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OPINIãO |
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O escambo nos mocambos espirituais |
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Ivan Cordeiro Escambo. Prática antiga que consiste na troca direta de bens ou mercadorias. Mocambo sm. Habitação miserável. Cerca de dois milênios após a vinda de Cristo na terra, o ser humano parece que ainda não assimilou a razão desse evento e promove uma das realidades mais trágicas da era cristã. E pasmem, a tragédia é originada pelos cristãos. Nunca a igreja cristã teve total condição de ser o que não é. Nunca a igreja cristã com o tanto que tem fez tão pouco. Nunca a igreja cristã promoveu tanto o que de fato não é. A avareza corporativa e o pragmatismo estrutural da igreja tem alcançado outros espaços e encontra guarida também no coração dos fiéis, fazendo com que as práticas que Cristo combatia em seu tempo sejam hoje praticadas em nome dele. Existe nos ambientes eclesiásticos uma distorção clara das palavras de Jesus. Os temas do sermão da montanha como o desapego às ilusões dessa vida, o amor ao próximo, a total confiança em Deus, tem sido trocados por mensagens superficiais que não se preocupam com a integralidade da vida humana, mas apenas corrobora para o egocentrismo “cristangélico”. A igreja chegou na pós-modernidade perdendo o seu sentido de existência. Perdeu-se o seu papel pedagógico, de ensinar com verdade a Verdade, perdeu-se também o seu papel terapêutico, de desenvolver o interesse das pessoas para um relacionamento sincero e sem culpas com Deus. Dessa forma, um lugar que poderia ser o melhor lugar para a convivência de homens e mulheres, está se tornando um espaço trágico para a vida humana. Por isso tais espaços tornam-se mocambos espirituais e fazem ressurgir a mais antiga das práticas comerciais, o escambo, que negocia e mercadeja “as bênçãos” de consumo. É absurdo como negociam tão facilmente o divino nos espaços sagrados, assim como tentam profanar o que é santo (como se isso fosse possível). Esse sistema primitivo, coisifica, ridiculariza e desumaniza os seus integrantes. Diante disso, lembro-me da passagem de João 2.15, onde Jesus prepara um azorrague para expulsar os cambistas do templo. Jesus sempre foi misericordioso e compassivo com os pecadores, e assim também devemos ser. Mas a relação com os fariseus e dominadores não era tão branda. Ele sempre combateu o sistema opressor, corrupto e injusto do seu tempo, e como ele é Senhor do tempo, não seria diferente em nossos dias, essa é a nossa esperança. • Ivan Cordeiro, 26 anos, é administrador, teólogo e MBA em Liderança pela Faculdade Teológica Sul Americana, de Londrina, PR. É também idealizador do site Bom Líder ( www.bomlider.com.br). |
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Marcelo Germano Brito Lira De Oliveira | Beo Horizonte - MG |
#1 |
| Identificar o erro, a deformidade, o aleijo, a aberração, não requer muito esforço. O esforço extraordinário está em expulsar a liderança apostata da igreja, fechar as igrejas usinas do lucro e fechar os seminários liberais e humanistas. Agora, o mais fantástico, seguindo a onda da nova teologia, seria fazer uma mesa branca com esses teólogos, pode ser que alguém reencarne Lutero... |
Postado em
01/04/2009 às 10:32:48 |
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João Victor Leite Dias | Diamantina - MG |
#2 |
| Diante da evidente oferta mercantil "evangélica", sob amplo espectro, nos é necessário despertar. Jesus, sendo Senhor do tempo age sim, principalmente por intermédio de seu povo. Se temos este tipo de compreensão, é salutar descruzar os braços e agir contra essa corrente descaracterizante do evengelho do amor. Que Deus tenha misericórdia de nós! |
Postado em
01/04/2009 às 13:02:08 |
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Tiago De Souza Barros | Assis - SP |
#3 |
| A prática do "escambo evangélico" tem corroborado para a perda de identidade da Igreja. Nunca o ensino, a prática da oração e a genuína pregação da Palavra - que são as bases da eclésia - estiveram em ultrajante situação. Os púlpitos nunca estiveram cultural, teológica e espiritualmente tão pobres- e nunca tão cheios de cambistas. Chamar estes "mercadores da Palavra" de protestantes é fazer tremer os ossos dos Pais da Igreja. Imagine Calvino ou Lutero vivos numa época dessas! Que dizer então do apóstolo Paulo... iriam submetê-lo a uma quebra de maldição? Obrigariam à teologia da prosperidade? |
