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Opinião

Quem está preparado para governar: o cientista ou o religioso, o intelectual ou o santo?

Por Paulo Ribeiro
 
Em quem votar: no doutor ou no pastor?

1) A educação é, em certo sentido, um meio de qualificação para governantes; afinal não queremos que eles sejam iletrados. Por outro lado, é uma qualificação deficiente para uma classe dominante porque não garante as qualidades necessárias para governar. Do mesmo modo a ciência tão útil não trata de questões relacionadas a propósito, bondade, importância – pois não são fatos científicos e, portanto, considerados relações imateriais. A ciência precisa até de filosofia para validar seus termos e procedimentos. A ciência é um bom servo, mas pode se tornar um péssimo e perigoso mestre quando usada politicamente por pessoas inescrupulosas. 
 
2) Quanto à religião, a teocracia é o pior de todas as formas de governos possível em mãos humanas. Mas não há perigo ou possibilidade do estabelecimento de uma teocracia no Brasil, mas sim do uso inapropriado da religião em decisões de governo. Os políticos religiosos não reconhecem que a maioria das pessoas não é praticante e, portanto, não se pode esperar que sigam normas religiosas. O Estado é laico e, portanto oficialmente imparcial em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. A religião pode ser uma boa conselheira, mas pode se tornar um péssimo mestre quando usada politicamente por pessoas irresponsáveis e se transformar em tirania.
 
3) Existe algo que seria, digamos, menos intolerável. A combinação de cultura, religião, elitismo, gestão e política, que C.S. Lewis chamou de “carientocracia”. Não o poder dos santos ou dos cientistas-intelectuais, mas o poder dos aristocratas, dos educados, dos apóstolos, dos sensíveis, dos coronéis, dos businessmen, ou qualquer que seja a última palavra em voga. O intelectual-gerente ou o religioso-gerente sobe para as classes dominantes.
 
4) Nessa posição, como membros do sistema político, eles desenvolvem a hipocrisia, o que torna mais difícil a busca desinteressada das qualidades que eles professavam defender. Mas a hipocrisia não é o único mal que exibem. Talvez menos desastrosos, o orgulho e a soberba também estão entre os primeiros males à mostra.
 
5) Um tipo de orgulho pode se desenvolver tanto entre religiosos quanto intelectuais. O primeiro foi adquirido por ter sido bem-sucedido por aquiescência e repressão; o segundo, por repetidas vitórias na vida acadêmica. Para o primeiro podemos aplicar a palavra "presunçoso" e para o segundo, "arrogante". O que incapacita a ambos para serem bons governantes.
 
6) Na maioria das vezes o poder político é, na melhor das hipóteses, um mal necessário: é o menos prejudicial quando seus objetivos e suas sanções são mais modestas e corriqueiras, democratas, socialmente inclusivas, quando afirma nada mais do que ser útil ou conveniente e estabelece objetivos estritamente limitados.
 
7) O que realmente precisamos em nossos governantes: integridade, inteligência prática, consciência social, justiça, sabedoria, busca do bem comum, trabalho árduo, etc. Tais qualidades não são mais prováveis de serem encontradas em pessoas cultas ou mesmo religiosas do que em qualquer outra pessoa.
 
8) Até onde posso entender que a questão de valores nada tem a ver com a diferença entre “cristãos” e "humanistas"? Eu ficaria feliz em acreditar que muitos ateus e agnósticos se importam com as mesmas coisas e valores que defendo. 
 
9) A todos digo: a confiança única na cultura-ciência ou na religião para governar vai ainda causar mais polarização, discórdia, visão reducionista de uma sociedade plural e ineficiências, que resultarão governança débil de um país tão rico e necessitado como o nosso. 
 
10) Enfim, deve ficar claro que o cristianismo não tem, e não professa ter, um programa  politico detalhado. Quando nos diz para alimentar os esfomeados, não nos dá aulas de culinária. Nunca teve a intenção de substituir ou suplantar as artes e as ciências humanas. É antes uma orientação que nos ajudará a encontrar soluções com a perspectiva do permanente, do estável e sustentável, e uma fonte de energia que nos dará força, se nos colocarmos à disposição. E para isso precisamos de senso comum a níveis incomuns.  
 
Nessas eleições vote com base em princípios universais e valores permanentes, com consciência social, firmados no principio que diz: ‘Faça o que você gostaria que fosse feito para você’... Até que possamos amar o nosso próximo como a nós mesmos.

Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao

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