Palavra do leitor
27 de julho de 2015- Visualizações: 1290
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E se a ordem alterar o produto final?
A afirmação incisiva de Jesus registrada no evangelho segundo Mateus “por se multiplicar a iniquidade o amor de muitos se esfriará”, prenunciando um dos sinais de sua vinda, ecoa até hoje, e, ao que parece, anunciando que não tarda por se cumprir. A violação das leis do Senhor, a maldade, a falta de justiça e igualdade para com próximo, prática desvairada do mal sem arrependimento são algumas das significações do termo iniquidade, e tais práticas, segundo Jesus, são a causa do esfriamento do amor de muitos, porém, por esses dias venho levantando uma reflexão, “se o aumento da iniquidade é a causa do esfriamento do amor de muitos, será que, o aumento do amor significaria o esfriamento de tamanha iniquidade na terra?”
A lógica matemática que aprendemos desde muito cedo, “a ordem dos fatores não altera o produto” é muito pertinente para fins matemáticos, entretanto, me permito acreditar que no caso da reflexão levantada, a inversão da ordem, pode sim, alterar em muito o produto final. Para mim, as palavras de Jesus (como sempre) são diretas e verdadeiras, porém, neste caso, como em tantas outras passagens podemos extrair tesouros escondidos que estão muito mais além, ultrapassando sua finalidade primeira, que aqui é de alertar aos discípulos sobre os sinais que deveriam se atentar e que prenunciariam a sua vinda, mas, a meu ver, estas palavras são uma verdadeira Denúncia à falta de espiritualidade nos corações de muitos de cristãos, pois demonstra que o aumento da iniquidade é proporcional a nossa dificuldade de amar. Se enxergarmos por essa ótica podemos pensar que o esfriamento do amor não é apenas o efeito da propagação da iniquidade na terra, mas na verdade, a causa para essa propagação que, ao se multiplicar, passa a fazer parte do cotidiano dos indivíduos com tal regularidade tornando-se a regra a ser seguida e o amor apenas uma pequena exceção.
Deixe-me perguntar, quem veio primeiro, o Amor ou a iniquidade? Deus é antes de todas as coisas, Deus é o próprio amor, logo o amor antecede a iniquidade. O amor é a forma exata da manifestação de Deus, onde há o amor, ali Deus se manifesta e onde Deus se manifesta a iniquidade não subsiste, pois a iniquidade e o amor, Deus e o mal são antagônicos entre si. Para pensarmos mais sobre isso imagine uma família de moradores de rua (criados a imagem e semelhança de Deus) todos os dias comem restos de “comida” de um lixão próxima a sua casa, essa realidade se constitui uma das manifestações mais comuns de iniquidade da sociedade em que vivemos (falta de justiça e equidade), responda: essas pessoas vivendo de forma tão indigna e desumana oferecem uma ameaça real de esfriamento do nosso “amor ardente”, ou, essa cena vergonhosa e comum nos nossos dias é uma constatação de que nosso amor já esfriou faz tempo?
O motivo de enfatizar que esta afirmação de Jesus é uma denúncia a falta de espiritualidade no coração de muitos que se dizem cristãos nascidos de Deus está baseado nas palavras registradas em I João 4.7-8, “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” Aqui, João resalta que o amor genuíno procede de uma única fonte, Deus, e que a marca confirmatória daqueles que tiveram um novo nascimento Nele é o amor, pois o que ama é aquele que nasceu de Deus e o conhece, mas se alguém não ama é porque não o conhece, logo, quando Jesus fala que o amor de muitos irá se esfriar, de quem você acha que ele está falando? De alguém que nunca o conheceu e, que ao não conhecê-lo também não tem a responsabilidade de levar esse amor que vem de Deus? Não. Jesus está falando daqueles que um dia receberam o primeiro amor, um amor que se deixa conhecer, um amor que é presente e ativo, o Amor que foi encarnado e se sacrificou e se deixou escorrer até a última gota de si para nos limpar das nossas iniquidades e culpas. O amor vivo que decidiu viver em templos vivos como nós para que os necessitados tivessem onde buscar socorro em nós, porque dentro de nós o amor faz morada. Nas palavras de Assmann e Mo Sung: “Deus e o seu amor se fazem presentes no meio de nós na medida em que amamos e servimos aos pobres e excluídos”. O aumento desenfreado de pobres, excluídos é apenas uma das comprovações da crescente iniquidade no mundo e a confirmação denunciada do esfriamento do amor daqueles que deveriam ser o amor de Deus encarnado na terra.
