Por Escrito
01 de abril de 2026- Visualizações: 604
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O túmulo vazio
Britus, assessor de imprensa do governo de Pôncio Pilatos, e Lucas, médico e historiador, dão versões contraditórias da notícia do desaparecimento do corpo de Jesus
Por Elben César
Quando o sol se levantou no primeiro dia da semana após a crucificação de Jesus Cristo, o túmulo de José de Arimatéia, onde o sepultaram, estava vazio. A notícia correu célere em toda a Jerusalém. Havia duas versões distintas, uma oficial e outra particular. Esta dizia que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. Aquela afirmava que o corpo de Jesus havia sido roubado por seus discípulos com o propósito de simular uma ressureição.
Ultimato tem o prazer de colocar ao alcance de seus leitores ambas as versões. A primeira é assinada por um certo Britus, porta-voz da assessoria de imprensa do governo de Pôncio Pilatos. A segunda é assinada por um médico e historiador chamado Lucas. É importante que o leitor tome uma posição inequívoca e responsável sobre a controvérsia. De nossa parte, há muito tempo, com intensa alegria e igual entusiasmo, por convicção e experiência, temos rejeitado peremptoriamente a versão oficial e nos apegado à outra versão, tão simples quanto verdadeira.
Discípulos de Jesus roubam seu corpo e anuncam uma ressurreição que não houve
A respeito do desaparecimento hoje pela manhã do corpo do judeu que foi crucificado há três dias, a assessoria de impressa do governo de Pôncio Pilatos esclarece:
1. Este Jesus, de 33 anos, que se dizia filho de Deus e rei dos judeus, foi preso pela guarda do templo no jardim do Getsêmani, altas horas da noite de quinta para sexta-feira.
2. Julgado e condenado à morte pelo Sinédrio e por Sua Excelência o Governador Pôncio Pilatos, este fazedor de milagres e explorador da ingenuidade pública foi açoitado e crucificado às 9 horas da manhã de sexta-feira.
3. Por volta das 15 horas, o condenado deu um grande brado e morreu. A morte foi atestada publicamente por um soldado que lhe abriu o ventre com uma lança, do qual saiu sangue e água.
4. Atendendo ao pedido de José de Arimatéia, membro do Sinédrio, o Governador mandou que lhe entregassem o corpo de Jesus para ser sepultado em seu próprio túmulo.
5. Naquele mesmo dia, José e Nicodemos, outro membro do Sinédrio, tiraram o corpo de Jesus do madeiro, envolveram-no em lençóis já impregnados de um composto de mirra e aloés, e o sepultaram em um túmulo novo, aberto em rocha, situado num jardim próximo ao Gólgota, rolando sobre ele uma grande pedra.
6. No dia seguinte, isto é, ontem mesmo, o Governador recebeu em audiência os principais sacerdotes e os fariseus, que lhe informaram sobre a anunciada ressureição de Jesus. Para evitar um embuste ainda maior, Sua Excelência, o Governador, achou por bem acatar a sugestão dos sacerdotes e cedeu-lhes uma escolta para guardar dia e noite o túmulo, impedindo assim que houvesse qualquer violação da sepultura por parte dos discípulos do controvertido galileu.
7. Os próprios sacerdotes conduziram a escolta ao sepulcro, selaram a pedra colocada à sua entrada e se retiraram, deixando ali os guardas.
8. Aproveitando grave e imperdoável descuido da guarda, que não resistiu ao sono e adormeceu junto ao túmulo, os discípulos de Jesus foram ao sepulcro e roubaram o cadáver, espalhando em seguida a notícia de que ele havia ressuscitado dentre os mortos como anunciara.
9. Sua Excelência, o Governador Pôncio Pilatos, já tomou as providências de direito para punir todos os membros da escolta e apresentou suas desculpas aos principais sacerdotes pela desagradável ocorrência.
10. Para que este embuste não se propague por toda a cidade e não se estenda por toda a Judeia, Samaria e até aos confins da terra a falsa notícia da ressurreição de Jesus, Sua Excelência, o Governador, ordenou a redação e a maior divulgação possível deste comunicado oficial assinado por mim, secretário de imprensa: Britus.
