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Por Escrito

Convertida a Jesus dia após dia

A conversão é um processo contínuo: é a nossa vida sendo constantemente transformada por Cristo

Por Vanessa Santos

Aconteceu comigo – meu encontro com Jesus

Falar sobre a minha conversão é sempre estranho, porque, para muitas pessoas, existe um dia específico do qual elas dizem: “Ah, tive um encontro com Jesus, e ali aconteceu a minha conversão”. Para muitos foi a partir de um culto, ou por um amigo ou alguém da família que falou sobre Jesus. Eu não consigo me lembrar de um dia específico, de algo tão emocionante que tenha marcado essa data. Isso gerou certa frustração na adolescência e início da juventude.

Aos 15 anos, houve um marco importante. Faço aniversário em setembro e, algum tempo depois, uma irmã da igreja me perguntou se eu não iria me batizar e fazer a pública profissão de fé. Ela disse que já estava na hora, que eu já frequentava a igreja há muitos anos, estava perto de atingir a maioridade e que era importante assumir um compromisso com a igreja. Olhando para trás, percebo que talvez tenha existido uma pequena pressão, e acho que havia também o receio de que aquela adolescente que sempre participou de tudo na igreja não assumisse um compromisso “palpável” com a instituição e, aos olhos da igreja, com o Senhor.

Então, depois de um tempo de reflexão, conversei com o pastor e em dezembro daquele mesmo ano, no culto de Natal, fui batizada e fiz a minha pública profissão de fé. Desde pequena, minha avó me levou para a igreja, me contou histórias bíblicas, me ensinou a orar; em casa, ela cantarolava hinos do hinário Novo Cântico. Ela faleceu quando eu tinha 6 anos. Continuei frequentando a igreja porque uma tia e uma vizinha me levavam; depois passei a ir sozinha. Meus pais, que não são cristãos, nunca foram contra a minha fé e deram permissão para a minha pública profissão de fé e o meu batismo.

Acredito que foi naquele dia que tive a certeza de que queria seguir no meu compromisso com Jesus, não apenas naquela comunidade de fé, mas onde eu estivesse, desde a escola até a universidade na minha trajetória estudantil – exemplo disso é o meu envolvimento com a Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB).

Ao mesmo tempo, entendo que a conversão é um processo contínuo: é a nossa vida sendo constantemente transformada por Cristo, com o nosso caráter sendo moldado a Jesus. Um exemplo atual desse processo contínuo de conversão em minha vida foi conhecer o Movimento Negro Evangélico (MNE).

Nesse espaço compreendi melhor o que é ter sede e fome de justiça. Passei a entender que Jesus se importa com a dor das pessoas que sofrem com o racismo, que é um pecado latente na nossa sociedade. Aprendi que é possível afirmar às mães que perdem seus filhos – vítimas da violência que atinge, sobretudo, jovens negros em nosso país – que Deus não é indiferente ao seu sofrimento, que, de fato, Jesus não faz acepção de pessoas e que a igreja deveria seguir seus passos.

Compreender essa realidade também fez parte da minha conversão. Entendi que Jesus chama cada um de nós para andar por caminhos que nem sempre são fáceis, que nos tiram do conformismo, caminhos nos quais sigo com a certeza de que foi ele quem me chamou. Que eu seja digna de ser chamada sua discípula e que minhas ações demonstrem que a minha vida foi e é convertida a Jesus dia após dia.

  • Vanessa Santos é membro da Igreja Presbiteriana da Aliança em Salvador, BA. Integra a coordenação nacional do MNE e atua como assessora auxiliar da ABUB em Salvador.

Artigo publicado originalmente na edição 421 de Ultimato.
Imagem:
Unsplash


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