Voltemos as “velhas” boas novas do Reino de Deus, abandonemos esse “euvangelho” que não consegue ultrapassar a fronteira do próprio umbigo, voltemos ao evangelho PSP- Puro, Simples e Profundo de Jesus; voltemos aos “solas”de Lutero, somente a Graça, Cristo, as Escrituras, a Fé e a Deus toda a glória. Quem sabe, possamos um dia dizer: por se multiplicar o amor em nós à iniquidade que nos cerca tem se esfriado, ainda que apenas a iniquidade dos lixões próximos aos nossos confortáveis lares.
Anderson Rodrigues
Psicanalista/Pofessor
A lógica matemática que aprendemos desde muito cedo, “a ordem dos fatores não altera o produto” é muito pertinente para fins matemáticos, entretanto, me permito acreditar que no caso da reflexão levantada, a inversão da ordem, pode sim, alterar em muito o produto final. Para mim, as palavras de Jesus (como sempre) são diretas e verdadeiras, porém, neste caso, como em tantas outras passagens podemos extrair tesouros escondidos que estão muito mais além, ultrapassando sua finalidade primeira, que aqui é de alertar aos discípulos sobre os sinais que deveriam se atentar e que prenunciariam a sua vinda, mas, a meu ver, estas palavras são uma verdadeira Denúncia à falta de espiritualidade nos corações de muitos de cristãos, pois demonstra que o aumento da iniquidade é proporcional a nossa dificuldade de amar. Se enxergarmos por essa ótica podemos pensar que o esfriamento do amor não é apenas o efeito da propagação da iniquidade na terra, mas na verdade, a causa para essa propagação que, ao se multiplicar, passa a fazer parte do cotidiano dos indivíduos com tal regularidade tornando-se a regra a ser seguida e o amor apenas uma pequena exceção.
Deixe-me perguntar, quem veio primeiro, o Amor ou a iniquidade? Deus é antes de todas as coisas, Deus é o próprio amor, logo o amor antecede a iniquidade. O amor é a forma exata da manifestação de Deus, onde há o amor, ali Deus se manifesta e onde Deus se manifesta a iniquidade não subsiste, pois a iniquidade e o amor, Deus e o mal são antagônicos entre si. Para pensarmos mais sobre isso imagine uma família de moradores de rua (criados a imagem e semelhança de Deus) todos os dias comem restos de “comida” de um lixão próxima a sua casa, essa realidade se constitui uma das manifestações mais comuns de iniquidade da sociedade em que vivemos (falta de justiça e equidade), responda: essas pessoas vivendo de forma tão indigna e desumana oferecem uma ameaça real de esfriamento do nosso “amor ardente”, ou, essa cena vergonhosa e comum nos nossos dias é uma constatação de que nosso amor já esfriou faz tempo?
O motivo de enfatizar que esta afirmação de Jesus é uma denúncia a falta de espiritualidade no coração de muitos que se dizem cristãos nascidos de Deus está baseado nas palavras registradas em I João 4.7-8, “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” Aqui, João resalta que o amor genuíno procede de uma única fonte, Deus, e que a marca confirmatória daqueles que tiveram um novo nascimento Nele é o amor, pois o que ama é aquele que nasceu de Deus e o conhece, mas se alguém não ama é porque não o conhece, logo, quando Jesus fala que o amor de muitos irá se esfriar, de quem você acha que ele está falando? De alguém que nunca o conheceu e, que ao não conhecê-lo também não tem a responsabilidade de levar esse amor que vem de Deus? Não. Jesus está falando daqueles que um dia receberam o primeiro amor, um amor que se deixa conhecer, um amor que é presente e ativo, o Amor que foi encarnado e se sacrificou e se deixou escorrer até a última gota de si para nos limpar das nossas iniquidades e culpas. O amor vivo que decidiu viver em templos vivos como nós para que os necessitados tivessem onde buscar socorro em nós, porque dentro de nós o amor faz morada. Nas palavras de Assmann e Mo Sung: “Deus e o seu amor se fazem presentes no meio de nós na medida em que amamos e servimos aos pobres e excluídos”. O aumento desenfreado de pobres, excluídos é apenas uma das comprovações da crescente iniquidade no mundo e a confirmação denunciada do esfriamento do amor daqueles que deveriam ser o amor de Deus encarnado na terra.
Voltemos as “velhas” boas novas do Reino de Deus, abandonemos esse “euvangelho” que não consegue ultrapassar a fronteira do próprio umbigo, voltemos ao evangelho PSP- Puro, Simples e Profundo de Jesus; voltemos aos “solas”de Lutero, somente a Graça, Cristo, as Escrituras, a Fé e a Deus toda a glória. Quem sabe, possamos um dia dizer: por se multiplicar o amor em nós à iniquidade que nos cerca tem se esfriado, ainda que apenas a iniquidade dos lixões próximos aos nossos confortáveis lares.
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