Jesus ressuscitou contra todas as expectativas
A propósito do sumiço do corpo de Jesus Cristo do sepulcro de José de Arimatéia no primeiro dia da semana, devo esclarecer o seguinte:
1. Não houve roubo algum. Jesus de fato ressuscitou dentre os mortos, sendo ainda escuro. Os guardas viram a remoção da pedra que fechava a entrada do túmulo e viram também o túmulo vazio. Encheram-se de pavor e desmaiaram.
2. Pouco depois, alguns deles recobraram o ânimo e foram à cidade para relatar a ocorrência aos principais sacerdotes. Os demais permaneceram junto ao sepulcro.
3. Os sacerdotes, depois de se reunir com outros líderes, deram grande soma de dinheiro aos guardas, obrigando-os a explicar o desaparecimento do corpo de Jesus com a confissão de que dormiram em serviço e, enquanto isto, o corpo foi roubado por seus discípulos durante a noite.

4. Os guardas nunca foram punidos por “não terem resistido ao sono”. Os sacerdotes se comprometeram a aliciar também o Governador quando fosse necessário, garantindo assim a segurança da guarda.
5. A desculpa apresentada pelos guardas era sem consistência e não resiste a uma análise cuidadosa. A guarda não dormiria em serviço por três razões muito simples: 1) Porque existe forte noção de disciplina entre militares. O centurião, cujo servo Jesus curou, deixou isto claro quando disse: “Eu também sou homem sujeito a autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai, e a outro, vem, e ele vem”. 2) Porque os guardas estão acostumados a controlar o sono por força de sua profissão, assim como o médico é muito mais capaz de perder uma noite de sono do que um trabalhador braçal. 3) Porque era uma escolta e não dois ou três soldados. É muito mais fácil vencer o sono quando se trata de um grupo. Ademais a escolta poderia se revezar na guarda do túmulo.
6. Se a versão do roubo do corpo fosse verdadeira, duas coisas permanecem sem explicação: 1) Por que os guardas não acordaram quando os discípulos removeram a grande pedra colocada à entrada do túmulo? 2) Por que os discípulos não levaram com o cadáver de Jesus os lençóis que o envolviam e o lenço que estava sobre a sua cabeça? (Estas peças permaneceram no túmulo vazio.)
7. Se o anúncio da ressurreição de Jesus se baseasse numa fraude – o roubo de seu corpo –, os discípulos jamais experimentariam a transformação que se verificou entre eles. Estes homens estão transtornando o mundo porque vivem a ressurreição do Senhor e a proclamam com profunda convicção – embora não tivessem predisposição alguma para esperar a ressurreição e com muita relutância a aceitassem.
8. Depois de ressuscitado, Jesus foi visto por centenas de pessoas, em lugares e circunstâncias diferentes. Numa ocasião ele apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria ainda vive. Eu entrevistei dezenas deles no afã de colher dados e me certificar de tudo para escrever o Evangelho e o livro de Atos dos Apóstolos.
9. Duas testemunhas da ressurreição contaram-me que só reconheceram que era Jesus o estranho que eles hospedavam, quando na hora da refeição, ele tomou a liderança, apanhou o pão, abençoou-o e o repartiu entre eles, repetindo nos gestos e no tom de voz o que fizera no Cenáculo quatro dias antes.
10. Depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, posso declarar que Jesus se apresentou vivo com muitas provas incontestáveis, depois de morto e sepultado, e apareceu aos discípulos durante quarenta dias, até ser assunto aos céus, de onde há de vir em ocasião oportuna. Este testemunho é verdadeiro e leva minha assinatura: Lucas.
Artigo publicado originalmente na edição 165, de junho de 1985, de Ultimato.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)
A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Os Últimos dias de Jesus – O que de fato aconteceu?, N. T. Wright; Craig A. Evans
» As Controvérsias de Jesus, John Stott
» A Pessoa Mais Importante do Mundo, Elben César
Por Elben César
Quando o sol se levantou no primeiro dia da semana após a crucificação de Jesus Cristo, o túmulo de José de Arimatéia, onde o sepultaram, estava vazio. A notícia correu célere em toda a Jerusalém. Havia duas versões distintas, uma oficial e outra particular. Esta dizia que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. Aquela afirmava que o corpo de Jesus havia sido roubado por seus discípulos com o propósito de simular uma ressureição.
