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Opinião

De que Missão Integral estamos falando?

A revista Cristianismo Hoje1 publicou em sua edição nº 52 uma reportagem de capa com o tema “Missão Integral, Missão de Deus”. Entre muitos méritos da equipe de redação da CH, está a possibilidade de ouvir diversos pensadores cristãos sobre o tema, entre eles, René Padilla, Samuel Escobar e Russel Shedd.

Os editores de Cristianismo Hoje cederam gentilmente ao Portal Ultimato os arquivos completos da reportagem, a qual disponibilizamos a partir de agora gratuitamente aqui. Mas para facilitar a leitura, selecionamos algumas declarações dos entrevistados que, entre outras coisas, abordam a essência da Missão Integral e sua legitimidade com o Evangelho de Jesus Cristo. Também publicaremos nos próximos dias mais artigos da reportagem. Confira.

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Missão Integral, Missão de Deus

Solidariedade dos cristãos é cada vez mais urgente em um país em crise



Cristo anunciou o Evangelho, a mensagem da salvação e da remissão dos pecados. Ele veio, portanto, para livrar o homem do pecado e conduzi-lo à vida eterna. Ao mesmo tempo, o Mestre curou doentes, alimentou multidões, restaurou a dignidade de pessoas abandonadas e disse, para quem quisesse ouvir, que o amor a Deus “sobre todas as coisas” deveria ser legitimado pelo amor ao próximo – “Ame-o como a si mesmo”, foi a instrução que deu a um fariseu que o interrogara sobre qual seria o supremo mandamento.
Marcos Simas e Carlos Fernandes, jornalistas da revista Cristianismo Hoje

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As principais formas de sermos conformes à imagem de Cristo é em sua encarnação, em seu serviço, em seu amor, em sua abnegação paciente e em sua missão.
John Stott, teólogo inglês e um dos idealizadores de Lausanne 1974. Autor de mais de 40 livros, entre eles, Crer É Também Pensar, Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos, A Igreja Autêntica e O Discípulo Radical

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Para enfrentar os desafios do presente e do futuro, só temos a Palavra de Deus e a iluminação do Espírito Santo. Se a Igreja for fiel à sua missão, esta só pode ser a missão integral. Aqui na Espanha, as igrejas evangélicas têm respondido ao desafio da imigração e da pobreza com projetos que são claramente ligados à ideia de missão integral – e o fazem na prática, sem entrar em grandes debates. Esta é uma missão que inclui uma presença cristã amorosa e sensivelmente solidária no mundo, transformando-o pela proclamação clara e vigorosa do Evangelho.
Samuel Escobar, missiólogo latino-ameridano e considerado um dos precursores da Missão Integral. Mora há muitos anos na Espanha

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Acredito que Deus é justo e ama a justiça – e a justiça não pode ser rotulada de ser esquerdista ou liberal. Preocupa-me que tantos evangélicos estejam em conformidade com um evangelho individualista, de “outro mundo”, que não esteja interessado em explorar as dimensões mais amplas do Reino de Deus, incluindo a social, a política, a econômica e a ecológica. Se Jesus Cristo é o Senhor de toda a criação e de todos os aspectos da vida humana, temos o direito de excluir tais dimensões da nossa vida cristã?
René Padilla, doutor em Novo Testamento pela Universidade de Manchester, na Inglaterra e um dos precursores da Missão Integral. Autor de, entre outros, O Que É Missão Integral? e Missão Integral: o Reino de Deus e a Igreja

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Entendo que os cristãos devem ter uma atuação social, um compromisso com os sofredores, mas não simplesmente com ações pontuais, como que para um desencargo de consciência; porém, se mobilizando para pressionar o poder público a adotar políticas agressivas na luta contra a desigualdade e a exclusão. A Igreja é uma instituição singular, com uma contribuição e uma mensagem singular. Essa mensagem, se vivida até às suas últimas consequências, necessariamente fará com que a Igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído.
Alderi Souza de Matos, historiador e pastor presbiteriano

