Opinião
20 de outubro de 2026- Visualizações: 54
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Desbravadores de novas fronteiras – resenha
Ao lado de exemplos de fidelidade e perseverança, encontramos fragilidades, conflitos e escolhas que nos convidam à reflexão
Por Marcelo Barreto
Ao lermos a Bíblia, especialmente o Antigo Testamento, encontramos histórias de famílias, reis, profetas e nações. Por meio delas, aprendemos, antes de tudo, que Deus é o Senhor da história. Conhecemos pessoas com suas virtudes e fraquezas, suas escolhas e contradições. Vemos trajetórias breves ou longas, fecundas ou dolorosas, que nos oferecem inspiração, ensino e advertência.
Em alguns momentos, é como se eu estivesse ali. Reconheço nessas narrativas a história do povo de Deus, ao qual também pertenço desde 1980, quando, pela graça de Deus, abracei a fé cristã e passei a fazer parte dessa caminhada. No Novo Testamento, acompanhamos o início da Igreja e seus desafios, nos quais também se revelam a dedicação e as limitações daqueles que servem ao Senhor.
A leitura de Desbravadores de novas fronteiras, do reverendo Alderi Souza de Matos, publicado em 2026 pela Editora Cultura Cristã, despertou em mim esse sentimento de pertencimento. Terceiro volume de seu projeto biográfico sobre o presbiterianismo brasileiro, o livro reúne 214 personagens: pastores nacionais e missionários norte-americanos que iniciaram sua atuação entre 1921 e 1940, acompanhando seus ministérios pelas décadas seguintes.
Nessas páginas, encontro caminhos que se cruzam com os meus. Reconheço histórias ligadas a igrejas e famílias de pastores que me abençoaram ao longo de minha caminhada por Ribeirão Preto, Salvador, Viçosa, Governador Valadares, pelo norte do Espírito Santo e, atualmente, por São Paulo. Lugares e nomes ganham um significado especial quando percebemos que o trabalho realizado antes de nossa chegada ajudou a formar as comunidades que nos acolheram.
O livro também nos permite conhecer o custo dessa dedicação. Grandes campos de trabalho, viagens desgastantes, recursos escassos e dificuldades que atingiam os obreiros e suas famílias fizeram parte da expansão da Igreja. Ao lado de exemplos de fidelidade e perseverança, encontramos fragilidades, conflitos e escolhas que nos convidam à reflexão. Essas vidas nos encorajam, e também nos ensinam, a cuidar melhor daqueles que servem e das comunidades que lhes são confiadas.
A partir de atas, cartas, periódicos e outros registros, o reverendo Alderi reúne trajetórias que poderiam permanecer dispersas ou esquecidas. Por trás das datas e dos lugares, podemos reconhecer pessoas, famílias e comunidades em movimento. E somos lembrados de que essa história também foi construída por mulheres e homens cujo serviço discreto nem sempre recebeu o mesmo espaço nos documentos, mas foi essencial à vida da Igreja.
Por isso, convido você a entrar nessa história. Talvez também encontre uma cidade conhecida, uma igreja que o acolheu ou um nome ligado à sua caminhada. E, mesmo que não encontre uma conexão imediata, poderá conhecer aqueles que, antes de nós, dedicaram a vida à propagação do evangelho, ao ensino da fé reformada, à formação de comunidades e à construção de instituições que ainda hoje nos abençoam.
Recebemos uma herança que nos chama à gratidão e à responsabilidade. Temos o privilégio de participar dessa história, cujos próximos capítulos ainda estão sendo vividos. Que, pela graça de Deus, nossos filhos e netos deem continuidade a essa caminhada, servindo ao Senhor e ao próximo, até que Cristo venha.
Tudo para a glória de Deus, nosso Pai.
Amém e boa leitura!
Livro: Matos, Alderi S. de. Desbravadores de Novas Fronteiras: conheça as trajetórias de pastores e missionários que marcaram a expansão e a história da Igreja Presbiteriana do Brasil entre 1921 e 1940.São Paulo: Cultura Cristã, 2026, 688 páginas.
