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Palavra do leitor

Clientelismo evangélico

O cenário evangélico tomou as mídias e as igrejas neopentecostais estão cada vez mais buscando espaço na TV. Essas igrejas midiáticas, que valorizam a presença em todos os meios de comunicação, fomentam um transito religioso no arraial evangélico. Os fiéis já não são mais tão fiéis às doutrinas de sua denominação, na realidade a expressão doutrina foi banida do vocabulário evangélico, e agora a palavra da moda é "ministério". Os testemunhos já não são mais sobre transformação de vida e sim que a pessoa saiu de um ministério e agora está nesse ministério porque vê, sente e percebe que Deus está agindo em um ministério em detrimento do outro.

Boa parte dos evangélicos do Brasil foi contaminada pela visão de mercado. Hoje as campanhas, correntes, programações e reuniões são pautadas por estratégicas de marketing, e cada vez mais se enfatiza a emoção e não a razão. Como boa parte das igrejas estão migrando para os canais de comunicação, logo as lideranças entram nas mesmas regras do jogo do mercado. Assim como os canais de TV e emissoras de rádio mudam e enfatizam a mudança como forma de atrair o público, as igrejas neopentecostais entraram nessa onda. Essa onda é grande e suga o foco espiritual das reuniões, aliás, quem quer saber de algo espiritual? O que muita gente quer mesmo são respostas para as doenças, sucessos financeiros e compra do carro e da casa.

Essa visão mercadológica de fé evangélica também contaminou as pessoas das igrejas protestantes históricas, e a pressão sobre as lideranças é cada vez maior. Os membros e visitantes de nossas igrejas querem fazer parte da igreja da moda da cidade e/ou do bairro. E as pessoas buscam a igreja pelas mais diversas motivações, que nada tem a ver com a caminhada cristã. As pessoas querem um bom local de culto, uma boa banda, estacionamentos, ar condicionado, uma equipe para cuidar das crianças e ofertas de viagens para os casais. As comunidades cristãs devem investir nas estruturas físicas e em liderança para poder servir melhor e expandir o reino, mas os níveis de cobrança das pessoas não são pautados pelo zelo da obra de Deus e sim pelas regras do mercado.

As pessoas não querem mais servir ou querem se esquivar de compromissos de serviço. É melhor ser servido e do que servir. Quando ouvem a expressão "compromisso" não fica uma pessoa para a reunião. As pessoas querem se sentir bem e não querem se envolver. Afinal, se envolver exige renuncia e dedicação, e nessa correria ninguém tem tempo para esses valores. É mais fácil pagar para que alguém faça, e se a igreja não dá o suporte luxuoso esperado, é só trocar. É só mudar apara a outra igreja que oferece mais entretenimento. As pessoas não se aproximam da igreja local como uma parte da família de Deus que precisa de pessoas para servir uma as outras, e para servirem as pessoas que ainda não confessam Jesus como Senhor e Salvador. As pessoas só querem ser servidas e são avessas ao serviço. Querem cobrar mais e mais, mas não querem arregaçar as mangas e se engajarem no trabalho. Querem exigir mais conforto, mais qualidades nas atividades, mas não se compromete fielmente com a comunidade. Querem exigir uma melhor performance do pastor, querem o que o obreiro seja como o da televisão. Querem banheiros e salas luxuosas. Querem o glamour da TV, querem o status de ser da igreja da moda.

É triste vermos os evangélicos se tornando clientes ao invés de filhos. Veem a igreja como um balcão e passam a exigir o que querem e da forma como querem a dinâmica da igreja. Assim como clientes em uma loja, os clientes evangélicos exigem bons serviços religiosos e querem ser atendidos de acordo com sua visão. O tratamento é de acordo com o gosto do freguês. A relação cristã é de filiação. Somos filhos de Deus e esse privilégio não pode ser trocado pela posição de cliente. Clientes cobram, exigem, reclamam, já os filhos, amam, obedecem e se entregam. Deixemos de lado o clientelismo e valorizemos o privilégio, os benefícios e os deveres de ser chamados filhos de Deus.
Bauru - SP
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