Palavra do leitor
19 de setembro de 2015- Visualizações: 814
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Carta para Aylan Kurdi
Olá, Aylan. Fiquei muito triste vendo a foto do seu corpo estendido na areia daquela praia. Mesmo quem não tem filhos pequenos, como eu tenho, se sente comovido e até culpado pela injustiça que você sofreu. Você não teve culpa de nascer naquele lugar, naquele contexto. E os homens não te deram chance de sair de lá.
O único consolo que tenho neste momento é o maior deles: saber que vocês está agora nos braços do Senhor, vestindo uma roupinha seca e em terra firme, uma nova terra, um novo céu, uma nova vida. Mas sua partida nos faz pensar; torço para que nos faça melhores.
Gostaria de lhe pedir perdão, em nome do mundo, por você ter sido tratado aqui de forma tão cruel. Esse desprezo não condiz com o valor incalculável de sua vida, assim como dos demais atingidos por estas tragédias e por outras.
De forma alguma a culpa disso é do seu pai. Ele embarcou com a família mar adentro por desespero, por medo de que vocês caíssem nas mãos homens cruéis, que não conhecem a Deus, e fez tudo o que fez por amor. O mundo foi cruel com ele também, não lhe deixando outra alternativa.
Peço perdão a você e a Deus por não chegarmos ao fim dos conflitos étnicos, religiosos e políticos que assolam seu país e muitas partes do mundo. Sei que você não entende muito disso tudo, e seu maior interesse era estar com a família e brincar com os amigos.
Aliás, você nem consegue saber nada do que estou escrevendo nesta carta, pois somos incomunicáveis agora. Por isso mesmo, ela não é endereçada a você, mas a quem está lendo a carta neste momento, para que ao menos reflita sobre o que podemos sentir e fazer pelos que ainda estão vivos.
O único consolo que tenho neste momento é o maior deles: saber que vocês está agora nos braços do Senhor, vestindo uma roupinha seca e em terra firme, uma nova terra, um novo céu, uma nova vida. Mas sua partida nos faz pensar; torço para que nos faça melhores.
Gostaria de lhe pedir perdão, em nome do mundo, por você ter sido tratado aqui de forma tão cruel. Esse desprezo não condiz com o valor incalculável de sua vida, assim como dos demais atingidos por estas tragédias e por outras.
De forma alguma a culpa disso é do seu pai. Ele embarcou com a família mar adentro por desespero, por medo de que vocês caíssem nas mãos homens cruéis, que não conhecem a Deus, e fez tudo o que fez por amor. O mundo foi cruel com ele também, não lhe deixando outra alternativa.
Peço perdão a você e a Deus por não chegarmos ao fim dos conflitos étnicos, religiosos e políticos que assolam seu país e muitas partes do mundo. Sei que você não entende muito disso tudo, e seu maior interesse era estar com a família e brincar com os amigos.
Aliás, você nem consegue saber nada do que estou escrevendo nesta carta, pois somos incomunicáveis agora. Por isso mesmo, ela não é endereçada a você, mas a quem está lendo a carta neste momento, para que ao menos reflita sobre o que podemos sentir e fazer pelos que ainda estão vivos.
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