Palavra do leitor
26 de março de 2026- Visualizações: 26
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Guerras, sofrimento e a pergunta que nunca desaparece: onde está Deus?
As recentes tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã reacenderam o temor de uma escalada de violência no cenário internacional. Em meio às notícias de ataques, destruição e sofrimento humano, uma pergunta antiga volta a ecoar na consciência de muitas pessoas: onde está Deus que não intervém no sofrimento humano?
Guerras sempre carregam um peso humano devastador. Morte e destruição deixam pessoas sob medo constante. Diante dessas realidades, não é raro que surja a sensação de que Deus está distante ou indiferente à dor humana. Afinal, se Deus é bom e poderoso, por que permite tanto sofrimento no mundo?
Essa pergunta não é exclusiva da nossa geração. A própria Bíblia registra homens e mulheres de fé que levantaram o mesmo questionamento. Quando os hebreus atravessaram o deserto após saírem do Egito, o povo murmurou contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que nos fizeste subir do Egito para morrermos neste deserto?" (Nm 21.5). Em outros momentos, salmistas e profetas também expressaram perplexidade diante da injustiça e da dor presentes na história humana. Habacuque, por exemplo, perguntou: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?" (Hc 1.2).
Essas vozes bíblicas nos revelam que a fé não ignora o sofrimento, nem silencia as perguntas difíceis. Ao contrário, ela reconhece que as circunstâncias da vida são oriundas de um mundo profundamente marcado por escolhas erradas e por suas consequências.
A fé cristã sempre reconheceu que Deus criou o ser humano com liberdade de arbitrar. Essa liberdade torna possível o amor, a responsabilidade e a vida em comunhão, mas também abre espaço para escolhas destrutivas. Grande parte do sofrimento humano nasce justamente desse uso distorcido da liberdade: violência, injustiça, ambição e conflitos que atravessam gerações.
Em meu livro Deus não se importa comigo, procuro ilustrar essa realidade com uma analogia simples. Imagine que você é um analista de sistemas, encarregado por uma grande empresa de tecnologia para desenvolver um robô altamente avançado, com habilidade para executar tarefas domésticas como lavar, passar, cozinhar e limpar. Contudo, você tem duas opções de programação para esse robô.
Na primeira opção, o robô fará apenas aquilo que foi definido em sua programação — sem erros, sem desvios, totalmente previsível. Já na segunda, você poderá incluir uma inteligência artificial que permitirá que o robô aprenda, se aperfeiçoe e até desenvolva novas funções. Essa liberdade, no entanto, virá acompanhada de riscos: ele poderá falhar, aprender comportamentos inadequados, desviar-se de sua função original e até influenciar outros robôs. Uma vez feita essa escolha, será selado um contrato irrevogável com a empresa: jamais será possível restringir essa inteligência ou limitar suas decisões futuras. O robô será livre para tomar suas próprias decisões — e também para sofrer as consequências delas, que podem incluir até mesmo sua autodestruição.
A analogia é limitada, mas ajuda a compreender um ponto central da fé cristã: Deus criou pessoas com capacidade de exercer seu próprio arbítrio, não seres programados para agir mecanicamente. Essa liberdade, no entanto, traz consigo consequências que frequentemente recaem sobre a própria humanidade.
Diante de guerras e tragédias, a velha pergunta continuará surgindo: Deus está alheio ao sofrimento humano? Ela atravessa gerações e acompanha a própria história da fé. No entanto, talvez seja igualmente necessário perguntar o que a própria humanidade tem feito com a liberdade que recebeu.
Muitas das dores que testemunhamos no mundo não nascem da ausência de Deus, mas do modo como os seres humanos escolhem viver, exercer poder e tratar uns aos outros. Talvez a pergunta mais urgente do nosso tempo não seja apenas onde Deus está em meio ao sofrimento do mundo, mas o que a própria humanidade tem feito com a liberdade que recebeu.
Autor: Roberto Ornellas – pastor, professor de teologia e autor dos livros Deus não se importa comigo e A inconfundível voz do Espírito Santo.
Guerras sempre carregam um peso humano devastador. Morte e destruição deixam pessoas sob medo constante. Diante dessas realidades, não é raro que surja a sensação de que Deus está distante ou indiferente à dor humana. Afinal, se Deus é bom e poderoso, por que permite tanto sofrimento no mundo?
Essa pergunta não é exclusiva da nossa geração. A própria Bíblia registra homens e mulheres de fé que levantaram o mesmo questionamento. Quando os hebreus atravessaram o deserto após saírem do Egito, o povo murmurou contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que nos fizeste subir do Egito para morrermos neste deserto?" (Nm 21.5). Em outros momentos, salmistas e profetas também expressaram perplexidade diante da injustiça e da dor presentes na história humana. Habacuque, por exemplo, perguntou: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?" (Hc 1.2).
Essas vozes bíblicas nos revelam que a fé não ignora o sofrimento, nem silencia as perguntas difíceis. Ao contrário, ela reconhece que as circunstâncias da vida são oriundas de um mundo profundamente marcado por escolhas erradas e por suas consequências.
A fé cristã sempre reconheceu que Deus criou o ser humano com liberdade de arbitrar. Essa liberdade torna possível o amor, a responsabilidade e a vida em comunhão, mas também abre espaço para escolhas destrutivas. Grande parte do sofrimento humano nasce justamente desse uso distorcido da liberdade: violência, injustiça, ambição e conflitos que atravessam gerações.
Em meu livro Deus não se importa comigo, procuro ilustrar essa realidade com uma analogia simples. Imagine que você é um analista de sistemas, encarregado por uma grande empresa de tecnologia para desenvolver um robô altamente avançado, com habilidade para executar tarefas domésticas como lavar, passar, cozinhar e limpar. Contudo, você tem duas opções de programação para esse robô.
Na primeira opção, o robô fará apenas aquilo que foi definido em sua programação — sem erros, sem desvios, totalmente previsível. Já na segunda, você poderá incluir uma inteligência artificial que permitirá que o robô aprenda, se aperfeiçoe e até desenvolva novas funções. Essa liberdade, no entanto, virá acompanhada de riscos: ele poderá falhar, aprender comportamentos inadequados, desviar-se de sua função original e até influenciar outros robôs. Uma vez feita essa escolha, será selado um contrato irrevogável com a empresa: jamais será possível restringir essa inteligência ou limitar suas decisões futuras. O robô será livre para tomar suas próprias decisões — e também para sofrer as consequências delas, que podem incluir até mesmo sua autodestruição.
A analogia é limitada, mas ajuda a compreender um ponto central da fé cristã: Deus criou pessoas com capacidade de exercer seu próprio arbítrio, não seres programados para agir mecanicamente. Essa liberdade, no entanto, traz consigo consequências que frequentemente recaem sobre a própria humanidade.
Diante de guerras e tragédias, a velha pergunta continuará surgindo: Deus está alheio ao sofrimento humano? Ela atravessa gerações e acompanha a própria história da fé. No entanto, talvez seja igualmente necessário perguntar o que a própria humanidade tem feito com a liberdade que recebeu.
Muitas das dores que testemunhamos no mundo não nascem da ausência de Deus, mas do modo como os seres humanos escolhem viver, exercer poder e tratar uns aos outros. Talvez a pergunta mais urgente do nosso tempo não seja apenas onde Deus está em meio ao sofrimento do mundo, mas o que a própria humanidade tem feito com a liberdade que recebeu.
Autor: Roberto Ornellas – pastor, professor de teologia e autor dos livros Deus não se importa comigo e A inconfundível voz do Espírito Santo.
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dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
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