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Oração de um deprimido

Ó Deus, não preciso nem devo ocultar de ti o que está se passando comigo. Estou confuso, desnorteado, inseguro, perturbado, triste. Pensei que esta crise iria acabar logo e ela não acabou. Sinto-me preso numa cela sem janelas. Não vejo o sol há muitos dias. Só vejo sombras. A escuridão me rodeia. Não enxergo o que há de bom nesta vida.

Minha memória está contra mim. Não consigo me lembrar dos acontecimentos bons do passado. Mas, dos acontecimentos maus, me lembro de tudo. Até de pormenores desagradáveis que estavam definitivamente sepultados. Minha mente está catalogando todas essas lembranças. Estou perdendo por completo aquela esperança que sempre me acalentava e me movia para frente.

Vejo sofrimento em toda parte, até onde ele não existe. Os maus sofrem e os bons também sofrem. Antes era assim, agora é assim e amanhã será assim. Muitos morrem de fome, muitos morrem na guerra, muitos morrem de Aids, muitos morrem em acidentes de trânsito, muitos morrem em meio a desastres naturais, muitos são assassinados. Sempre estou me recordando do sofrimento de Jó, da matança dos inocentes de Belém, da morte de João Batista, da agonia de Jesus no Getsêmani, do Holocausto, de Hiroshima e dos marinheiros do submarino russo.

Ando preocupado demais com meus familiares. Estou com medo de uma filha ter câncer. Estou com medo do casamento de uma das filhas se acabar. Estou com medo que um acidente de trânsito tire a vida de meus netos ou os deixe paraplégicos para sempre. Estou com muito medo de alguém da família se desviar da fé. Estou com medo de meus filhos não serem bem sucedidos na educação de seus filhos no temor do Senhor. Ando sensível demais. Meu amor por meus familiares anda estranho. É um amor nervoso, cheio de medo, cheio de apreensões, cheio de esquisitices.

Estou tendo dificuldade de ler a Bíblia. Estou tendo dificuldade de orar. Atividades que sempre fiz com enorme prazer e proveito. A comunhão contigo, outrora fácil, está agora difícil. Aquela sensação de que Tu me abençoavas dia após dia praticamente acabou. Estou vivendo pela fé e não por emoções. Minhas certezas estão em queda. Todavia estou resistindo, estou clamando, estou esperando.

Ainda me resta um pouco de bom senso, que estou segurando com ambas as mãos para que não se perca. Com esse resto de bom senso, estou lidando com minhas culpas. Não tenho aceitado qualquer acusação que me venha à consciência. Aceito a acusação de que sou um homem nascido em pecado e de que carrego dentro de mim o estigma do pecado. Reconheço a pecaminosidade latente. Mas tenho conseguido, ó Deus, com o teu auxílio, rejeitar a acusação de todos aqueles pecados já confessados e perdoados. Qualquer comportamento duvidoso tenho colocado diante de ti para que me esclareças quanto ao certo e ao errado.

Ó Deus, perdoa-me por me encontrar desse jeito. Tenho vergonha de estar assim. No momento eu não sou eu. Sou outro. Sou um estranho até para mim mesmo. Sem dúvida, estou doente. Preciso de tratamento. Tem misericórdia de mim, Senhor! Cura-me totalmente desta depressão. Afasta para bem longe de mim este quadro doentio. Torna a dar-me alegria, estabilidade emocional, segurança pessoal. Livra-me desta dor apertada no peito, de quem está assustado e medroso. Aumenta as minhas certezas, as minhas velhas convicções. Aumenta a minha fé, a minha velha confiança em ti. Aumenta a minha esperança de cura e a minha esperança de novos céus e nova terra, onde não haverá tristeza nem dor, nem guerras, nem mortes. Socorre-me nesta hora, ó meu Senhor. Peço-te este livramento em nome de Jesus! Amém.



(Esta oração recorda a experiência pela qual passou o pastor Elben M. Lenz César, diretor da Editora Ultimato, no segundo semestre de 2001, pela primeira vez em 70 anos de vida. Depois de muita oração própria e alheia, e assistência médica, o autor saiu do estado depressivo que o acometera.)



É melhor ficar com raiva de Deus do que se afastar dele

Joni Eareckson Tada

Relembrando os primeiros meses depois do meu acidente, tudo parece tão distante no espaço e no tempo. Convivo com minha deficiência física há mais de 33 anos. O trauma inicial de tudo que significa ficar paralisada do pescoço para baixo já ficou resolvido há muitos anos. Mas, de vez em quando, ao relembrar os primeiros ajustes que precisei fazer na vida em uma cadeira de rodas, rapidamente me vêm à memória a dor do desespero e o poço da depressão em que afundei naqueles primeiros anos.

