Opinião
20 de maio de 2026- Visualizações: 1155
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Louvor, uma resposta bíblico-teológica sobre a adoração comunitária
Existe uma forma correta de adorar a Deus?
Por Keevyn B. O. Almeida
Na metáfora de David Foster Wallace, dois peixes jovens se encontram com um peixe mais velho, que diz: “Bom dia, rapazes. Como está a água?”. Eles seguem nadando até que um pergunta ao outro: “Que diabos é água?”. Essa é uma bela metáfora para descrever práticas nas quais estamos tão imersos que já não estamos conscientes de sua essência e impacto.
Por tempos me identifiquei com os peixes jovens quando o assunto era o culto comunitário. Por que a adoração comunitária acontece da forma como conhecemos? Existe uma forma correta de adorar a Deus? Qual o nosso papel na adoração? Como ela me impacta? Eram algumas das perguntas que me ocupavam. Entre a beleza do que cremos e a rotina do que fazemos, talvez estejamos como os peixes da metáfora: imersos na “água”, mas sem perceber o que ela é.
Há alguns anos, ao ter contato mais profundo com a teologia bíblica, fui levado às respostas para muitas dessas perguntas. O impacto de enxergar as Escrituras como uma única história, coerente, centrada em Deus, e que revela sua intenção desde a criação até a consumação mudou grande parte da minha perspectiva sobre adoração. A adoração comunitária tem um telos, isto é, um objetivo. O nosso Deus não nos comanda a executar atividades robotizadas entre o sentar e o levantar em um culto; ele quer nos transformar enquanto adoramos com seu povo.
É nesse horizonte que Louvor – Análise teológica e prática1, livro com colaboração de D. A. Carson e Timothy Keller, oferece uma contribuição valiosa. Carson se utiliza da teologia bíblica para entender como a adoração percorre toda a narrativa das Escrituras, mostrando como o culto cristão nasce da iniciativa de Deus, é moldado pela revelação e encontra seu centro em Cristo. Não se trata de um manual litúrgico, mas de uma reorientação do olhar. Carson propõe uma leitura bíblico-teológica da adoração cristã, ajudando-nos a enxergar o culto não como invenção recente, mas como parte de uma história maior, coerente e centrada em Deus.
Uma das contribuições de Carson é desmontar a ideia de que a adoração se limita ao momento do culto. Há um movimento cíclico que se inicia na adoração comunitária (adoração reunida) e se estende para a adoração espalhada, quando o povo de Deus assume os papéis fora da comunidade da fé. A adoração reunida impulsiona e molda a adoração espalhada e vice-versa. Por isso, torna-se incoerente imaginar que nos reunimos aos domingos para fazer algo que não tem correspondência no restante da semana. O culto coletivo, nesse sentido, não inaugura a adoração — ele a expressa, a aprofunda e a orienta. Isso desloca o foco: mais do que participar de um evento, somos chamados a viver uma vida que responde continuamente a quem Deus é.
Por meio da adoração, a igreja de Cristo torna visível o evangelho ao mundo. Domingo após domingo, semana após semana, somos como atores que encenam o evangelho ao mundo, seja na adoração reunida, seja espalhada. O mundo, por sua vez, é o espectador da nossa adoração.
Como conclui Carson, “[...] a adoração, devidamente compreendida, molda quem nós somos”. Somos treinados e formados aos domingos para adorar a Deus de segunda a sábado. Que liberdade é saber que Deus não nos chama a tarefas robotizadas! Que alívio é pertencer a um Deus que nos quer por inteiro e não apenas aos domingos!
E para você? Como está a água?
Nota:
1. Carson, D. A. e Keller, Timothy. Louvor – Análise teológica e prática. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?
Os artigos da edição 419 de Ultimato ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
Clique aqui e saiba mais. Para assinar, visite a loja Ultimato aqui.