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No meu caso específico, cheguei à missão integral através do calvinismo, especialmente pelo trabalho do grande sistematizador do pensamento protestante relativo a ela, que foi o teólogo britânico John Stott. Essa teologia deve ser defendida por todos os cristãos, uma vez que é a resposta que o Evangelho dá ao cenário de desgraça, miséria e violação dos direitos humanos que se vê no Brasil e na América Latina. Como desvincular a evangelização das estruturas de injustiça presentes em nosso continente? E como divorciar a evangelização do seu fruto maior, que é o amor misericordioso que nos leva a cuidar do oprimido?
Antonio Carlos Costa, pastor presbiteriano e ativista social do Rio da Paz

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A base da teologia da missão integral é exatamente um retorno à simples pregação do Evangelho de Cristo como maneira divina de salvação integral. Ela não tem um pensamento progressista e social; antes, o Evangelho de Cristo – especificamente o que vemos nos quatro evangelistas e, sumamente, no sermão do monte – é que é eminentemente transformador de pessoas, contextos e culturas.
Clemir Fernandes, pastor batista, sociólogo e pesquisador do ISER (Instituto de Estudos da Religião)

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Não é papel ou missão da teologia promover revoluções; antes, refletir criticamente a experiência de viver a fé cristã e o seguimento de Jesus no mundo concreto de hoje. Neste sentido, tem a missão de indicar quais são os caminhos e acontecimentos em que podemos perceber a ação de Deus no mundo.
Jung Mo Sung, professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo

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Por ser um movimento vivo, a missão integral dialoga com outras vertentes teológicas presentes na Igreja, assim como com as variadas linhas de pensamento ideológico presentes na sociedade. O mais importante é que ela utiliza as bases bíblicas, ampliando a compreenssão da missiologia da Igreja. Além da proclamação do Evangelho, queremos que o Reino de Deus governe sobre tudo e sobre todos, aqui e agora.
João Diniz, diretor executivo da Visão Mundial no Brasil

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É preciso encarar o Evangelho social, como ficou conhecido na América nas primeiras décadas do século 20, com a devida cautela. Na época, essa abordagem desviou a atenção das denominações históricas da pregação do Evangelho para procurar melhorar a vida dos necessitados. O resultado foi a redução do interesse em missões e na propagação da mensagem salvadora. Acredito que a Bíblia comunica a verdade sobre o futuro. Nesse caso, é muito mais importante levar o perdido para Cristo do que tentar melhorar sua vida na terra. Ações amorosas são muito úteis na comunicação do Evangelho – mas não devemos perder o foco.
Russell Shedd é missionário, doutor em teologia com pós-doutorado em Novo Testamento, escritor e conferencista

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Durante a minha prática pastoral, tenho procurado, junto às igrejas de que participo, realizar evangelização, implantar novas igrejas e praticar obras de misericórdia e justiça, principalmente em comunidades empobrecidas e injustiçadas. Decidimos falar pelo Brasil afora sobre a missão integral. A grande benção é que muitas pessoas e igrejas já a praticam; outras têm sido desafiadas e despertadas. Uma semente foi plantada e, por si, o movimento tem encontrado raízes e espaços em vários lugares.
Carlos Queiroz, pastor da Igreja de Cristo em Fortaleza (CE) e autor de, entre outros, Ser É o Bastante, A Oração Nossa de Cada Dia e Em Busca da Espiritualidade

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Entre os anos 70 e 80 falávamos muito da missão holística – palavra proveniente do inglês cujo significado é o mesmo de integral ou global –, ou seja, a missão ao homem todo. Viajei o Brasil buscando respostas e para aprender com uns poucos que pareciam estar fazendo o que me parecia correto fazer. Treinamos os novos convertidos nessa prática de ver, ser e fazer mais como o exemplo de Jesus.
Neiva Marize Cruvinel Garcia, deã da Escola de Missões do Centro Evangélico de Missões de Viçosa (MG)

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Na minha compreensão, a expressão ‘missão integral’ é simplesmente um esforço para explicitar, ao longo das Escrituras, toda a missão que Deus incumbiu ao seu povo. Claro que isso pode coincidir com aspectos de outras ideologias e crenças – espíritas, católicas, marxistas e até mesmo capitalistas – que, de uma forma ou outra, também pleiteiam o bem estar da pessoa, da sociedade e da criação. Mas uma coincidência parcial, que jamais significa coabitação ou dependência.
Timothy Carriker, missionário norte-americano radicado há décadas no Brasil. É blogueiro do Portal Ultimato e autor de, entre outros, A Visão Missionária na Bíblia, Trabalho, Descanso e Dinheiro e Teologia Bíblica da Criação

