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06 de abril de 2026- Visualizações: 829
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Saúde integral para o bem-estar é tema da próxima live do grupo Ethica, Sola Gratia
Clarisse Sanchez conta sobre a superação de um câncer de mama e fundação da Tok de Amor
Por Oséas Heckert
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 3 (ODS 3) trata de questões relacionadas à saúde e ao bem-estar. Suas metas estão majoritariamente direcionadas à saúde física, com foco na redução da incidência de doenças e epidemias, bem como nos índices de mortalidade.
O investimento de cerca de 4% do PIB do Brasil em saúde pública soa insuficiente diante da realidade: uma taxa de mortalidade materna de 51 óbitos por 100 mil nascidos vivos e de 15 óbitos de crianças menores de 5 anos por mil nascidos vivos. Epidemias que já poderiam estar controladas ainda apresentam índices preocupantes, como a AIDS (com aumento de 4,5% nas infecções de 2022 para 2023) e a tuberculose (com aumento de 32% nas mortes entre 2020 e 2023).1
Além disso, é alarmante constatar que, no mundo, cerca de 6 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência do tabagismo, sendo aproximadamente 10% dessas mortes atribuídas à exposição ao fumo passivo.
Há, porém, indicadores ainda mais preocupantes quando analisamos a incidência de transtornos mentais. No Brasil, a depressão atinge cerca de 5,8% da população, e a ansiedade alcança aproximadamente 9,3% dos brasileiros. Somam-se a isso os casos de síndrome do pânico e, especialmente, o número de suicídios, que gira em torno de 14 mil mortes por ano — mais de 30 por dia!
Diante dos indicadores negativos de saúde no Brasil, que contribuição os cristãos poderiam oferecer, uma vez que a espiritualidade é um importante recurso tanto na prevenção quanto na recuperação de diversos quadros patológicos?

Sabemos que o projeto maior de Deus (missio Dei) inclui bênção integral, justiça, paz e bem-estar – uma vida abundante (perissos) no Espírito. No entanto, percebe-se que a cosmovisão cristã tem sido mais influenciada pelo espírito deste século (zeitgeist) do que o contrário.
Byung-Chul Han2 identifica esse fenômeno como “excesso de positividade”. Na “sociedade da performance”, a cultura substituiu a negatividade do dever (“não devo fazer...”) pela positividade do poder (“você quer, você pode”). Enquanto a sociedade disciplinar, marcada pelo excesso de dever, produzia loucos e delinquentes, a sociedade da performance produz deprimidos e fracassados.
Para sustentar o culto ao bem-estar a qualquer preço – inclusive ao custo da própria saúde – academias, spas (verdadeiros “templos do bem-estar”) e até igrejas podem cooperar, ainda que inadvertidamente. Nesse contexto, profissionais da saúde mental acabam, muitas vezes, atuando como agentes de retorno à lógica da performance, prescrevendo medicamentos para tratar disfunções geradas por esse excesso de positividade. Como observa Han, “torna-se mais simples recorrer a antidepressivos que restabelecem o sujeito funcional e capaz de desempenho”.
No contexto da espiritualidade cristã, a vida é sagrada e requer gratidão. A experiência da graça divina começa quando reconhecemos que somos aceitos apesar de sermos inaceitáveis, como afirma Paul Tillich3. Com o apóstolo Paulo (Filipenses 4), devemos aprender o contentamento. A vida não está sob nosso controle; não há garantias de sucesso ou saúde, mas temos a convicção de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8).
Precisamos de uma espiritualidade cristã que afirme a vida, celebre o prazer e as dádivas recebidas de Deus e nos inspire a viver plenamente – pois, como afirma Harold Kushner, “quando aprendemos a viver, a própria vida é uma recompensa”.4
Esses temas são aprofundados no capítulo sobre o ODS 3 no livro Porque Deus Amou o Mundo5, do qual Clarisse Sanchez é uma das autoras. Ao enfrentar um câncer de mama e todo o processo terapêutico, Clarisse testemunha que foi pela graça de Deus, somada ao amor e apoio da família e dos amigos, que encontrou forças para superar a doença. Essa experiência a motivou a fundar a organização Tok de Amor, que oferece apoio a pacientes com câncer e suas famílias em Londrina.