Imagem: Wikimedia.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» A Caminhada Cristã na História: A Bíblia, a Igreja e a sociedade ontem e hoje, Alderi Souza de Matos
» Mochila nas Costas e Diário na Mão – A fascinante história de Asbel Green Simonton, Elben Magalhães Lenz César
» Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro – A religiosidade, o papel feminino, as denominações e suas pioneiras, Rute Salviano Almeida
» A Igreja – Uma comunidade singular de pessoas, John Stott e Tim Chester
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Ao lermos a Bíblia, especialmente o Antigo Testamento, encontramos histórias de famílias, reis, profetas e nações. Por meio delas, aprendemos, antes de tudo, que Deus é o Senhor da história. Conhecemos pessoas com suas virtudes e fraquezas, suas escolhas e contradições. Vemos trajetórias breves ou longas, fecundas ou dolorosas, que nos oferecem inspiração, ensino e advertência.Em alguns momentos, é como se eu estivesse ali. Reconheço nessas narrativas a história do povo de Deus, ao qual também pertenço desde 1980, quando, pela graça de Deus, abracei a fé cristã e passei a fazer parte dessa caminhada. No Novo Testamento, acompanhamos o início da Igreja e seus desafios, nos quais também se revelam a dedicação e as limitações daqueles que servem ao Senhor.
A leitura de Desbravadores de novas fronteiras, do reverendo Alderi Souza de Matos, publicado em 2026 pela Editora Cultura Cristã, despertou em mim esse sentimento de pertencimento. Terceiro volume de seu projeto biográfico sobre o presbiterianismo brasileiro, o livro reúne 214 personagens: pastores nacionais e missionários norte-americanos que iniciaram sua atuação entre 1921 e 1940, acompanhando seus ministérios pelas décadas seguintes.
Nessas páginas, encontro caminhos que se cruzam com os meus. Reconheço histórias ligadas a igrejas e famílias de pastores que me abençoaram ao longo de minha caminhada por Ribeirão Preto, Salvador, Viçosa, Governador Valadares, pelo norte do Espírito Santo e, atualmente, por São Paulo. Lugares e nomes ganham um significado especial quando percebemos que o trabalho realizado antes de nossa chegada ajudou a formar as comunidades que nos acolheram.
O livro também nos permite conhecer o custo dessa dedicação. Grandes campos de trabalho, viagens desgastantes, recursos escassos e dificuldades que atingiam os obreiros e suas famílias fizeram parte da expansão da Igreja. Ao lado de exemplos de fidelidade e perseverança, encontramos fragilidades, conflitos e escolhas que nos convidam à reflexão. Essas vidas nos encorajam, e também nos ensinam, a cuidar melhor daqueles que servem e das comunidades que lhes são confiadas.
A partir de atas, cartas, periódicos e outros registros, o reverendo Alderi reúne trajetórias que poderiam permanecer dispersas ou esquecidas. Por trás das datas e dos lugares, podemos reconhecer pessoas, famílias e comunidades em movimento. E somos lembrados de que essa história também foi construída por mulheres e homens cujo serviço discreto nem sempre recebeu o mesmo espaço nos documentos, mas foi essencial à vida da Igreja.
Por isso, convido você a entrar nessa história. Talvez também encontre uma cidade conhecida, uma igreja que o acolheu ou um nome ligado à sua caminhada. E, mesmo que não encontre uma conexão imediata, poderá conhecer aqueles que, antes de nós, dedicaram a vida à propagação do evangelho, ao ensino da fé reformada, à formação de comunidades e à construção de instituições que ainda hoje nos abençoam.
Recebemos uma herança que nos chama à gratidão e à responsabilidade. Temos o privilégio de participar dessa história, cujos próximos capítulos ainda estão sendo vividos. Que, pela graça de Deus, nossos filhos e netos deem continuidade a essa caminhada, servindo ao Senhor e ao próximo, até que Cristo venha.Tudo para a glória de Deus, nosso Pai.
Amém e boa leitura!
Livro: Matos, Alderi S. de. Desbravadores de Novas Fronteiras: conheça as trajetórias de pastores e missionários que marcaram a expansão e a história da Igreja Presbiteriana do Brasil entre 1921 e 1940.São Paulo: Cultura Cristã, 2026, 688 páginas.
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