo, prevista por Jesus, "Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros" (1 Co 12:25), a falta de unidade na multiplicação de denominações sem que exista de fato distinção hermenêutica, gera também uma estratificação no corpo à semelhança das divisões sociais. Formam-se igrejas com "estilos", convertendo o Evangelho num produto, divisões que são criadas onde "não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3:28).

O desejo do Senhor é "para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17:21). Isso se dá quando a Igreja atua tanto no sentido da conversão pessoal, como comunitária. Pois o indivíduo no plano pessoal atende ao chamado de Cristo e esta dimensão atua no sentido da construção de uma nova humanidade, a qual se inicia no processo conversão de homens e mulheres ao Cristo. Contudo, a dimensão pessoal deve ser acompanhada da dimensão comunitária lembrando que o ser humano vive coletivamente, que nenhuma necessidade humana pode ser considerada alheia e que absolutamente toda a humanidade é irmanada em Cristo.
Curitiba - PR
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