Para conhecer mais sobre este assunto e a experiência de Clarisse, não perca a próxima live do grupo ESG (Ethica, Sola Gratia), no dia 9 de abril, quinta-feira, 20h, pelo https://www.youtube.com/@juliocesarcanal81
Convidada:
Clarissa Peres Sanchez, tem graduações em teologia (FTSA), turismo (UNIBERO) e educação Física (FESB); mestrado e doutorado em teologia prática (EST) e especializações em fisiologia do exercício, aconselhamento e cuidado pastoral, logoterapia, multiprofissional em cuidados paliativos. Atua como capelã na área da saúde, “doula de fim de vida” e “terapeuta da dignidade”.
Notas
1. Todos os indicadores foram extraídos do IX Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável Brasil. https://gtagenda2030.org.br/relatorio-luz-2025-2/
2. Byung-Chul Han. Sociedade do Cansaço. Editora Vozes.
3. Paul Tillich. A Coragem de Ser. Editora Paz e Terra.
4. Harold Kushner. Quando tudo não é o bastante. Editora Nobel.
5. Jorge Barro (org.). Porque Deus Amou o Mundo. Editora Descoberta.
**
ESG – Ethica, Sola Gratia, promotor da live, é um grupo formado por cristãos de diversas áreas de atuação profissional que acreditam que a ética apresentada na Bíblia e encarnada em Jesus de Nazaré é o melhor referencial para o cuidado com o meio ambiente (E), as questões sociais (S) e a governança nas organizações (G); e que acreditam que Só Pela Graça e pela ação do Espírito serão capazes de praticar o que creem.
**
Serviço:
Live da série de conversas “O que a Bíblia tem a dizer sobre os ODS?”
Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3) –Saúde e bem-estar
Quando: 9 de abril de 2026, às 20 horas
Onde: Canal Júlio César no YouTube
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)
A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Quando a Igreja Abraça a Cidade, Leandro Silva (org.)
» O Mundo - uma missão a cumprir, John Stott e Tim Chester
Por Oséas Heckert
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 3 (ODS 3) trata de questões relacionadas à saúde e ao bem-estar. Suas metas estão majoritariamente direcionadas à saúde física, com foco na redução da incidência de doenças e epidemias, bem como nos índices de mortalidade.O investimento de cerca de 4% do PIB do Brasil em saúde pública soa insuficiente diante da realidade: uma taxa de mortalidade materna de 51 óbitos por 100 mil nascidos vivos e de 15 óbitos de crianças menores de 5 anos por mil nascidos vivos. Epidemias que já poderiam estar controladas ainda apresentam índices preocupantes, como a AIDS (com aumento de 4,5% nas infecções de 2022 para 2023) e a tuberculose (com aumento de 32% nas mortes entre 2020 e 2023).1
Além disso, é alarmante constatar que, no mundo, cerca de 6 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência do tabagismo, sendo aproximadamente 10% dessas mortes atribuídas à exposição ao fumo passivo.
Há, porém, indicadores ainda mais preocupantes quando analisamos a incidência de transtornos mentais. No Brasil, a depressão atinge cerca de 5,8% da população, e a ansiedade alcança aproximadamente 9,3% dos brasileiros. Somam-se a isso os casos de síndrome do pânico e, especialmente, o número de suicídios, que gira em torno de 14 mil mortes por ano — mais de 30 por dia!
Diante dos indicadores negativos de saúde no Brasil, que contribuição os cristãos poderiam oferecer, uma vez que a espiritualidade é um importante recurso tanto na prevenção quanto na recuperação de diversos quadros patológicos?

Sabemos que o projeto maior de Deus (missio Dei) inclui bênção integral, justiça, paz e bem-estar – uma vida abundante (perissos) no Espírito. No entanto, percebe-se que a cosmovisão cristã tem sido mais influenciada pelo espírito deste século (zeitgeist) do que o contrário.
