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Opinião

O debate sobre religião e ciência -- uma introdução*

A reflexão sobre um mundo em genuíno “vir-a-ser” tem levado alguns teólogos a repensar a relação de Deus com o tempo. Deus não está aprisionado no tempo como as suas criaturas, e certamente deve haver uma dimensão atemporal na natureza divina. A teologia clássica considerou isto a história toda, e pintou Deus como totalmente fora do tempo, olhando “para baixo”, por assim dizer, com a história cósmica inteira exibida sob o seu vislumbre, “tudo de uma vez”. Mas o Deus da Bíblia é apresentado como aquele que continuamente se engaja na história, e isto é justamente o que poderia se esperar do Criador de um mundo com tal fertilidade em constante desdobramento.

Milagre
O tema do milagre frequentemente emerge no debate entre ciência e religião. É uma questão que o cristianismo tem de considerar com muita seriedade, pois no coração de sua própria narrativa teológica está a ressurreição de Cristo, a crença de que Jesus foi levantado dentre os mortos para uma vida de glória infindável.

Reivindicações do miraculoso vão além de um conceito do Criador atuando no veio aberto da natureza, pois requerem a crença de que Deus algumas vezes age de formas únicas. A ciência supõe que o que usualmente acontece é o que sempre acontece; porém, esta hipótese não pode ser a base para excluir a possibilidade de eventos únicos e sem precedentes. Contudo, milagres criam um problema teológico, pois não se pode presumir que Deus atue como uma espécie de mago celestial, caprichosamente fazendo um uso exibicionista do seu poder divino. Se milagres acontecem, tem de ser porque circunstâncias únicas os tornam uma possibilidade racional e consistente, eventos nos quais aspectos mais profundos do caráter divino se manifestam além do que normalmente é revelado. No Evangelho de João, milagres são denominados “sinais” exatamente neste sentido revelatório.

A presença do miraculoso deve ser associada a um novo regime na história da criação, muito similar à forma como a exploração de um novo regime no mundo físico pode manifestar propriedades totalmente inesperadas (como, por exemplo, a dualidade onda/partícula da luz). Os cientistas não levantam a pergunta “É razoável?” instintivamente, como se soubessem por antecedência a forma que a racionalidade deve tomar. O mundo físico tem demasiadas vezes se provado surpreendente para que tal pergunta seja apropriada. Em vez disso eles perguntam: “O que o faz pensar que este seja o caso?”, uma inquirição ao mesmo tempo mais aberta e, por sua insistência em evidências, mais exigente. A abordagem à questão do milagre no debate de ciência e religião deve seguir linhas similares, não presumindo a sua impossibilidade a priori, mas exigindo a fundamentação adequada antes de aceitar a crença.

Notas
1. Para mais informações sobre o Princípio Antrópico, ver o Faraday Paper 3: “O Princípio antrópico e o debate de ciência e religião”, por J. C. Polkinghorne.
2. Ver Polkinghorne, J. C., “The God of hope and the end of the world”, London: SPCK/New Haven: Yale University Press, 2002.

Referências Bibliográficas
Alexander, D.R., “Rebuilding Matrix ; science and faith in the 21st century”, Oxford: Lion, 2001.
Barbour, I.G., “Quando a ciência encontra a religião”, São Paulo: Cultrix, 2004.
Polkinghorne, J.C., “Science and theology”, London: SPCK, 1998.
Polkinghorne, J.C., “Beyond science; the wider human context”, Cambridge: CUP, 1996.


Dr. John Polkinghorne trabalhou com física teórica de partículas elementares por 25 anos; foi professor de física matemática na Universidade de Cambridge e presidente do “Queens’ College”, em Cambridge. É membro da “Royal Society”, foi o presidente fundador da “International Society for Science and Religion” (2002-2004) e é autor de vários livros sobre ciência e religião.

* Esse artigo é parte da série “Faraday Papers”, publicada pelo Instituto Faraday para Ciência e Religião, uma organização sem fins lucrativos para educação e pesquisa localizada em Cambridge, Reino Unido. Uma lista desses artigos está disponível em www.faraday-institute.org. Traduzido por Guilherme de Carvalho.
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