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Especial — Lissânder Dias

3º Congresso Lausanne de Evangelização Mundial reúne mais de 4 mil pessoas na África do Sul

por Lissânder Dias
com colaboração de Klênia Fassoni


O maior congresso
O maior congresso evangélico, com 4.200 participantes e mais de 100 mil pessoas acompanhando pela internet, começou na tarde de domingo, 17 de outubro, na Cidade do Cabo, na África do Sul. A audiência via internet foi maior do que na Copa do Mundo de Futebol, que aconteceu entre 11 de junho e 11 de julho. O tema “Deus reconciliando consigo o mundo”, baseado em 2 Coríntios 5.19, estava estampado em oito idiomas nos cadernos dos participantes, nas faixas e nos telões. A palavra introdutória foi do presidente executivo do Movimento Lausanne, Doug Birdsall. À noite, na abertura oficial, houve apresentações de dança, teatro e música dirigidas por artistas africanos. Os hinos entoados enfatizaram o senhorio de Cristo, o teatro mostrou situações de dificuldades na evangelização em cada continente e um documentário em vídeo contou a história resumida do cristianismo, do Pentecostes ao Congresso de Edimburgo, em 1910.

A novidade do Congresso foi a plateia. Organizados em 650 grupos de seis pessoas, os milhares de presentes reuniram-se de forma mais pessoal por quase 2 horas diariamente. Compartilharam suas histórias e expectativas e oraram juntos durante toda a semana. Esta foi a tônica metodológica do evento: não um grupo seleto de preletores, mas centenas de diálogos intencionais e programados sobre o conteúdo apresentado. Muitos líderes de mesa (pequenos grupos) ficaram impressionados com a comunhão entre os participantes.

As expectativas sobre o congresso eram diferentes para cada um. Os comitês encarregados da seleção dos participantes tiveram de seguir à risca os critérios. Assim, havia a presença não dos líderes, mas também de jovens, mulheres, leigos e homens de negócios. A delegação do Brasil era composta por cerca de noventa pessoas de diferentes denominações e regiões do país. Além destes, outros sete brasileiros estavam entre os voluntários e cerca de vinte, que moram em outros países, vieram com suas comitivas. O bispo anglicano Robinson Cavalcanti foi o único brasileiro que participou dos três Congressos Lausanne.

John Stott e Billy Graham enviaram suas saudações pessoais, comprometendo-se a orar todos os dias do evento. Ao refletir sobre as imensas mudanças que ocorrem no mundo, Billy Graham escreveu de sua casa, na Carolina do Norte, Estados Unidos: “Uma das tarefas que terão durante o Congresso será analisar essas mudanças e avaliar o impacto delas na missão para a qual Deus nos chama hoje”.

Verdade e perseguição religiosa
O segundo dia do congresso teve como ênfase a importância da verdade frente à tendência ao relativismo na sociedade contemporânea. O teólogo chinês Carver Yu reconheceu a pluralidade, mas combateu o pluralismo: “O pluralismo é uma ideologia que proclama que a verdade é uma construção cultural válida somente para a cultura que a construiu”.

O teólogo alemão Michael Herbst lembrou que a verdade é uma pessoa: “Olhar para Jesus é buscar a verdade”. O escritor Os Guinness ressaltou que, embora o conteúdo da Bíblia pareça indecente para o mundo moderno, ele é fundamental pelas seguintes razões: honra ao Deus da verdade, equilibra emoção e razão, avança em favor da humanidade, fundamenta a proclamação da fé, combate a hipocrisia e o mal e nos ajuda a crescer na transformação em Jesus Cristo.

Os cânticos em várias línguas marcaram os momentos diários de louvor comunitário. Para Carlinhos Veiga, foi “uma pequena mostra do que será a eternidade, com pessoas de vários países, cada qual com suas vestes típicas e características culturais. Um grande coro de adoração se formou naturalmente -- isso me fez lembrar como a música é um elemento comum ao povo de Deus em todo o mundo, como é a linguagem dessa família de fé”. O expositor da manhã foi o teólogo de Sri Lanka, Ajith Fernando, que a partir de Efésios 1 afirmou que a salvação traz um conceito mais completo sobre Deus do que normalmente compreendemos. “Ver Cristo como alguém que supre as necessidades pessoais é um ponto inicial, mas não é tudo. Deus está marchando para a vitória final. Ele tem um plano, um propósito para o mundo. O evangelho é mais profundo, mais rico e maior do que a ideia de Deus suprindo as necessidades imediatas.” Nos pequenos grupos, os participantes puderam estudar o texto de forma indutiva.