Ultimato tem o prazer de colocar ao alcance de seus leitores ambas as versões. A primeira é assinada por um certo Britus, porta-voz da assessoria de imprensa do governo de Pôncio Pilatos. A segunda é assinada por um médico e historiador chamado Lucas. É importante que o leitor tome uma posição inequívoca e responsável sobre a controvérsia. De nossa parte, há muito tempo, com intensa alegria e igual entusiasmo, por convicção e experiência, temos rejeitado peremptoriamente a versão oficial e nos apegado à outra versão, tão simples quanto verdadeira.
Discípulos de Jesus roubam seu corpo e anuncam uma ressurreição que não houve
A respeito do desaparecimento hoje pela manhã do corpo do judeu que foi crucificado há três dias, a assessoria de impressa do governo de Pôncio Pilatos esclarece:1. Este Jesus, de 33 anos, que se dizia filho de Deus e rei dos judeus, foi preso pela guarda do templo no jardim do Getsêmani, altas horas da noite de quinta para sexta-feira.
2. Julgado e condenado à morte pelo Sinédrio e por Sua Excelência o Governador Pôncio Pilatos, este fazedor de milagres e explorador da ingenuidade pública foi açoitado e crucificado às 9 horas da manhã de sexta-feira.
3. Por volta das 15 horas, o condenado deu um grande brado e morreu. A morte foi atestada publicamente por um soldado que lhe abriu o ventre com uma lança, do qual saiu sangue e água.
4. Atendendo ao pedido de José de Arimatéia, membro do Sinédrio, o Governador mandou que lhe entregassem o corpo de Jesus para ser sepultado em seu próprio túmulo.
5. Naquele mesmo dia, José e Nicodemos, outro membro do Sinédrio, tiraram o corpo de Jesus do madeiro, envolveram-no em lençóis já impregnados de um composto de mirra e aloés, e o sepultaram em um túmulo novo, aberto em rocha, situado num jardim próximo ao Gólgota, rolando sobre ele uma grande pedra.
6. No dia seguinte, isto é, ontem mesmo, o Governador recebeu em audiência os principais sacerdotes e os fariseus, que lhe informaram sobre a anunciada ressureição de Jesus. Para evitar um embuste ainda maior, Sua Excelência, o Governador, achou por bem acatar a sugestão dos sacerdotes e cedeu-lhes uma escolta para guardar dia e noite o túmulo, impedindo assim que houvesse qualquer violação da sepultura por parte dos discípulos do controvertido galileu.
7. Os próprios sacerdotes conduziram a escolta ao sepulcro, selaram a pedra colocada à sua entrada e se retiraram, deixando ali os guardas.
8. Aproveitando grave e imperdoável descuido da guarda, que não resistiu ao sono e adormeceu junto ao túmulo, os discípulos de Jesus foram ao sepulcro e roubaram o cadáver, espalhando em seguida a notícia de que ele havia ressuscitado dentre os mortos como anunciara.
9. Sua Excelência, o Governador Pôncio Pilatos, já tomou as providências de direito para punir todos os membros da escolta e apresentou suas desculpas aos principais sacerdotes pela desagradável ocorrência.
10. Para que este embuste não se propague por toda a cidade e não se estenda por toda a Judeia, Samaria e até aos confins da terra a falsa notícia da ressurreição de Jesus, Sua Excelência, o Governador, ordenou a redação e a maior divulgação possível deste comunicado oficial assinado por mim, secretário de imprensa: Britus.
Jesus ressuscitou contra todas as expectativas
A propósito do sumiço do corpo de Jesus Cristo do sepulcro de José de Arimatéia no primeiro dia da semana, devo esclarecer o seguinte:
1. Não houve roubo algum. Jesus de fato ressuscitou dentre os mortos, sendo ainda escuro. Os guardas viram a remoção da pedra que fechava a entrada do túmulo e viram também o túmulo vazio. Encheram-se de pavor e desmaiaram.