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Quero respeitar meus irmãos que pensam diferentemente de mim, mas viver a vida cristã somente para anunciar a Palavra, ou seja, falar de Cristo e não fazer nada pelas necessidades humanas, não é o Evangelho.
Paulo Cappelletti, coordenador da Missão Sal, uma comunidade na periferia de São Paulo que atende moradores de rua, prostitutas, crianças abandonadas e travestis

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O Evangelho é para todas as pessoas e para a pessoa toda – e isso, em todos os lugares e em todos os aspectos da vida humana. Mais e mais igrejas e organizações estão descobrindo esse Jesus, esse Evangelho e esse jeito de ser Igreja, na qual todas as pessoas são bem vindas e a vida inteira é transformada pelo poder do Evangelho. A história da missão nos mostra que, à medida que vamos nos aproximando do outro ao qual somos enviados, mais vemos e testemunhamos da integralidade do Evangelho e da necessidade de que a nossa missão seja integral.

A Igreja não pode ser mero reflexo da sociedade, mas precisa ser um agente de transformação da mesma. E o chamado para o exercício desta vocação é mister nesta hora. A Igreja Evangélica precisa ser… evangélica. Ela precisa se converter a Jesus Cristo, e isso significa ouvir e submeter-se à sua Palavra e aprender com ele a denunciar a injustiça, a suspeitar do poder do status quo, a servir ao outro – especialmente ao pobre, ao pequeno e ao vulnerável – e abraçar a simplicidade de vida vivida por ele. É simples assim e é radical assim.
Valdir Steuernagel, pastor luterano, colunista da revista Ultimato, vice-presidente da Visão Mundial no Brasil e membro da Diretoria internacional da Aliança Evangélica Mundial. É doutor em Missiologia pela Escola Luterana de Teologia de Chicago (EUA)

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Neste cenário pós-moderno, a Missão integral surge como resposta bíblica e profética aos anseios humanos. Está inserida na práxis da teologia, isto é, reflexões teológicas sobre a ação da Igreja, como propagadora do Evangelho, no cotidiano da sociedade em que está incrustada.

A Missão integral é ortodoxa, sustentando os paradigmas histórico-bíblicos da fé protestante; porém, ampliando a compreensão missiológica da Igreja como agência da Missio Dei, uma vez que toda a iniciativa é do Altíssimo Trino Deus.

O referencial basilar da Missão integral é a doutrina da presença (Lucas 17.21) e da iminência do Reino de Deus, onde o Reino é compreendido como o governo do Ungido pela implantação da sua justificação e justiça. A Igreja, então, se vê, no cotidiano, como anunciadora da justificação e sinalizadora da presença e do princípio do Reino de Deus, pela busca por fazer manifesto e aplicado o conceito judaico-cristão de justiça. A priorização do pobre não é vista como uma opção, mas, como demanda do Cristo, que apresentou a pregação do Evangelho aos pobres como uma de suas credenciais messiânicas, conforme Mateus 11.5.
Ariovaldo Ramos é pastor, teólogo e conferencista. Colunista da revista Ultimato e autor de, entre outros, Pare de Conjugar o Verbo Sofrer

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Leia a reportagem completa a seguir:

 


Nota:

Fundada no Brasil em 10 de outubro de 2007, Cristianismo Hoje é uma publicação cristã, evangélica, nacional e independente, que tem como objetivo informar, encorajar, unir e contribuir para o desenvolvimento dos cristãos brasileiros, sempre comunicando com isenção e profundidade os fatos ligados a este segmento religioso. A revista tem uma parceria com o grupo norte-americano Christianity Today International, fundado por Billy Graham no ano de 1956, que é um dos mais tradicionais e importantes grupos de mídia cristã do mundo, com 4 revistas impressas, 5 digitais e mais de 40 sites e blogs. Através da publicação de reportagens, notícias, artigos e colunas produzidos no Brasil e no exterior, os textos da revista primam pela clareza, simplicidade e profundidade, dando espaço a imagens (ilustrações ou fotos) que facilitem a compreensão do leitor.

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