Por Escrito
27 de fevereiro de 2026- Visualizações: 1095
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
Cada carta um nome, uma história, alguém amado por Deus
Projeto Grão de Mostarda reúne quase 200 missionários e alcança mais de 250 unidades prisionais
Por Márcia Mendes
O Projeto Grão de Mostarda nasceu há quase 11 anos, no dia 22 de maio, quando eu orava pedindo direção a Deus para servir em uma nova igreja para a qual minha família se mudaria. Certo dia, de forma muito clara, “ouvi” repetidas vezes: “Lembrai-vos dos presos”. Eu nem me recordava que essa ordem está em Hebreus 13:3: “Lembrai-vos dos presos como se estivésseis presos com eles”.
Sem entender plenamente, pedi explicação ao Senhor. Então, ele trouxe à minha memória um artigo que eu havia lido trinta anos antes, sobre uma senhora que escrevia cartas para presos. Na época, pensei: “Quando eu estiver bem velhinha, vou fazer esse trabalho!”. Eu tinha 50 anos quando fui chamada.
Procurei o gerente nacional de capelania prisional da Junta de Missões Nacionais. Ao ouvir meu desejo, ele respondeu que estava orando para que Deus levantasse alguém para responder às cartas dos que se convertiam nos presídios, pois não conseguia discipular a todos. Recebi 25 cartas e comecei a escrever, sem saber exatamente como, mas na certeza de que Deus me capacitaria.
As respostas começaram a chegar. Em dois anos, eu já havia escrito 785 cartas. Vieram histórias, confissões, dores, perguntas teológicas, relatos de abandono etc. O trabalho cresceu e se tornou impossível para uma só pessoa. Fui orientada a compartilhar o ministério nas igrejas. Preparei uma cartilha com orientações, realizei treinamentos e outros irmãos passaram a escrever também.
Hoje, para a glória de Deus, são quase duas centenas de missionários escrevendo junto comigo, alcançando mais de 250 unidades prisionais. Já escrevi 8.850 cartas, e, juntos, ultrapassamos 20 mil. Cada uma é uma semente plantada, confiando que Deus dá o crescimento.

As cartas são personalizadas e se tornam instrumento de evangelização discipuladora. Enviamos estudos bíblicos, aconselhamento, Bíblias, hinários e literatura cristã (como a edificante revista Ultimato). Temos testemunhos de conversões, reconciliação com Deus e com a família, decisões pelo batismo, formação de líderes nas chamadas “celas-igrejas” (tanto na Palavra como no louvor).
A escrita também tem efeito terapêutico. Para o privado de liberdade, é oportunidade de expressar sentimentos, confessar pecados e organizar pensamentos. Para o missionário, é exercício de serviço, intercessão e uso de dons. E o alcance vai além do destinatário: as cartas passam, não raramente, pelas mãos de policiais penais, colegas de cela e, muitas vezes, chegam às famílias. A Palavra atravessa muros que nós jamais atravessaríamos.
Cada carta carrega um nome, uma história, alguém amado por Deus.
O objetivo do Projeto é oferecer apoio emocional e, principalmente, espiritual, promovendo uma evangelização discipuladora por meio da Palavra de Deus.
Muitos ali não recebem visitas. A carta se torna presença. Pela carta, podem “conversar”, contar seus dias e sentir-se lembrados. Em um ambiente marcado por violência, solidão e abandono, a Palavra de Deus entra como luz.
Deus sabe que somos esquecidos. Por isso nos chama a lembrar daqueles que a sociedade descarta ou desacredita na transformação. Muitos desprezam quem está privado de liberdade, mas não estamos presos apenas pelas misericórdias do Senhor.
Em janeiro de 2025, passei a coordenação do Projeto para outra missionária e capelã prisional da Junta de Missões Nacionais. Sigo, porém, fiel e com alegria ao meu chamado inicial: escrever cartas.
E assim continuarei, enquanto o Senhor permitir.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)
A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Como Anunciar o Evangelho entre os Presos – Teologia e prática da capelania prisional, Antonio Carlos Junior, Cristiano Rezende Franco, Elben César
» O Evangelho – Uma mensagem que transforma a vida, John Stott e Tim Chester
» Casas de Chá - As Mulheres do Distrito da Luz Vermelha, Shine LEE
» Lembrem-se dos que estão na prisão, por Elben César
» O que os cristãos têm a ver com as prisões, por Antonio Carlos Rosa Junior
Por Márcia Mendes
Sem entender plenamente, pedi explicação ao Senhor. Então, ele trouxe à minha memória um artigo que eu havia lido trinta anos antes, sobre uma senhora que escrevia cartas para presos. Na época, pensei: “Quando eu estiver bem velhinha, vou fazer esse trabalho!”. Eu tinha 50 anos quando fui chamada.
Procurei o gerente nacional de capelania prisional da Junta de Missões Nacionais. Ao ouvir meu desejo, ele respondeu que estava orando para que Deus levantasse alguém para responder às cartas dos que se convertiam nos presídios, pois não conseguia discipular a todos. Recebi 25 cartas e comecei a escrever, sem saber exatamente como, mas na certeza de que Deus me capacitaria.
As respostas começaram a chegar. Em dois anos, eu já havia escrito 785 cartas. Vieram histórias, confissões, dores, perguntas teológicas, relatos de abandono etc. O trabalho cresceu e se tornou impossível para uma só pessoa. Fui orientada a compartilhar o ministério nas igrejas. Preparei uma cartilha com orientações, realizei treinamentos e outros irmãos passaram a escrever também.
Hoje, para a glória de Deus, são quase duas centenas de missionários escrevendo junto comigo, alcançando mais de 250 unidades prisionais. Já escrevi 8.850 cartas, e, juntos, ultrapassamos 20 mil. Cada uma é uma semente plantada, confiando que Deus dá o crescimento.