2. Pouco depois, alguns deles recobraram o ânimo e foram à cidade para relatar a ocorrência aos principais sacerdotes. Os demais permaneceram junto ao sepulcro.
3. Os sacerdotes, depois de se reunir com outros líderes, deram grande soma de dinheiro aos guardas, obrigando-os a explicar o desaparecimento do corpo de Jesus com a confissão de que dormiram em serviço e, enquanto isto, o corpo foi roubado por seus discípulos durante a noite.

4. Os guardas nunca foram punidos por “não terem resistido ao sono”. Os sacerdotes se comprometeram a aliciar também o Governador quando fosse necessário, garantindo assim a segurança da guarda.
5. A desculpa apresentada pelos guardas era sem consistência e não resiste a uma análise cuidadosa. A guarda não dormiria em serviço por três razões muito simples: 1) Porque existe forte noção de disciplina entre militares. O centurião, cujo servo Jesus curou, deixou isto claro quando disse: “Eu também sou homem sujeito a autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai, e a outro, vem, e ele vem”. 2) Porque os guardas estão acostumados a controlar o sono por força de sua profissão, assim como o médico é muito mais capaz de perder uma noite de sono do que um trabalhador braçal. 3) Porque era uma escolta e não dois ou três soldados. É muito mais fácil vencer o sono quando se trata de um grupo. Ademais a escolta poderia se revezar na guarda do túmulo.
6. Se a versão do roubo do corpo fosse verdadeira, duas coisas permanecem sem explicação: 1) Por que os guardas não acordaram quando os discípulos removeram a grande pedra colocada à entrada do túmulo? 2) Por que os discípulos não levaram com o cadáver de Jesus os lençóis que o envolviam e o lenço que estava sobre a sua cabeça? (Estas peças permaneceram no túmulo vazio.)
7. Se o anúncio da ressurreição de Jesus se baseasse numa fraude – o roubo de seu corpo –, os discípulos jamais experimentariam a transformação que se verificou entre eles. Estes homens estão transtornando o mundo porque vivem a ressurreição do Senhor e a proclamam com profunda convicção – embora não tivessem predisposição alguma para esperar a ressurreição e com muita relutância a aceitassem.
8. Depois de ressuscitado, Jesus foi visto por centenas de pessoas, em lugares e circunstâncias diferentes. Numa ocasião ele apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria ainda vive. Eu entrevistei dezenas deles no afã de colher dados e me certificar de tudo para escrever o Evangelho e o livro de Atos dos Apóstolos.
9. Duas testemunhas da ressurreição contaram-me que só reconheceram que era Jesus o estranho que eles hospedavam, quando na hora da refeição, ele tomou a liderança, apanhou o pão, abençoou-o e o repartiu entre eles, repetindo nos gestos e no tom de voz o que fizera no Cenáculo quatro dias antes.
10. Depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, posso declarar que Jesus se apresentou vivo com muitas provas incontestáveis, depois de morto e sepultado, e apareceu aos discípulos durante quarenta dias, até ser assunto aos céus, de onde há de vir em ocasião oportuna. Este testemunho é verdadeiro e leva minha assinatura: Lucas.
Artigo publicado originalmente na edição 165, de junho de 1985, de Ultimato.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Os Últimos dias de Jesus – O que de fato aconteceu?, N. T. Wright; Craig A. Evans
» As Controvérsias de Jesus, John Stott
» A Pessoa Mais Importante do Mundo, Elben César
Elben Magalhães Lenz César foi o fundador da Editora Ultimato e redator da revista Ultimato até a sua morte, em outubro de 2016. Fundador do Centro Evangélico de Missões e pastor emérito da Igreja Presbiteriana de Viçosa (IPV), é autor de, entre outros, Por Que (Sempre) Faço o Que Não Quero?, Refeições Diárias com Jesus, Mochila nas Costas e Diário na Mão, Para (Melhor) Enfrentar o Sofrimento, Conversas com Lutero, Refeições Diárias com os Profetas Menores, A Pessoa Mais Importante do Mundo, História da Evangelização do Brasil e Práticas Devocionais. Foi casado por sessenta anos com Djanira Momesso César, com quem teve cinco filhas, dez netos e quatro bisnetos.
- Textos publicados: 119 [ver]
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