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Palavra do leitor

Perdão não é sentimento

Por que as vezes perdoar é tão difícil? Normalmente confundimos o sentido de 2 palavras: Perdão e misericórdia. O primeiro (perdão) é uma remissão de dívida, uma absolvição. É não cobrar do outro aquilo que teoricamente somos credores. Pela perspectiva bíblica, perdão não está embasado em sentimentos, talvez, nem mesmo seja uma escolha. Então o que seria perdão? Gosto de classifica-lo como obrigação/dever. Quando analisamos a Parábola do Credor Incompassivo (Mateus 18:21-35). Vemos que um rei foi piedoso com seu servo, e perdoou-lhe uma dívida enorme e este servo não mostrou a mesma piedade com seu conservo, cobrando-lhe uma dívida muito menor, trazendo indignação para outros conservos e também do rei. Entendo que é como se Deus nos dissesse: “perdoei você de uma dívida impagável e você não é capaz de perdoar seu irmão por essa mínima ofensa? “. (Perto do perdão de nossos pecados qualquer ofensa, por maior que seja, passa a ser mínima). Quando não perdoamos estamos “cobrando” do outro aquilo que ele nos deve. estamos dizendo ao Pai que também cobre a nossa dívida para com Ele. Quando queremos dar ao outro o que o outro “merece” dizemos a Deus que também nos dê o que merecemos. Sinceramente, eu não gostaria de receber o que mereço. Nas palavras do meu amigo e professor Cláudio Silva : “O perdão tal como a palavra de Deus nos ensina é para dívidas que não podem ser pagas. Se posso ressarcir a você aquilo que tenho em débito não há necessidade de perdão.”

Por outro lado a misericórdia é colocar o miserável no coração. É pegar alguém que não vale nada e amá-lo por completo. Daí talvez o nosso grande equívoco. Confundimos perdão com misericórdia. Pensando que perdoar é restabelecer na íntegra aquela relação que fora quebrada, como se nada tivesse acontecido, ou que perdoamos quando paramos de sentir a dor ou qualquer outro sentimento causado, ou perdoamos quando somos capazes de amar o ofensor como se nunca tivesse nos ofendido. Não, não é isso. Esse é o plano ideal, nos constranger em amor a ponto de que as transgressões sejam completamente absorvidas pela misericórdia. Porém esse mundo esperado, é o fim da linha, o destino final. Para chegarmos lá existe um longo caminho a ser percorrido até que sejamos capazes de colocar o miserável (o ofensor) no coração novamente, sendo mais importante o trajeto do que o destino. Esse caminho vai sendo construindo diariamente passo a passo pelo Espirito Santo de Deus em nós, que vai nos convencendo segundo critérios do Reino de Deus e não nossos, sobre o que é justiça, o que é juízo, o que é pecado. Esse é o caminho da conversão, o caminho da graça, da renovação da mente e da satisfação do princípio da justiça divina. Aí chegaremos ao ponto de sermos integralmente família, irmãos e não como ofensores e ofendidos. Desse modo é impossível perdoar de imediato? De imediato, ninguém é capaz de exercer misericórdia (amar o que não vale a pena ser amado), somente Cristo, mas, perdoar é possível com também é devido. Mesmo que ainda estejamos cheios de sentimentos negativos ou ruins, ou que ainda não estejamos prontos para restabelecer na integra as relações quebradas. Devemos perdoar. Como em fim gerar o perdão? Devemos tirar do nosso coração o desejo de cobrar o que nos é devido, tirar do coração a vontade de fazer justiça, pelo o que achamos ser justo. Depositar isso em Deus. Dizendo: Deus porque perdoou minhas ofensas, irei perdoar meu ofensor, mesmo que doa, ou aparentemente me traga prejuízo, não cobrarei dele o que ele me deve, mesmo que tenha imensa vontade de cobrar, pois quero que seja aplicada a justiça do Reino de Deus e não a minha. Isso não implica necessariamente que de imediato conseguiremos ter uma relação proveitosa com o ofensor. Também não há problema se momentaneamente cada um partir para o seu canto. Assim como Paulo e Pedro, que se desentenderam e cada um partiu a cumprir seu chamado separadamente, porém ambos em paz, após a conciliação. Estou Certo que persistindo na fé, o Espirito de Deus continuará a acrescentar passos a nossa caminhada a ponto de que a misericórdia se instale não só para perdoar como também de amarmos aquele que aos nossos olhos não merecem nosso amor pois nos ofendem. Oremos assim, que Cristo nos dê a Paz.

Fillipe Gibran Souza.
Belo Horizonte - MG
Textos publicados: 7 [ver]

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