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Caminhos desencaminhados para a missão integral

Cerca de 250 pessoas participaram da Consulta Nacional da Fraternidade Latino-Americana – Brasil, nos dias 4, 5 e 6 de junho, na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Há tempos a fraternidade não via uma consulta com tanta gente e de tantos lugares.

O tema principal foi “Caminhos, Descaminhos e Novos Desafios para a Teologia da Missão Integral e Movimento de Lausanne”. Dois sentimentos se misturavam nas falas dos preletores: reconhecimento da importância desta teologia como marco teológico e histórico, e insatisfação por não vê-la tão bem compreendida e praticada na realidade das igrejas locais.

Olhares para o passado
Os olhares para o passado do bispo anglicano Robinson Cavalcanti (Recife, PE) e dos pastores Key Yuasa (Curitiba, PR) e Carlos Queiroz (Fortaleza, CE) relembraram a complexidade do contexto em que a teologia da missão integral foi gerada. Robinson fez um apanhado histórico do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, realizado em 1974 na cidade suíça de Lausanne. “O Congresso de Lausanne foi um evento de evangélicos (evangelicais), descolados dos fundamentalistas, em discordância com os liberais, procurando responder aos desafios seculares da conjuntura, e, em unidade, reafirmar o imperativo missionário da Igreja”, disse ele. Robinson também afirmou que o Pacto de Lausanne, elaborado no Congresso de 1974, tem sido considerado, ao lado do Credo Niceno e da Confissão de Westminster, como um dos três mais importantes documentos confessionais da história do cristianismo, mas que no Brasil o evento não foi tão bem-vindo: “Aqui, as reações não foram entusiásticas. O congresso foi considerado muito avançado para os conservadores e muito tímido para os teologicamente mais à esquerda. Os ecos foram, de certo modo, abafados”.

Key Yuasa fez uma retrospectiva do Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE) de 1983: “O meu sentimento sobre congresso de 1983 foi que nós experimentamos a 'primavera'. Percebemos que em todos os quadrantes do Brasil a igreja evangélica tinha dons maravilhosos e pessoas cooperando umas com as outras. Foi uma luz, um momento fugaz, mas nunca esquecido. Uma visão inspiradora para o ensino e a prática da missão”. Key afirmou que o CBE foi um congresso com representação equilibrada e significativa de todas as regiões do Brasil. “Talvez tenha sido a reunião mais representativa na história do Brasil”, ele disse. Key lembrou que era o ano das “Diretas Já” e que os analfabetos só teriam o direito do voto com a Constituição de 1988.

Carlos Queiroz relatou sobre os Congressos Nordestinos de Evangelização: “O primeiro CNE foi desdobramento do CBE. E, por sua vez, influenciou muitas igrejas”. Ele lembrou que a presença feminina nas plenárias e a participação de jovens, entre outros, sinalizaram gestos de reconciliação. Já o segundo CNE teve uma representação pequena.

Em busca de caminhos
Para o teólogo e professor Ronaldo Cavalcante, a igreja evangélica brasileira sofre de uma anomalia da identidade: “Não sabemos quem somos”. Ele sugere que a mensagem da missão integral seja retomada de forma programática nos diversos núcleos da FTL, com concentração em pelo menos três grandes áreas de reflexão:

1) a missão integral propriamente dita;
2) identidade protestante e espiritualidade cristã;
3) cristianismo, evangelho, igreja e cultura brasileira.

Partindo de um ponto de vista pastoral, Ed René Kivitz, pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo, acha que “precisamos libertar o conceito de missão integral da mera relação entre evangelização e responsabilidade social”. Para Key Yuasa, “o pacto fala de missão integral, mas não só isso. Ele é um agiornamento, uma reorganização do pensamento, de sentido. Tem uma posição eclesiológica muito séria, apostolicidade, catolicidade da igreja”.

Samuel Scheffler, pastor de jovens da Igreja Luterana em Curitiba (PR), afirmou que a eclesiologia da igreja, pautada sob a proposta da missão integral, ainda carece de mais profundidade teológica e prática contextualizada na igreja brasileira de hoje.

Para Odja Barros, pastora da Igreja Batista de Pinheiros, em Maceió (AL), a FTL tem um desafio de incluir as mulheres na reflexão sobre o tema. Ela defende novas chaves hermenêuticas para fazerem frente à realidade da missão no mundo. Já o pastor Orivaldo Pimentel, de Natal (RN), acredita que o caminho para a prática de uma missão integral precisa passar pela conversão da cultura e pelo cuidado com o risco da classificação.

Os testemunhos de líderes de igrejas e ministérios atuantes serviram de estímulo para a convicção de que “é possível fazer missão integral na igreja local”. Bebeto Araújo apresentou o trabalho educacional e social realizado na cidade de Itaperussu, parte pobre da região metropolitana de Curitiba (PR). Os pastores Welinton Santos (Maceió, AL) e Paulo César Pereira (Recife, PE) relataram como suas respectivas igrejas estão inseridas no enfrentamento dos problemas de suas comunidades e da sua cidade realizando fóruns de discussão, por exemplo.

Os desafios ainda são muitos, mas a palavra de esperança de Ronaldo Cavalcante é oportuna:

“Em meio à precariedade evangélica do nosso país, ao sentimo-nos fracos e impotentes, podemos rearticular a mensagem da missão integral. E nesse momento de ausência é que a fé tem mais sentido”.

A Consulta da FTL foi encerrada no dia 6 com a celebração da ceia, ministrada por três pastores e uma pastora. Em sua reflexão bíblica, o Rev. Elben César, diretor-redator da Ultimato, defendeu que as palavras de Jesus diante da primeira ceia são dignas de alta confiança, porque “Jesus é 100% homem e 100% Deus”.

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Jornalista, é editor de web da Editora Ultimato e escreve regularmente em seu blog pessoal Fatos e Correlatos. Colabora também na área de comunicação com a Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS). É um dos organizadores de Uma Criança os Guiará e do e-book Vocação e Juventude: a fascinante jornada entre o ser e o fazer.
  • Textos publicados: 36 [ver]

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