Apoie com um cafezinho
Ol? visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Capa

A equidade é um valor bíblico?

Por Jorge Henrique Barro

Por que uma sociedade regulada pela lei e norteada pela justiça ainda precisaria de um terceiro elemento, a equidade? No Antigo Testamento, a palavra para “equidade” é meshar (מֵישָׁרִים, que vem de yashar), significa uniformidade, regularidade, retidão, e aparece dezenove vezes. No Novo Testamento, a palavra grega para equidade é ἐπιεικείᾳ (ep-ee-i'-ki-ah) e aparece apenas duas vezes.

Equidade é um substantivo feminino com origem no latim aequitas e significa igualdade, simetria, retidão, imparcialidade, conformidade. Esse conceito revela o uso da imparcialidade para reconhecer o direito de cada um, usando a equivalência para os tornar iguais. Equidade é, portanto, a imparcial distribuição da justiça.

A equidade teve uma importante ressignificação a partir do cristianismo. Jesus de Nazaré viveu e difundiu uma nova compreensão da equidade. A vida cristã implica estar em Cristo, participar do que ele participou (1Jo 2.5-6); pressupõe “revestir-nos do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade” (Ef 4.23-24). Fomos libertos da antiga maneira de viver (Ef 4.22) e nos tornamos “escravos da justiça” (Rm 6.18). Agora somos guiados pelo Espírito Santo para expressar em nossa vida a justiça de Deus.

Equidade – a efetivação do amor
Central ao entendimento de ser participante da justiça de Deus, em Cristo, é a resposta que Jesus deu à pergunta dos fariseus sobre o maior mandamento da Lei: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.37-40).
Amar a Deus é o início de tudo; amar o próximo é necessariamente uma consequência disso. É a esse caminho mais excelente do amor que o conceito de equidade deve ser relacionado.

Em Mateus 7.12, encontramos a comumente chamada regra de ouro do comportamento: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”. A equidade é o conteúdo da regra de ouro que nos guia no cumprimento do segundo mandamento – amar o próximo – em nosso dia a dia. Jesus ensina aos seus discípulos que a regra é para um viver correto e justo, cada um oferecendo ao outro o que teria feito para si mesmo. O resultado de segui-la é o que podemos chamar de “caridade ativa”. Infelizmente, parece que somos astutamente passivos nessa instrução sobre a equidade.

Equidade e justiça
Equidade e justiça não podem ser separadas. A justiça à qual Deus nos chama abraça todos os deveres da equidade e “nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente” (Tt 2.12).

A justiça, definida em termos de deveres e direitos, é insuficiente para a realização dos corretos e justos resultados. Existem situações em que uma pessoa possui direitos, e outras não, mas a aplicação do legítimo direito de alguém pode resultar em injustiça para quem não possui direito algum. Assim, pessoas equitativas renunciam aos seus direitos porque desejam que todos os envolvidos recebam um justo e correto tratamento. Motivadas pela virtude do amor equitativo, buscam a equidade em todas as suas relações.

Essa atitude requer que cada um veja todas as pessoas como o seu próximo. Apesar de termos a tendência de restringir nossos deveres de amor aos nossos amigos e parentes, Deus nos ordena estender esse amor a toda a humanidade. Portanto, fracassamos em amar o próximo quando oferecemos favor especial para uns e negligenciamos os demais.

É o caráter de Deus que faz com que ele mesmo se relacione conosco em equidade e amor. Deus é o soberano criador, sustentador e governador de todas as coisas, que começam nele e continuam nele. Se ele se relacionasse conosco com base em sua justiça, ninguém poderia escapar da sua justa condenação.

Caídos, os seres humanos são escravos do pecado, incapazes de render a Deus o que lhe é justo. Felizmente para nós, Deus não se relaciona conosco com base em sua justiça. Sua graça, completada em Cristo e por meio de sua morte e ressurreição, satisfez o justo julgamento de Deus pelos nossos pecados. Em Cristo, a justificação abarcou a remissão dos pecados e a imputação da justiça. Porém, a causa última da salvação é o amor do eleito de Deus.

Autoamor, autonegação
Nossa união com Cristo em sua morte é o significado do “negar-se a si mesmo”. É aqui que começa o amor pelo próximo. A autonegação é o único remédio efetivo para o cego e desordenado amor do eu. É a condição necessária para devotar-nos de todo o coração a Cristo e ao seu serviço. Cristo foi quem nos revelou o padrão de autonegação. Paulo diz que, “embora sendo Deus [...] esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2.6-7). Aqui está o exemplo para nós: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (2.5).

Calvino afirmou: “A única razão para a existência do reino de ódio neste mundo, homens antagonisticamente contra os outros em muitas causas, é que eles com conhecimento e desejo tratam a equidade debaixo dos seus pés, mesmo que a cada homem demande sua estrita aplicação para si mesmos. Onde nossa própria vantagem sobressai, nenhum de nós quer tratar de detalhes, capítulo e versículo, visando à extensão do nosso direito. Cada um se mostra um exato acadêmico no tratamento da equidade”.

Somos indivíduos obstinados e zelosos para com nossos direitos. É a autonegação que produz moderação em nossas demandas e preocupação com os direitos dos outros. Cada pessoa é autocentrada – amar o próximo nunca florescerá, a menos que o amor de Deus reine em nós.
O propósito da autonegação é humilhar-nos perante Deus para que possamos ser mais corteses e amáveis com os irmãos e nos ofereçamos a eles, como Cristo fez, de modo justo e amoroso – ambas exigências da equidade.

Equidade e desigualdades
A Bíblia afirma a igualdade fundamental de todas as pessoas diante de Deus e a responsabilidade social com a riqueza para garantir que todos os membros da comunidade possam ter suas necessidades satisfeitas. Logo, o ponto central dos arranjos econômicos é construir e sustentar comunidades para proteger os mais vulneráveis e garantir que eles possam participar tão plenamente quanto os outros. Mais do que um sonho, isso foi uma realidade na vida do povo de Deus; mesmo em situações de fracasso, a equidade era a norma.

Buscamos a equidade não porque sejamos equânimes, mas porque somos filhos e filhas de um Deus que é e age assim com todos. Em meio às lutas e aos desafios diante de nós, que sejamos encorajados a seguir em frente, na busca por uma sociedade mais justa e equitativa, sabendo que: “O Senhor reina! As nações tremem! O seu trono está sobre os querubins! Abala-se a terra! Grande é o Senhor em Sião; ele é exaltado acima de todas as nações. Seja louvado o teu grande e temível nome, que é santo. Rei poderoso, amigo da justiça! Estabeleceste a equidade e fizeste em Jacó o que é direito e justo” (Sl 94.1-4).

Jorge Henrique Barro é cofundador, professor e diretor da Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina. É ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil e membro do Conselho Gestor da Aliança Cristã Evangélica Brasileira. Possui doutorado pelo Fuller Theological Seminary.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.