Postado em
02/04/2009 às 11:42:27 |
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Toni Melo | Salvador - BA |
#4 |
| Realmente, e infelizmente é uma verdade o que atesta Ivan Cordeiro. E de tudo o que eu li agora, o que mais me chamou à atenção foi a seguinte frase: "Nunca a igreja cristã com o tanto que tem fez tão pouco". Isso me choca, me entristece, e me leva a refletir sobre o porque caminharmos nessa terra, se não formos sal, luz, e esperança para ela. Parabéns Ivan. Seu texto me motiva a continuar inquieto e lutando por uma igreja que seja realmente tranformadora. |
Postado em
04/04/2009 às 10:32:39 |
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Lucas Dias | Vitória Da Conquista - BA |
#5 |
Muitos realmente preferem evitar que essas questões sejam trazidas à baila. No entanto, quando se denuncia a "avareza corporativa" na igreja e o "egocentrismo cristangélico", descortina-se a verdade, aí nos lembramos que verdade liberta! Mas os dominadores precisam manter o status quo, para que continuem manipulando fiéis, bebendo seu sangue... Senhores, denunciar é preciso, pensar é preciso, libertar é preciso. |
Postado em
04/04/2009 às 12:35:20 |
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Edson Elias De Morais | Londrina - PR |
#6 |
| Ivan, Concordo e gênero, número e grau com tudo o que disse a respeito da atual conjuntura eclesiastica. De fato, a igreja 'evangelica', protestante, pentecostal e pós-pentecostal está vivendo a mais profunda degradação. É obvio que encontramos ainda "raizes de Jessé", mas como conjuntura está a passos largos de sua auto-destruição. Impossível, pelo fato da igreja ser Igreja de Deus? Eu acho que não, basta olharmos para Inglaterra, EUA, Alemanha, Holanda como é a religão nesses países. O Brasil está seguindo o mesmo rumo, INFELISMENTE. Mas como bem observado, isso é resultado da ... |
Postado em
04/04/2009 às 14:08:32 |
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Edson Elias De Morais | Londrina - PR |
#7 |
| ...Resultado da sociedade pós-moderna. Sociedade que potencializa a "liberdade", a "igualdade" não em seu sentido conceitual cristão, mas nos moldes da sociedade burguesa. Sociedade que tem no indivíduo (ego) a máxima de todos os direitos. O coletivo é relegado a categorias primitivas de sociedade. E o que temos hoje? um individualismo exacerbado, egocentrico, desconfigurado e sem identidade, Pois nossa identidade é formada pelo tecido social e não somente em um único indivíduo isolado. Portanto, o que temos hoje é já uma igreja pós-moderna, com todas suas caracterizações morais e ideológicas. |
Postado em
04/04/2009 às 14:19:30 |
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Edson Elias De Morais | Londrina - PR |
#8 |
Diante disso, Ivan, penso que seu título é interessante enquanto trocadilho, porém a atual postura da igreja não está em conformidade com o escambo, mas sim, com a sociedade moderna, que é a sociedade capitalísta. Hoje temos essa relação não de troca enquanto "valores de uso", mas em "valor de troca" (Marx). O Sagrado é posto em relação de "Compra e Venda". O Sagrado virou "mercadoria" como toda esfera da vida mediante o sistema capitalista. Ele se faz e refaz e nos deixa alienados em seus pressupostaos. E a igreja com isso? Está imerssa em toda essa relaçao. abraço. |
Postado em
04/04/2009 às 14:31:47 |
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Graça Serrano | Recife - PE |
#9 |
O Senhor nunca pretendeu fundar uma religião. O que Ele quer desde o início é formar a comunidade perfeita no universo. Os homens ainda não entenderam isso, e por sua necessidade de escravizar os outros estão sempre dando um jeito de manter o povo de Deus sob o signo religioso. Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR? Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo." |
Postado em
07/04/2009 às 11:20:33 |
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