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Exclusivo Online — A negritude do retirante Silva

Nascido em Campina Grande, na Paraíba, convertido ao evangelho numa igreja congregacional aos 15 anos e batizado no Natal de 1979, o retirante Hernani Francisco da Silva (não é parente do Presidente da República), de 39 anos, residente em São Paulo e agora membro da Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo, é o fundador e diretor da Missões Quilombo. Trata-se de uma sociedade cultural que pretende levar à consciência negra e à negritude cristã o debate racial com a sociedade, promover a discussão bíblico-teológica sobre o racismo e debater com os cristãos os preconceitos ainda encontrados nas igrejas, na teologia e na educação religiosa. Fundada em 1988, a Missões Quilombo tem o apoio da CENACORA — Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo, do CMI — Conselho Mundial de Igrejas, da Capacitação Solidária, da Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo e da Visão Mundial.

A princípio mais conhecido no exterior do que no Brasil, Hernani Francisco alcançou reconhecimento nacional ao ganhar o Prêmio Nacional de Direitos Humanos do governo brasileiro em 2000. Em 2003, obteve o apoio da Ashoka, uma organização internacional de empreendedores sociais (Veja Manifesto do Fórum de Lideranças Negras Evangélicas)



Manifesto do Fórum de Lideranças Negras Evangélicas*

Somos afrodescendentes e evangélicos, sim, membros do Corpo de Cristo, Senhor da Igreja. Nós aqui chegamos na condição de escravos. Nosso país recebeu o maior número de escravos em relação aos demais países na América Latina e foi o último país a abolir a escravidão negra. Na história da humanidade não se tem registro de uma escravidão tão longa e cruel quanto à do negro no Brasil. Fomos desrespeitados ao longo da história, reprimidos e massacrados em nossos valores religiosos. No mesmo barco que veio o colonizador veio o evangelizador. Colonizar significava evangelizar. Essa evangelização, no princípio, foi representada pelo catolicismo e, mais tarde, pelo protestantismo. A expressão religiosa do negro passou a ser associada a coisa do demônio. Nos evangelizavam, sem no entanto nos considerar como sujeitos do processo de evangelização. Quase tudo nos foi negado ao longo destes séculos de conquista e colonização. Jamais, porém, conseguiram apagar em nós a esperança.

Somos afrodescendentes e evangélicos, sim, congregados de diversas igrejas protestantes. Sabemos que as igrejas históricas foram as primeiras denominações protestantes a chegarem ao Brasil pelos imigrantes e, depois, pelos missionários estrangeiros. Essas igrejas chegaram no período da escravidão. Dentro delas havia os que buscavam reproduzir o modelo escravocrata firmado em um discurso teológico e não conseguiam ver a incompatibilidade entre escravidão e fé cristã. Esses eram os missionários que vieram do Sul dos Estados Unidos, ainda com ressentimentos da derrota na guerra da Secessão contra o Norte pela libertação dos escravos. A grande maioria desses primeiros protestantes, quando não escravistas, eram omissos. Eles também defendiam a sua posição teologicamente, afirmando que a Igreja não devia interferir no Estado. Além disso, havia a divisão arbitrária entre o espiritual e o material, entre o corpo e a alma, pensamento que até hoje permanece em muitas igrejas. Reconhecemos também a existência dos abolicionistas: eram em sua maioria missionários do Norte dos Estados Unidos, europeus e um pequeno grupo de convertidos brasileiros. [...]

Somos afrodescendentes e evangélicos, sim, e compreendemos que a verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. A igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. Vimos por esse meio apelar ao 2º Congresso Brasileiro de Evangelização — CBE2 que dê um basta na omissão da igreja evangélica brasileira e quebre o silêncio dos púlpitos com relação à temática negra e que não fique só nas palavras, nos sermões e nas declarações, mas [que haja] também ações concretas: programas, campanhas, ações afirmativas e reparações. E juntos vamos “proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo”.



* Em reunião na Catedral Presbiteriana Independente de São Paulo, nove dias antes do CBE2.





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