Todas as tardes os participantes podiam escolher vários seminários, com mais de um preletor cada, chamados “multiplex”. Eram oferecidas também dezenas de sessões específicas de diálogo (mais de 120 em todo o congresso). Tudo isso fez com que as temáticas diárias ganhassem abrangência e participação. O que foi um ponto forte para alguns, foi o contrário para outros, que lamentaram o não-aprofundamento dos temas.

A noite foi dedicada a uma visão panorâmica de como Deus está movendo a igreja no mundo, em especial em contextos de perseguição e violência religiosa. Documentários em vídeo trouxeram histórias de perseguição a cristãos na Colômbia, na África Ocidental, no Oriente Médio, no Vietnã, no Uzbequistão, no Turcomenistão e no México. “Policiais vieram à igreja, esperando descobrir algo errado. Identificaram no conteúdo do sermão. Fui preso, mas pude compartilhar o evangelho na prisão. Trinta presos se converteram a Cristo”, disse, em vídeo, um pastor vietnamita.

Os congressistas oraram juntos pela situação da igreja na China. Muitos chineses que participariam do congresso foram impedidos de sair do seu país.

Reconciliação global e integral
A reconciliação aplicada não somente à dimensão individual, mas também à global e integral foi a mais importante contribuição teológica do terceiro dia do Congresso na Cidade do Cabo -- uma cidade ainda marcada pela recente história de discriminação racial da África do Sul.

Ruth Padilla, presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL), enfatizou em sua exposição de Efésios 2 a obra de Jesus Cristo como base para a reconciliação e para a construção de uma comunidade reconciliadora: “Em Jesus Cristo, Deus cria uma comunidade. Os romanos classificavam as pessoas por categorias, por status, mas na obra reconciliadora de Deus todos somos da mesma comunidade. Somos templo santo de Deus”.

Foi desafiador ouvir Joseph D’souza, Pranitha Timothy e Brenda Salter. Joseph falou sobre as castas na Índia e sobre as mulheres como vítimas da discriminação. Pranitha, uma jovem indiana de voz e porte físico frágeis, contou como lidera a International Justice Mission (IJM), organização que trabalha para libertar escravos, defendê-los judicialmente e oferecer ajuda emocional. “Deus quer trazer luz, por meio do seu Corpo, diante da escuridão dos donos de escravos. Devemos mostrar que nosso Deus é justo. Que ele abençoe os escravos.” (Veja aqui uma entrevista exclusiva com Pranitha.) A norte-americana Brenda fez uma autocrítica afirmando que o cristianismo nos Estados Unidos tem um problema de credibilidade.

A palestina Shadia Qubtim e o judeu Daniel Sered relataram em seus testemunhos a dificuldade de vencer o ódio entre seus povos, mas demonstraram esperança. “A reconciliação tem me transformado, e transforma o meu inimigo”, disse Shadia em meio aos aplausos. “A única esperança para a paz no Oriente Médio é Jesus. Ore por isso”, pediu Sered.

A segunda plenária do dia ficou a cargo de Antonie Rutaysire. Ele refletiu teologicamente sobre os erros das igrejas cristãs que contribuíram para a tragédia do genocídio em seu país, Ruanda, em 1994, quando 1 milhão de pessoas foram mortas em apenas 100 dias devido ao conflito entre etnias. Ele lembrou que o massacre aconteceu num país com 90% de cristãos e numa época em que a igreja estava crescendo.

À noite, a programação foi dedicada à região do Oriente Médio e foi dirigida pelo pastor brasileiro Valdir Steuernagel. Líderes de países como Irã, Líbano, Palestina e Egito relataram como está a caminhada do cristianismo em suas regiões. A boa notícia é que o evangelho tem crescido em toda a região. A má notícia é que a perseguição religiosa também cresce, o que tem forçado muitos convertidos a fugirem de seus países, enfraquecendo assim o testemunho cristão.

Os participantes viram e ouviram em vídeo a história de uma mulher explorada sexualmente no Camboja, mas que encontrou no cristianismo o caminho para o resgate de sua vida e dignidade. Em seguida, o público emocionou-se com a história de vida de uma moça da Zâmbia e de um homem da África do Sul. Ambos são soropositivos e contaram como Deus os tem ajudado a enfrentar a doença e o preconceito, e como eles têm lutado em favor de outros contra o flagelo do HIV/aids. Ao final do dia, Steuernagel reconheceu: “Não foi um dia fácil. Deus nos chamou para percorrer um mundo ferido”.

Evangelismo e relacionamento com outras crenças
O quarto dia do Congresso trouxe à tona o relacionamento com outras crenças. O evangelismo foi a ênfase e nela o islamismo ganhou destaque.
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