Palavra do leitor
18 de janeiro de 2026- Visualizações: 226
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Etnocentrismo e relativismo cultural
"Eu prantei, pranto e pronto!" Frase de um detido pela PM acusado de plantar maconha.
"A voz do povo clama, reclama e conclama!" Frase: Carlos Lacerda em discurso.
Popularizado pelo sociólogo estadunidense William G. Summer, o termo etnocentrismo define a tendência de algumas culturas avaliarem outras a partir dos seus próprios valores, critérios e referências, tomando-as como centro ou medida universal.
Na antropologia, cultura não se restringe a artes eruditas ou costumes refinados, mas abrange o conjunto de práticas, símbolos, crenças, linguagens, técnicas, valores morais e formas de organização social que moldam a vida humana.
Desde autores clássicos como Edward B. Tylor até abordagens mais atuais, a cultura é entendida como socialmente construída, e não como herança biológica. Essa compreensão já relativiza pretensões raciais ou naturais de superioridade, mas não resolve, por si só, o debate sobre valor cultural.
Se antropólogos como Lewis H. Morgan (1635-1688) defendiam que algumas sociedades seriam mais evoluídas em estágios civilizacionais, por outro lado, Franz-Boas, expoente e pioneiro do relativismo cultural, passou a representar os estudiosos contrários a noção de culturas vistas como referência ou padrão para outras.
Diante disso, a inevitável questão: cultura superior existe ou não?
O relativismo cultural responde negativamente, afirmando cada cultura a ser compreendida a partir de seus próprios critérios, sem hierarquizações externas. Essa postura teve o mérito de combater colonialismos, que historicamente justificaram violência, dominação e desprezo por outros povos. Contudo, ao negar qualquer possibilidade de avaliação comparativa, o relativismo cultural cria contradições lógicas e morais, especialmente quando práticas culturais conflitam com valores éticos universais.
Essa dificuldade se aprofunda quando se diz que todas as culturas teriam exatamente o mesmo valor — não como constatação neutra, mas imposição normativa. Trata-se de uma contradição interna onde esse relativismo acaba se tornando um novo absolutismo, que proíbe qualquer juízo qualitativo, mesmo quando necessário para o discernimento moral e social.
Tomemos a educação para exemplificar essa tensão. A própria educação é cultura, mas ninguém questionaria as distinções entre ensino fundamental, médio e superior. Essas divisões não têm como objetivo discriminar pessoas, mas reconhecer estágios diferentes e necessários de aprimoramento intelectual. Um aluno do ensino fundamental não é inferior como pessoa a um doutor, mas encontra-se em outro nível de formação. Reconhecer graus de desenvolvimento não nega a dignidade humana; ao contrário, pressupõe a capacidade de aperfeiçoamento.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado à cultura em sentido mais amplo. Reconhecer culturas mais aperfeiçoadas não implica desprezo ou desumanização de culturas mais simples. Desde que sofisticação cultural não diga respeito ao valor intrínseco das pessoas — mas ao grau de elaboração simbólica, técnica, estética e intelectual alcançado em determinado contexto histórico — culturas simplificadas podem cumprir bem suas funções em certos ambientes, mas isso não impede perceber que outras desenvolveram instrumentos mais complexos de reflexão, arte, ciência e organização social.
Essa diferenciação não significa exaltar raças, como fizeram naturalistas do século 19. Do ponto de vista científico contemporâneo, raças humanas não existem biologicamente; existe apenas uma raça humana. No âmbito antropológico, porém, o termo "raça" foi utilizado como categoria social e cultural, ainda que com teor fenotípico/genotípico e carregado de problemas e distorções.
Se cultura implicasse superioridade racial, seria necessário afirmar, de forma equivocada, que práticas, costumes e tradições são heranças biológicas determinísticas, ou monopólio de certos povos. Embora o meio cultural influencie fortemente os indivíduos que nele vivem, isso ocorre apesar da raça ou cor da pele, e não por causa delas.
Ao contrário de equívocos ideológicos como a ideia de "apropriação cultural", um branco cantando Soul (Leonardo Gonçalves) não é em nada contraditório tal qual um negro (Limmie Pulliam) interpretando música erudita se a cultura, por definição, é comunicável e aprendida. Assim como Pelé e Maradona no futebol, Oscar Peterson e Bill Evans ao piano, Nat King Cole e Frank Sinatra no canto, talento, disciplina e formação cultural transcendem categorias raciais simplistas.
A Bíblia afirma que Deus "não faz acepção de pessoas" (At 10:34; Gl 3:28; Cl 3:11; Ef 2:14) e que todos os povos procedem de uma mesma origem (Gn 1:26,27; At 17:26). A revelação bíblica valoriza a diversidade cultural e linguística, como se vê no Pentecostes ou salvos de todas as nações em Apocalipse, mas a Bíblia também não endossa o relativismo cultural absoluto. Práticas culturais são julgadas à luz do caráter moral de Deus e explicitamente condenadas quando violam seus princípios e santos atributos.
