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Opinião

A Igreja e a era das reformas

“Estou fazendo novas todas as coisas.” (Ap 21.5).

Terceiro artigo da série “A Igreja e suas eras”:
- A Igreja e suas eras (artigo 01) 
- Carecemos de gigantes (artigo 02)

Passados mil anos de história, a Igreja defrontou-se, já na aurora do segundo milênio com a necessidade de uma Reforma. E ela chegou através do monge beneditino da célebre abadia de Cluny, Hildebrando (1020-1085), eleito papa com o nome de Gregório VII. Foi uma reforma moral do clero e de algumas áreas da administração e liturgia.

Entretanto, a expansão do Evangelho e da Igreja e o seu encontro com novas culturas e costumes nem sempre sofreu uma saudável “enculturação” (endoculturação, transculturação). A Igreja, além do processo de degeneração do pecado ainda militante na natureza humana, foi incorporando novos e estranhos elementos em sua doutrina, piedade e vida, o que sempre reclamou reformas e purificações. Assim, movimentos como o dos cátaros (puros) ou albigenses, surgidos no sul da França no final do século XI e que perduraria até o início do século XIV, pleiteavam uma Igreja mais pura, despojada e evangelicamente mais simples. Evidentemente que a ausência de instrução bíblica levou tais movimentos a flertarem perigosamente com doutrinas espúrias, tais como a dos maniqueus e dos gnósticos, por exemplo. Os cátaros foram perseguidos violentamente pelo Papa Inocêncio III e depois pela Inquisição.

No final do século XI início do século XII surgiu a figura do francês Pedro Valdo (1140-1218). Pedro teve contato com uma tradução do Novo Testamento e a partir de sua leitura surgiu o desejo por uma Igreja mais livre, missionária, fraterna e simplesmente evangélica. Pedro traduziu a Bíblia para o provençal e em torno de seu carisma surgiu uma comunidade refugiada cognominada de “Pobres de Espírito” e mais tarde de Igreja Valdense. Foram duramente perseguidos e se refugiaram no piemonte, na Itália. Neste ínterim surgiu a figura emblemática de Francisco de Assis e a sua visão de restauração da Igreja. Francisco e seus frades gozaram de alguma tolerância por parte da Igreja e não obstante os muitos sacrifícios, o movimento do pobrezinho de Assis achou acomodação no seio da Igreja Romana.

Nas terras Bretãs surge J. Wyclife (c.1328-31.12.1384), reformador religioso que traduziu a Bíblia para o inglês. Na Boemia, atual república Checa, a 75 km de Praga, surge Jan Huss. Precursor da Reforma Protestante, foi influenciado por Wyclife. Mais tarde, também na Inglaterra, aparece Willian Tindale (1484-1533), tradutor da Bíblia para o inglês e também de autores do movimento reformador, dentre eles Lutero. Estes movimentos e estas personagens citadas atenderam em seu tempo aos reclames da Igreja por reforma e transformação e ao mesmo tempo, pavimentaram muitos com o preço da própria vida, o caminho para a grande Reforma do Século XVI.

Nos dias imediatamente anteriores à Reforma Protestante, a Igreja Católica experimentava um grande declínio e uma grande estagnação espiritual. As célebres Abadias de Cluny e Cister já não passavam de caricaturas ou estavam já em ruínas. Vultos como Bernardo de Claraval e Elredo de Rievaux, cabeças e mestres deste movimento monástico, por exemplo, eram apenas lembranças. O papado era objeto de disputa entre as famílias nobres da Itália como os Bórgias e os Médicis. Muitos Bispos, Cardeais e Abades haviam comprado o título e o status, mas sem nenhum múnus pastoral. A ignorância grassava entre o clero e a população, e a Bíblia havia desparecido da maioria dos púlpitos. A leitura da Bíblia era proibida aos fiéis e só os “Magisters” e o Clero tinham acesso a ela. Então naqueles dias Deus levantou Martinho Lutero como instrumento para dar início ao movimento que poria fim a uma época, fundaria uma nova civilização e introduziria a humanidade em um novo ciclo. Era o início da Reforma Protestante que veio no bojo da Renascença e do Iluminismo.

A Reforma tem como data símbolo o dia 31 de outubro de 1517 quando Lutero teria afixado as suas 95 teses às portas da catedral de Wittemberg na Alemanha. O movimento reformador ganhou a Europa: França, Suíça, Holanda, Inglaterra e Polônia logo foram varridas pelos ventos da Reforma: Zwinglio, Calvino, Farel, Beza, Bucer, Melancthon, Knoxx e tantos outros foram comissionados por Deus para levarem à frente esta obra que em muito excedia a capacidade meramente humana e estrutural. Era, na verdade, a “obra da Palavra de Deus”, iluminada e aplicada pelo Espírito Santo para a Reforma da Igreja e a salvação das almas. Depois desta “era” a história da Igreja e a história da humanidade jamais seriam as mesmas. Contudo, ainda vale o aforisma: “Ecclesia Reformata sed semper Reformanda!” (A Igreja Reformada sempre carece de Reforma!).


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É ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP) e professor de Teologia Pastoral e Bioética no Seminário Presbiteriano do Sul, de Filosofia na Faculdade Internacional de Teologia Reformada (FITREF) e de História das Missões no Perspectivas Brasil.
  • Textos publicados: 49 [ver]

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