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Abismos sociais no Brasil

Marlene, solteira, professora de matemática, mostrou os primeiros sinais de Alzheimer aos 65 anos de idade. Tinha uma boa aposentadoria, imóveis, plano de saúde. Não foi pesado para a irmã e os sobrinhos assumirem a responsabilidade por ela. Com o agravamento do quadro, chegou a ter três cuidadoras em diferentes turnos. Nos últimos anos de vida – ela já não falava nem andava e alimentava-se por meio de sonda – morou numa residência geriátrica.

Tina, um pouco mais jovem, também solteira, “encostada” pelo INSS em virtude de deficiência mental, morou na mesma clínica que Marlene, graças a um convênio com a prefeitura. Raramente recebia visitas. Seu jeito de menina alegrava a casa. Marlene morreu primeiro; um ano depois, Tina. Marlene teve um ofício religioso, com hinos que apreciava, palavras de gratidão por sua vida e a presença de parentes e amigos. Por fim, foi levada ao túmulo previamente adquirido. O corpo de Tina foi levado a uma capela católica do seu distrito de origem, onde foi feita uma breve oração na presença de um familiar e duas amigas. Num caixão doado pelos vicentinos, foi enterrada no cemitério público.

Estas histórias reais ilustram um aspecto crucial da desigualdade social no Brasil, que vai se acentuar nos próximos anos: o acesso dos mais velhos a bens e serviços nas áreas de saúde, habitação, renda, mobilidade e outros. Como o envelhecimento saudável depende do acúmulo de oportunidades ao longo da vida, a falta de acesso a elas – também ao longo da vida – tira a perspectiva de uma vida plena na velhice.

Profissionais de saúde têm usado a palavra iniquidade para descrever as desigualdades de saúde, que, além de sistemáticas e relevantes, são também evitáveis, injustas e desnecessárias. Um exemplo: sete a cada dez óbitos infantis indígenas acontecem a crianças com mais de um mês de vida acometidas por doenças infecciosas, do que se conclui que os óbitos infantis indígenas são, de modo geral, evitáveis por meio de intervenções no âmbito da Atenção Primária à Saúde.1

Falta de oportunidades e iniquidades: terrenos férteis de onde brotam as desigualdades. Nada melhor do que a palavra de dois profetas para nos incentivar em nosso papel como cristãos na redução da desigualdade – tanto em nossas relações pessoais como na sociedade:

“Ó povo, o Senhor já lhe declarou o que é bom e o que ele requer de você: que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com seu Deus. (Mq 6.8, NVT)

“Uma vez que todos têm valor igual, embora com capacidade desigual, devemos garantir oportunidades iguais para cada um desenvolver seu potencial particular para a glória de Deus e o bem dos outros. A desigualdade de privilégio deve ser abolida em favor da igualdade de oportunidades. [...]. É, portanto, uma busca fundamentalmente cristã buscar para todas as pessoas a igualdade de oportunidades.2 (John Stott)


O infográfico a seguir coloca em evidência dados sobre a desigualdade social no Brasil em diferentes áreas.

Notas
1. MARINHO, Gerson L. et. al. “Mortalidade infantil de indígenas e não indígenas nas microrregiões do Brasil.” Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, n. 1, Brasília, jan-fev. 2019. Disponível
aqui.
2. STOTT, John. Economic Equality among Nations; A Christian Concern? Disponível
aqui.



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