Saiba mais:
» Fé Ritualizada – Ensaios em Filosofia da Liturgia, Terence Cuneo
» Louvor, Adoração e Liturgia, Rubem Amorese
» Liturgia: o encontro do passado no presente e no futuro, por Luiz Fernando dos Santos
» Fé ritualizada – liturgia, comunidade e formação, por Davi Bastos
Por Keevyn B. O. Almeida
Na metáfora de David Foster Wallace, dois peixes jovens se encontram com um peixe mais velho, que diz: “Bom dia, rapazes. Como está a água?”. Eles seguem nadando até que um pergunta ao outro: “Que diabos é água?”. Essa é uma bela metáfora para descrever práticas nas quais estamos tão imersos que já não estamos conscientes de sua essência e impacto.Por tempos me identifiquei com os peixes jovens quando o assunto era o culto comunitário. Por que a adoração comunitária acontece da forma como conhecemos? Existe uma forma correta de adorar a Deus? Qual o nosso papel na adoração? Como ela me impacta? Eram algumas das perguntas que me ocupavam. Entre a beleza do que cremos e a rotina do que fazemos, talvez estejamos como os peixes da metáfora: imersos na “água”, mas sem perceber o que ela é.
Há alguns anos, ao ter contato mais profundo com a teologia bíblica, fui levado às respostas para muitas dessas perguntas. O impacto de enxergar as Escrituras como uma única história, coerente, centrada em Deus, e que revela sua intenção desde a criação até a consumação mudou grande parte da minha perspectiva sobre adoração. A adoração comunitária tem um telos, isto é, um objetivo. O nosso Deus não nos comanda a executar atividades robotizadas entre o sentar e o levantar em um culto; ele quer nos transformar enquanto adoramos com seu povo.
É nesse horizonte que Louvor – Análise teológica e prática1, livro com colaboração de D. A. Carson e Timothy Keller, oferece uma contribuição valiosa. Carson se utiliza da teologia bíblica para entender como a adoração percorre toda a narrativa das Escrituras, mostrando como o culto cristão nasce da iniciativa de Deus, é moldado pela revelação e encontra seu centro em Cristo. Não se trata de um manual litúrgico, mas de uma reorientação do olhar. Carson propõe uma leitura bíblico-teológica da adoração cristã, ajudando-nos a enxergar o culto não como invenção recente, mas como parte de uma história maior, coerente e centrada em Deus.
Uma das contribuições de Carson é desmontar a ideia de que a adoração se limita ao momento do culto. Há um movimento cíclico que se inicia na adoração comunitária (adoração reunida) e se estende para a adoração espalhada, quando o povo de Deus assume os papéis fora da comunidade da fé. A adoração reunida impulsiona e molda a adoração espalhada e vice-versa. Por isso, torna-se incoerente imaginar que nos reunimos aos domingos para fazer algo que não tem correspondência no restante da semana. O culto coletivo, nesse sentido, não inaugura a adoração — ele a expressa, a aprofunda e a orienta. Isso desloca o foco: mais do que participar de um evento, somos chamados a viver uma vida que responde continuamente a quem Deus é.
Por meio da adoração, a igreja de Cristo torna visível o evangelho ao mundo. Domingo após domingo, semana após semana, somos como atores que encenam o evangelho ao mundo, seja na adoração reunida, seja espalhada. O mundo, por sua vez, é o espectador da nossa adoração.
Como conclui Carson, “[...] a adoração, devidamente compreendida, molda quem nós somos”. Somos treinados e formados aos domingos para adorar a Deus de segunda a sábado. Que liberdade é saber que Deus não nos chama a tarefas robotizadas! Que alívio é pertencer a um Deus que nos quer por inteiro e não apenas aos domingos!
E para você? Como está a água?
Nota:
1. Carson, D. A. e Keller, Timothy. Louvor – Análise teológica e prática. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.
Imagem: Unsplash.
- Keevyn B. O. Almeida, é engenheiro agrimensor e cartógrafo, mestre em informações espaciais e diretor de cartografia e agrimensura na Prefeitura Municipal de Viçosa, em Minas Gerais.
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?Os artigos da edição 419 de Ultimato ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
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Saiba mais:
» Fé Ritualizada – Ensaios em Filosofia da Liturgia, Terence Cuneo
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