Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Opinião

Hospitalidade sem retorno: recebendo refugiados afegãos “para o Senhor”

Cristo nos amou sem esperar nada em troca; ele simplesmente fez o que era certo

Por Pollyanna Vidal

Em muitos países ao redor do mundo, a migração se tornou um grande tópico de discussão na política e nos jornais. Até abril de 2025, havia em torno de 42,7 milhões de refugiados em todo o mundo.1 Dentre esses, quase seis milhões fugiram do Afeganistão, um país que vive em conflito há mais de 40 anos.2 Apesar da crise humanitária contínua, cada vez mais países têm tornado ainda difícil a permanência de refugiados afegãos. Mas há esperança!

Em 2021, uma jovem brasileira de 18 anos fundou uma organização que mudaria o curso de seu país e de milhares de refugiados afegãos. Panahgah é uma organização cristã dedicada a receber e cuidar daqueles que foram forçados a fugir de seus lares.3 Desde sua origem – em uma resposta simples e espontânea ao comando de Deus de amar ao próximo – Panahgah deu apoio a mais de 1.500 pessoas em sua jornada em direção a segurança e a uma nova vida no Brasil.

Hoje, a organização trabalha em parceria com o governo brasileiro para dar assistência no processo do visto e nos primeiros doze meses de integração no Brasil. Até o final de 2025, Panahgah terá recebido um total de quinhentas pessoas, apenas nesse ano. Igrejas e comunidades locais desempenham um papel vital, abrindo suas portas e corações para receber pessoalmente as famílias, refletindo o amor de Cristo de forma prática e transformadora.

Meu marido e eu somos pastores há vinte e cinco anos e, há treze, começamos a Orvalho, uma igreja em célula em Goiânia, GO. Nosso objetivo é evangelizar pessoas e ensiná-las a ter uma relação pessoal com Cristo. Durante o ano, organizamos discipulados e eventos evangelísticos para alcançar pessoas que ainda não conhecem o amor de Deus.



Foi a parceria com Panahgah que levou nossa igreja a receber cinco famílias de refugiados afegãos em 2021. E, em 2025, nós recebemos mais duas. Inicialmente, abrir as nossas portas para essas famílias foi um misto de celebração e incerteza. Nossa igreja se mobilizou rapidamente – coletando doações, organizando voluntários e atribuindo responsabilidades para apoiar cada família. Nos enchemos de alegria sabendo que estávamos obedecendo ao comando do Senhor de receber estrangeiros e, sem dúvidas, cumprir missões aqui mesmo, em nossa própria terra.

Contudo, com o passar do tempo, desafios começaram a surgir. Encaramos tempos de frustração e desânimo, pois nossas expectativas não se cumpriam – especialmente quando algumas das famílias decidiram deixar o Brasil em busca de outros destinos. Nós esperávamos que essas famílias pudessem entender, através de nossas ações, que Deus os ama. E, oramos para que eles se instalassem em nosso país e se sentissem bem-vindos ao desenvolver um relacionamento tanto com a comunidade brasileira, quanto com a igreja. Então, um dia, o Senhor nos lembrou de uma verdade simples, mas poderosa: "Faça para o Senhor". Imediatamente, nos lembramos de Colossenses 3.23-24: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo”.

Nós entendemos que nossa recompensa vem de Jesus, e que não devemos esperar nada em troca – nem das famílias que servimos, nem de qualquer forma de reconhecimento terreno. Cristo nos amou sem esperar nada em troca; ele simplesmente fez o que era certo. E isso foi o que escolhemos fazer. Os membros da igreja fizeram todo o possível para receber as famílias. Recebemos doações de móveis, utensílios domésticos, roupas de cama, comida, brinquedos para as crianças, roupas e sapatos. Alguns auxiliaram com providências para regularizar seus documentos no Brasil, enquanto outros ajudaram transportando as famílias quando necessário. Também tivemos professores voluntários, que deram aulas de português para adultos e crianças. Além disso, organizamos eventos sociais para receber as famílias refugiadas e fazê-las se sentirem bem-vindas em nossa comunidade.

A primeira família que recebemos se mudou para os Estados Unidos. Hoje, eles vivem com dignidade, suas filhas adolescentes se formaram no ensino médio e nós ainda recebemos mensagens deles, expressando o quanto o nosso apoio impactou suas vidas. Quanto às famílias que ainda estão aqui em Goiânia, todas elas estão totalmente integradas e vivem com dignidade.

Receber famílias afegãs foi um grande desafio, mas, também foi uma oportunidade preciosa de cumprir com o nosso chamado: mostrar Jesus e proclamar o evangelho para pessoas de todas as tribos, línguas e nações. Nossa experiência nos levou a querer receber novas famílias e provê-las com as oportunidades de experenciar o amor de Deus através de nossas ações. Nós realmente acreditamos que todos merecem ter uma vida digna, diferente da vida de perseguição que eles tinham em seu país de origem. Eu sei que não é uma tarefa fácil. Enquanto eu escrevo, acabo de descobrir que outra família que recebemos em Goiânia deixou o país secretamente, sem nos informar. Mas, isso não nos desanima, porque sabemos que, de alguma forma, nós plantamos uma semente nos corações dessas famílias. Mesmo em lugares onde não haja iniciativas como a Panahgah, a igreja pode tomar iniciativa, receber pessoas, migrantes e dá-los a chance de se instalar com dignidade, demostrando que é possível recomeçar e ter esperança. Mesmo se não recebermos nada em troca, devemos fazê-lo para o Senhor, confiando que ele nos recompensará.

Notas
1. unrefugees.org/refugee-facts
2. unrefugees.org/news/afghanistan-refugee-crisis-explained
3. panahgah.org


  • Pollyanna Vidal é pastora e advogada, servindo como co-pastora na Igreja em Célula Orvalho, em Goiânia, GO, junto de seu marido, o pastor Rubens. Juntos eles fundaram a igreja, que enfatiza o crescimento espiritual e a evangelização por meio de células. A combinação de seu treinamento legal com seu chamado pastoral dá a Pollyana uma perspectiva única em liderança, integridade e serviço na igreja local. Ela é motivada por uma visão de enxergar indivíduos e famílias transformados através da fé e de comunidades impactadas pelo evangelho de forma prática e significativa.

Artigo publicado originalmente no site Lausanne. Reproduzido com permissão.

Imagem:
Unsplash.


REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)
A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.

Deus conta com a
generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.

É disso que trata a
edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» A Igreja – Uma comunidade singular de pessoas, John Stott e Tim Chester
» Quando a Igreja Abraça a Cidade, Vários autores
» A “Terra dos Afegãos”, os cristãos perseguidos e a Cidade de Refúgio, por Klênia Fassoni e Ariane Gomes
» Vem aí mais uma edição do Domingo da Igreja Perseguida (DIP), Notícia

Leia mais em Opinião

Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.