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Palavra do leitor

O dia da ofensa

A humanidade se desumaniza o que é um forte retrocesso aos costumes e às legislações passadas, retorno à chamada "lei do talião" que exigia "olho por olho, dente por dente".

Já se entende, novamente, que se alguém foi ofendido, deve ofender; apanhou na rua, deve revidar; é o nefasto retorno do olho por olho, dente por dente, mão por mão, perna por perna, desamor por desamor, ódio por ódio, injustiça por injustiça, a antiga lei do talião [a palavra retaliação vem de "talio"], vingança com as próprias mãos.

Houve um caso, por exemplo, há pouco mais de um ano, de um adolescente de 15 anos que foi amarrado a uma estaca de cerca, após um furto cometido por ele e apresentou diversas lesões pelo corpo, na zona rural de Aragominas, no norte de Tocantins.

Há 30 dias adolescentes, em Florianópolis, torturaram um cachorro comunitário, que não resistiu aos ferimentos e faleceu; - não haja linchamento!

A humanidade se desumanizando é um forte retrocesso aos costumes e às legislações passadas, à referida lei que exigia "olho por olho, dente por dente".

Mas, a partir do Senhor Jesus, as coisas mudaram, eis que Ele ensinou: "Se alguém te bater em uma face, dá-lhe a outra também, se alguém te obrigar a andar com ele uma milha, ande com ele duas, se alguém lhe tomar a túnica, dá-lhe também a capa" (Mt 5.38-42) e, em seguida, orientou: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem" (v. 44).

No Sermão do Monte, o Senhor Jesus ensinou: "Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta [não necessariamente financeira, mas de vida, de serviço], ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando faze a tua oferta" (Mt 5. 23-24).

Esclareceu Ele: "para que essa reconciliação seja feita com urgência, antes que chegue a lei, o juiz, o oficial de justiça e o encerre na prisão, de onde não poderá sair, enquanto não pagar o último centil" (v. 25-26).

Trazendo a situação para os dias de hoje, "pré-data do fim," o assunto pode ser colocado em outros termos, qual seja, antes que o Senhor Jesus retorne para nos levar [arrebatamento], encontrando-nos nos ares, entre nuvens (1Ts 4.17), se houver algum desentendimento com alguém, devemos buscar a reconciliação, não a retaliação.

A humanidade se desumaniza, afirmei no início, e é essa a situação hodierna, pois tem ocorrido casos de pessoas que furtam algo e são gravemente agredidas, quase linchadas, o retorno do talião: olho por olho, dente por dente, que o Senhor Jesus revogou.

O dia da ofensa, a vingança com as próprias mãos, o revide, a retaliação, a chacina foram oficializados pelo Código de Hamurabi, no século 18 antes de Cristo, ou seja, há cerca de 3.800 anos.

Observa-se que o olho por olho, o dente por dente, o revide está, praticamente, retornando; o exemplo acima citado não é um caso isolado.

Trata-se, a bem da verdade, do retorno do desamor (Mt 24.12), retorno que é um desrespeito à Palavra de Deus, a qual outorgou princípios que trouxeram muita civilidade, muita ética, bem como implantou bons procedimentos de cidadania nas relações humanas.

É o retorno às cavernas; - a humanidade que já zomba da Palavra de Deus traz de volta [des]princípios que o mundo ocidental já havia abandonado, rejeitado em suas legislações constitucionais, códigos civis e penais, com excelentes resultados, retorno esse que deve ser prontamente desbaratado, desmobilizado; como cristãos, esse é um dever nosso.

Em obediência aos ensinamentos de Jesus, nós, seus seguidores, temos o dever de ensinar, pregar e testemunhar o que Ele nos outorgou; entre esses ensinamentos está o que os editores da bíblia chamam de "Oração dominical", quando na verdade o "domus" [citei em texto anterior] leva-nos a tratar a oração do Pai Nosso como "Oração do Senhor."

Nessa oração Ele ensinou: "e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores" (Mt 6.12), e reiterou:

"Porque se perdoardes aos homens também vosso Pai Celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso pai vos perdoará as vossas ofensas" (Mt 6. 14-15).

O dia da ofensa - já estamos vivendo dias difíceis, nação contra nação, povo contra povo, filhos contra pais, pais contra filhos; é o abandono de Deus, é o desprezo pela Bíblia, Palavra Santa do nosso Deus e Pai, é o início da apostasia [negação da fé], um dos procedimentos que antecedem os dias do fim, que o Senhor Jesus chamou de "princípio das dores" (Mt 24.8), tendo aconselhado no contexto: "Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor" (Mt 24.43).

É tempo, pois, de vigília, é tempo de oração, é tempo de acordar do sono espiritual que nos assedia, é tempo de ação para alcançar aqueles que ainda estão fora da família de Deus (Jo 1.12-13), pois o Pai não quer que ninguém se perca (Mt 18.14), mas que todos alcancem o arrependimento (2Pe 3.9).
São Paulo - SP
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