Byung-Chul Han2 identifica esse fenômeno como “excesso de positividade”. Na “sociedade da performance”, a cultura substituiu a negatividade do dever (“não devo fazer...”) pela positividade do poder (“você quer, você pode”). Enquanto a sociedade disciplinar, marcada pelo excesso de dever, produzia loucos e delinquentes, a sociedade da performance produz deprimidos e fracassados.
Para sustentar o culto ao bem-estar a qualquer preço – inclusive ao custo da própria saúde – academias, spas (verdadeiros “templos do bem-estar”) e até igrejas podem cooperar, ainda que inadvertidamente. Nesse contexto, profissionais da saúde mental acabam, muitas vezes, atuando como agentes de retorno à lógica da performance, prescrevendo medicamentos para tratar disfunções geradas por esse excesso de positividade. Como observa Han, “torna-se mais simples recorrer a antidepressivos que restabelecem o sujeito funcional e capaz de desempenho”.
No contexto da espiritualidade cristã, a vida é sagrada e requer gratidão. A experiência da graça divina começa quando reconhecemos que somos aceitos apesar de sermos inaceitáveis, como afirma Paul Tillich3. Com o apóstolo Paulo (Filipenses 4), devemos aprender o contentamento. A vida não está sob nosso controle; não há garantias de sucesso ou saúde, mas temos a convicção de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8).
Precisamos de uma espiritualidade cristã que afirme a vida, celebre o prazer e as dádivas recebidas de Deus e nos inspire a viver plenamente – pois, como afirma Harold Kushner, “quando aprendemos a viver, a própria vida é uma recompensa”.4
Esses temas são aprofundados no capítulo sobre o ODS 3 no livro Porque Deus Amou o Mundo5, do qual Clarisse Sanchez é uma das autoras. Ao enfrentar um câncer de mama e todo o processo terapêutico, Clarisse testemunha que foi pela graça de Deus, somada ao amor e apoio da família e dos amigos, que encontrou forças para superar a doença. Essa experiência a motivou a fundar a organização Tok de Amor, que oferece apoio a pacientes com câncer e suas famílias em Londrina.
Para conhecer mais sobre este assunto e a experiência de Clarisse, não perca a próxima live do grupo ESG (Ethica, Sola Gratia), no dia 9 de abril, quinta-feira, 20h, pelo https://www.youtube.com/@juliocesarcanal81
Convidada:
Clarissa Peres Sanchez, tem graduações em teologia (FTSA), turismo (UNIBERO) e educação Física (FESB); mestrado e doutorado em teologia prática (EST) e especializações em fisiologia do exercício, aconselhamento e cuidado pastoral, logoterapia, multiprofissional em cuidados paliativos. Atua como capelã na área da saúde, “doula de fim de vida” e “terapeuta da dignidade”.
Notas
1. Todos os indicadores foram extraídos do IX Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável Brasil. https://gtagenda2030.org.br/relatorio-luz-2025-2/
2. Byung-Chul Han. Sociedade do Cansaço. Editora Vozes.
3. Paul Tillich. A Coragem de Ser. Editora Paz e Terra.
4. Harold Kushner. Quando tudo não é o bastante. Editora Nobel.
5. Jorge Barro (org.). Porque Deus Amou o Mundo. Editora Descoberta.
**
ESG – Ethica, Sola Gratia, promotor da live, é um grupo formado por cristãos de diversas áreas de atuação profissional que acreditam que a ética apresentada na Bíblia e encarnada em Jesus de Nazaré é o melhor referencial para o cuidado com o meio ambiente (E), as questões sociais (S) e a governança nas organizações (G); e que acreditam que Só Pela Graça e pela ação do Espírito serão capazes de praticar o que creem.
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Serviço:
Live da série de conversas “O que a Bíblia tem a dizer sobre os ODS?”
Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3) –Saúde e bem-estar
Quando: 9 de abril de 2026, às 20 horas
Onde: Canal Júlio César no YouTube
- Oseas Heckert é engenheiro de pessoas (ele mesmo aqui incluído, em reengenharia permanente), apreendedor da vida abundante, poetrainee. Sazonalmente escreve para assimilar/compartilhar as ideias: http://www.antropogogia.net/aprender.php
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Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Quando a Igreja Abraça a Cidade, Leandro Silva (org.)
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