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Opinião

Girassóis

Detenho-me no quadro “Os girassóis”, o mais famoso da série de Van Gogh. São doze girassóis postados em um único vaso.  Alguém chamaria de natureza morta. Penso que é imagem de vida.

Van Gogh sentia-se atraído pelo Japão e sua cultura. Mudou-se para uma região ao sul da França que mantinha certa semelhança com as paisagens hipônicas, onde pintou esse quadro. A cor amarela, que para os japoneses traz a conotação de amizade e coragem, é a que prevalece na tela toda: ênfase na luz.
 
Viajo nessa nesga de interpretação e miro cada um daqueles girassóis. Uns eretos; outros pendendo a um lado, a outro. Em uns, as nuances de amarelo beiram ao alaranjado; em outros, o ouro traz os realces, em diferentes tonalidades áureo-iluminadas. 
 
A imaginação vagueia, e aquelas flores diferentes entre si associadas ao número doze me reportam a um caso feliz de amizade corajosa: a do Mestre por seus amigos. Feliz porque bem sucedida, à medida que foi uma convivência com diferentes, cada um deles dando a tônica da riqueza de um grupo, que superou as forças da morte e cujas histórias de vida abalaram o mundo conhecido de então e até o de hoje.
 
Entre eles, havia os mais achegados, os que partilharam momentos especiais, detalhes de intimidade; e os que o acompanhavam em todas as circunstâncias corriqueiras. Uns traziam temperamentos tempestuosos, capazes de rompantes inesperados, até quase heróicos; um reclinava-se sobre seu peito e foi chamado de amado; outro comia com ele à mesa, mas o traiu com um beijo. Alguns se articulavam a questões políticas, revolucionárias, vislumbrando mudanças sociais grandiosas; outros ainda eram acostumados à lida simples e diária de pescadores enredados por barcos e peixes. Mas quase todos desfrutaram e souberam corresponder à grandeza de sua amizade. Por isso, impactaram o mundo com uma mensagem incomparável e permanente.
 
A imagem do quadro ainda ecoa aos olhos da humanidade. As tentativas de reprodução são inúmeras, muitas vezes cópias mal feitas, que não conseguem nem de leve carregar o peso da tinta que o original evidencia. Reproduções são sempre muito aquém da obra, embora tentem se passar por ela.
 
Na ausência do original, prefiro as releituras, recriações também originais em um tempo e lugar específico, mas que carregam a essência de uma imagem primeira. Não reproduzem: apontam, indicam, sugerem, trazem à mente de quem aprecia o modelo que as ensejou. Quase não têm sentido próprio: dependem de que os apreciadores se reportem à radicalidade de uma arte primordial. São efeitos de uma causa outra.
 
Reler obras grandiosas assim é um desafio, mas que se multipliquem os girassóis que remetem à imagem produzida pelo grande artista. O mundo precisa manter viva, de muitas formas, a arte de duradoura relevância.

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Silvana Pinheiro é educadora e escritora. Autora do único livro infantil que a Editora Ultimato já publicou (De Bichos Pequenos e Grandes), e que está esgotado há alguns anos.

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