As cartas são personalizadas e se tornam instrumento de evangelização discipuladora. Enviamos estudos bíblicos, aconselhamento, Bíblias, hinários e literatura cristã (como a edificante revista Ultimato). Temos testemunhos de conversões, reconciliação com Deus e com a família, decisões pelo batismo, formação de líderes nas chamadas “celas-igrejas” (tanto na Palavra como no louvor).
A escrita também tem efeito terapêutico. Para o privado de liberdade, é oportunidade de expressar sentimentos, confessar pecados e organizar pensamentos. Para o missionário, é exercício de serviço, intercessão e uso de dons. E o alcance vai além do destinatário: as cartas passam, não raramente, pelas mãos de policiais penais, colegas de cela e, muitas vezes, chegam às famílias. A Palavra atravessa muros que nós jamais atravessaríamos.
Cada carta carrega um nome, uma história, alguém amado por Deus.
O objetivo do Projeto é oferecer apoio emocional e, principalmente, espiritual, promovendo uma evangelização discipuladora por meio da Palavra de Deus.
Muitos ali não recebem visitas. A carta se torna presença. Pela carta, podem “conversar”, contar seus dias e sentir-se lembrados. Em um ambiente marcado por violência, solidão e abandono, a Palavra de Deus entra como luz.
Deus sabe que somos esquecidos. Por isso nos chama a lembrar daqueles que a sociedade descarta ou desacredita na transformação. Muitos desprezam quem está privado de liberdade, mas não estamos presos apenas pelas misericórdias do Senhor.
Em janeiro de 2025, passei a coordenação do Projeto para outra missionária e capelã prisional da Junta de Missões Nacionais. Sigo, porém, fiel e com alegria ao meu chamado inicial: escrever cartas.
E assim continuarei, enquanto o Senhor permitir.
- Márcia Mendes, missionária voluntária do Projeto Grão de Mostarda.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Como Anunciar o Evangelho entre os Presos – Teologia e prática da capelania prisional, Antonio Carlos Junior, Cristiano Rezende Franco, Elben César
» O Evangelho – Uma mensagem que transforma a vida, John Stott e Tim Chester
» Casas de Chá - As Mulheres do Distrito da Luz Vermelha, Shine LEE
» Lembrem-se dos que estão na prisão, por Elben César
» O que os cristãos têm a ver com as prisões, por Antonio Carlos Rosa Junior
27 de fevereiro de 2026- Visualizações: 1095
comente!- +A
- -A
-
compartilhar

Leia mais em Por Escrito
Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Assuntos em Últimas
- 500AnosReforma
- Aconteceu Comigo
- Aconteceu há...
- Agenda50anos
- Arte e Cultura
- Biografia e História
- Casamento e Família
- Ciência
- Devocionário
- Espiritualidade
- Estudo Bíblico
- Evangelização e Missões
- Ética e Comportamento
- Igreja e Liderança
- Igreja em ação
- Institucional
- Juventude
- Legado e Louvor
- Meio Ambiente
- Política e Sociedade
- Reportagem
- Resenha
- Sessenta +
- Série Ciência e Fé Cristã
- Teologia e Doutrina
- Testemunho
- Vida Cristã
Revista Ultimato
+ lidos
- Abuso: uma morte por mil cortes
- “Mas por que essa criança não falou antes?”
- Compreendendo a diáspora como dimensão missionária
- Vem aí o Congresso JUVEP 2026
- Rage bait versus perdão e reconciliação
- Dietrich Bonhoeffer em 2026
- Ultimato - uma história possível [no passado e no futuro] com você
- Preparando o coração para as eleições de 2026
- Missão integral centrada no evangelho – em Atos?
- Saúde integral para o bem-estar é tema da próxima live do grupo Ethica, Sola Gratia
(31)3611 8500
(31)99437 0043
A cabra
Julgará com justiça
Bertrand Russel, John Stott e por que (não) sou cristão