A depressão tornou-se ainda mais séria quando percebi que minha paralisia era permanente. Quando essa crença começou a se instalar, descobri um senso profundo e aflitivo de desespero. Sem esperança de andar novamente, sem esperança de usar minhas mãos novamente, sem esperança de desfrutar de um casamento com filhos e todas aquelas coisas que eu havia desejado e sonhado como mocinha. Eu queria acabar com a minha vida, e a frustração que senti por não ser capaz de fazer isso apenas intensificou minha depressão. Fiquei tão desesperada, que até pedi a uma de minhas amigas que me ajudasse a acabar com tudo aquilo.

O que parecia tornar a minha depressão ainda pior era o fato de eu escondê-la por tanto tempo naquelas semanas no hospital. Experimentava uma espécie de raiva mansa. Não queria afastar minha família ou os amigos por causa da amargura ou raiva pela minha situação, por isso guardei tudo dentro de mim. Mas, lentamente, nos meses depois que voltei para casa, comecei a me abrir com um círculo bem pequeno e íntimo de amigos. Quando percebi a aceitação deles e o seu amor, acho que isso diluiu uma porção da amargura e me ajudou a lidar mais abertamente com a depressão.

Primeiro, comecei a compreender que não há nada de errado em ficar deprimida. Na verdade, a depressão fez parte da experiência da vida de Davi, Moisés e Salomão. Então comecei a reconstruir a verdadeira esperança com a Palavra de Deus, a Bíblia.

Por exemplo, algo que realmente me ajudou no meio do meu desespero e depressão foi saber que um dia terei mãos para abraçar, pés para correr e um corpo glorificado, muito parecido com o corpo de Jesus depois da ressurreição. Ele andou com seus discípulos, comeu com eles e fez muitas coisas terrenas, humanas.

Proporcionou-me algum consolo saber que eu não fora abandonada sozinha em meu desespero, que Deus me respondera por meio de sua promessa de um novo corpo do outro lado da sepultura.

Uma parte da raiva mansa que experimentei era ira contra Deus. Por dentro, silenciosamente, eu murmurava e rugia contra Ele. Agora, eu acho que é melhor ficar com raiva de Deus do que se afastar dele. É melhor enfrentar com franqueza os nossos sentimentos reais e deixar que Ele saiba como nos sentimos. Isso é horrível. Meu travesseiro ficava molhado com todas as minhas lágrimas; sentia-me cansada e doente e parecia não poder agüentar mais nenhum minuto. Mesmo assim, foi muito melhor do que assumir um sorriso de propaganda de creme dental e andar por aí cerrando os dentes e fazendo de conta que não estava doendo.

Mas preciso admitir que depois sentia alguma culpa. Contudo, ficava encorajada, lendo exemplos nos Salmos. Em muitos deles, Davi vocifera e clama, e não consegue entender o que Deus está fazendo. Mas, no final, vê-se invariavelmente um raio de esperança: “mas eu confiarei em ti”.

O exemplo de Jeremias também foi um encorajamento. Ele ficou terrivelmente deprimido por causa do horror da guerra, da invasão e da crueldade e zombaria que havia no seu tempo. Mas Jeremias diz que a bondade amorosa de Deus nunca acaba, suas misericórdias se renovam todas as manhãs, sua compaixão nunca falha, por isso ele confiaria em Deus.

Esses exemplos de pessoas na Bíblia que foram muito reais, muito honestas, muito humanas representaram um grande encorajamento. Foram pessoas que sentiram raiva, ficaram perturbadas e deprimidas. Não foram um punhado de santos de plástico, mas homens e mulheres de verdade que sofreram e, ainda assim, continuaram apegados ao que sabiam ser a verdade a respeito de Deus.

Conviver com limitações físicas nunca será fácil. Mas nos muitos anos que se passaram desde aquelas primeiras lutas com a depressão, cheguei a ver que cremos em Deus, nunca porque seja fácil, mas porque Ele é verdadeiro!




Joni, 50 anos, ficou tetraplégica aos 17, em julho de 1967, por causa de um acidente de mergulho na Baía de Chesapeack, na costa oriental dos Estados Unidos. É autora de Joni e Um Passo Mais.



Transcrito de Fundamentos da Teologia Cristã, p. 183, com permissão da Editora Vida.

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