"A voz do povo clama, reclama e conclama!" Frase: Carlos Lacerda em discurso.
Popularizado pelo sociólogo estadunidense William G. Summer, o termo etnocentrismo define a tendência de algumas culturas avaliarem outras a partir dos seus próprios valores, critérios e referências, tomando-as como centro ou medida universal.
Na antropologia, cultura não se restringe a artes eruditas ou costumes refinados, mas abrange o conjunto de práticas, símbolos, crenças, linguagens, técnicas, valores morais e formas de organização social que moldam a vida humana.
Desde autores clássicos como Edward B. Tylor até abordagens mais atuais, a cultura é entendida como socialmente construída, e não como herança biológica. Essa compreensão já relativiza pretensões raciais ou naturais de superioridade, mas não resolve, por si só, o debate sobre valor cultural.
Se antropólogos como Lewis H. Morgan (1635-1688) defendiam que algumas sociedades seriam mais evoluídas em estágios civilizacionais, por outro lado, Franz-Boas, expoente e pioneiro do relativismo cultural, passou a representar os estudiosos contrários a noção de culturas vistas como referência ou padrão para outras.
Diante disso, a inevitável questão: cultura superior existe ou não?
O relativismo cultural responde negativamente, afirmando cada cultura a ser compreendida a partir de seus próprios critérios, sem hierarquizações externas. Essa postura teve o mérito de combater colonialismos, que historicamente justificaram violência, dominação e desprezo por outros povos. Contudo, ao negar qualquer possibilidade de avaliação comparativa, o relativismo cultural cria contradições lógicas e morais, especialmente quando práticas culturais conflitam com valores éticos universais.
Essa dificuldade se aprofunda quando se diz que todas as culturas teriam exatamente o mesmo valor — não como constatação neutra, mas imposição normativa. Trata-se de uma contradição interna onde esse relativismo acaba se tornando um novo absolutismo, que proíbe qualquer juízo qualitativo, mesmo quando necessário para o discernimento moral e social.
Tomemos a educação para exemplificar essa tensão. A própria educação é cultura, mas ninguém questionaria as distinções entre ensino fundamental, médio e superior. Essas divisões não têm como objetivo discriminar pessoas, mas reconhecer estágios diferentes e necessários de aprimoramento intelectual. Um aluno do ensino fundamental não é inferior como pessoa a um doutor, mas encontra-se em outro nível de formação. Reconhecer graus de desenvolvimento não nega a dignidade humana; ao contrário, pressupõe a capacidade de aperfeiçoamento.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado à cultura em sentido mais amplo. Reconhecer culturas mais aperfeiçoadas não implica desprezo ou desumanização de culturas mais simples. Desde que sofisticação cultural não diga respeito ao valor intrínseco das pessoas — mas ao grau de elaboração simbólica, técnica, estética e intelectual alcançado em determinado contexto histórico — culturas simplificadas podem cumprir bem suas funções em certos ambientes, mas isso não impede perceber que outras desenvolveram instrumentos mais complexos de reflexão, arte, ciência e organização social.
Essa diferenciação não significa exaltar raças, como fizeram naturalistas do século 19. Do ponto de vista científico contemporâneo, raças humanas não existem biologicamente; existe apenas uma raça humana. No âmbito antropológico, porém, o termo "raça" foi utilizado como categoria social e cultural, ainda que com teor fenotípico/genotípico e carregado de problemas e distorções.
Se cultura implicasse superioridade racial, seria necessário afirmar, de forma equivocada, que práticas, costumes e tradições são heranças biológicas determinísticas, ou monopólio de certos povos. Embora o meio cultural influencie fortemente os indivíduos que nele vivem, isso ocorre apesar da raça ou cor da pele, e não por causa delas.
Ao contrário de equívocos ideológicos como a ideia de "apropriação cultural", um branco cantando Soul (Leonardo Gonçalves) não é em nada contraditório tal qual um negro (Limmie Pulliam) interpretando música erudita se a cultura, por definição, é comunicável e aprendida. Assim como Pelé e Maradona no futebol, Oscar Peterson e Bill Evans ao piano, Nat King Cole e Frank Sinatra no canto, talento, disciplina e formação cultural transcendem categorias raciais simplistas.
A Bíblia afirma que Deus "não faz acepção de pessoas" (At 10:34; Gl 3:28; Cl 3:11; Ef 2:14) e que todos os povos procedem de uma mesma origem (Gn 1:26,27; At 17:26). A revelação bíblica valoriza a diversidade cultural e linguística, como se vê no Pentecostes ou salvos de todas as nações em Apocalipse, mas a Bíblia também não endossa o relativismo cultural absoluto. Práticas culturais são julgadas à luz do caráter moral de Deus e explicitamente condenadas quando violam seus princípios e santos atributos.
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