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Opinião

Tendências no budismo: um desafio para a igreja cristã

Muitos querem perguntar: “Quantos budistas existem?” Mas talvez uma pergunta mais importante seja: “Quanta influência as ideias budistas exercem hoje nas culturas ao redor do mundo?”

Por Steve Griffiths

Mosteiro budista tibetano TaO sol se punha lentamente atrás das montanhas numa noite poeirenta no norte da Tailândia. A sala estava lotada com uma multidão impressionantemente diversa, vinda do Butão, Nepal, Mianmar, Camboja, Índia, Sri Lanka, Laos, Japão, Vietnã, Malásia, Coreia e, claro, da Tailândia. Havia um clima de expectativa quando a pastora tailandesa Mali Boonitt se aproximou para fazer a abertura. Ela falou de forma comovente sobre seu amor por seu povo e seu desejo de ver muito mais tailandeses seguindo a Jesus. Mas destacou que 200 anos de testemunho cristão pareciam ter caído em solo pedregoso na Tailândia. “Já estou velha”, disse a pastora Boonitt, “então, hoje minha oração é um pedido simples: que Deus me conceda o privilégio de ver o evangelho avançar entre o povo tailandês antes que eu morra!”
As palavras emocionantes da pastora Boonitt deram o tom ao Fórum SEANET XXVII, uma conferência anual organizada pela rede SEANET* com foco no mundo budista. O tema deste ano foi: “Boas Práticas: Explorando Estratégias Frutíferas para Alcançar Budistas com o Evangelho”. Um grande encorajamento para os participantes foi perceber que provavelmente cerca de um terço deles havia nascido em comunidades budistas, mas se tornado discípulos de Jesus Cristo.

O Leste Asiático é uma região com um bilhão de pessoas influenciadas pelo budismo. A natureza da identidade comunitária, social, religiosa e nacional faz com que muitos não consigam conceber a possibilidade de seguir qualquer religião que não seja o budismo. Como resultado, apenas um em cada dez asiáticos conhece um cristão. Essa parte do mundo, com sua vasta população influenciada pelo budismo, é a região menos alcançada do planeta. Isso continua sendo um enorme desafio para a igreja global.
 
Juntos, os delegados refletiram sobre o mundo budista como ele é hoje. Não o budismo dos textos religiosos nem o de séculos passados — mas o budismo contemporâneo, que está sendo remodelado pela globalização, migração, tecnologia, crescimento econômico e mudanças geracionais.

Em algumas partes do mundo budista os números podem estar diminuindo. Em outras, permanecem estáveis. Em algumas regiões, estão crescendo. O budismo não está desaparecendo. Muitos querem perguntar: “Quantos budistas existem?” Mas talvez uma pergunta mais importante seja: “Quanta influência as ideias budistas exercem hoje nas culturas ao redor do mundo?”

Embora várias grandes tendências tenham sido identificadas, pode ser útil focar em três delas e em como oferecem pontos-chave de conexão para o engajamento cristão.

Pétalas de cerejeira caindo em frente ao portão de um templo budista, Saishoin, em Hirosaki, Aomori, Japão. Crédito: OMFPrimeiramente: uma busca por bem-estar duradouro em um contexto religioso que se tornou terapêutico, mais do que transformador.
Uma das mudanças mais visíveis e surpreendentes é que o budismo está se tornando cada vez mais terapêutico. Tradicionalmente, o budismo buscava o desligamento do mundo e focava na libertação do samsara, o ciclo de sofrimento e renascimento. Buscava-se a libertação final no nirvana — que, por um lado, oferecia liberdade da lei do karma e, por outro, a tão desejada extinção como ser individual.

Hoje, porém, especialmente em contextos urbanos e globalizados, o foco mudou para saúde mental, redução do estresse, paz interior e resiliência. Atenção plena (mindfulness) e meditação estão por toda parte. São ensinadas em escolas, empresas e hospitais — não apenas em países budistas, mas ao redor do mundo. Muitas vezes desconectadas da doutrina budista tradicional, são apresentadas simplesmente como ferramentas para lidar com a vida.
Em vez de descartar essa tendência, devemos notar que ela revela algo importante. As pessoas no mundo budista estão cansadas, ansiosas e sobrecarregadas. Há uma fome profunda por bem-estar. Mas quando a religião se torna principalmente terapêutica, ela também pode se tornar individualista e orientada por desempenho. Isso é especialmente verdadeiro em um contexto budista, onde a única pessoa que pode me salvar sou eu mesmo. Minha religião se torna mais um projeto de autoaperfeiçoamento.
 
Complicando essa busca por bem-estar está a realidade da autoridade monástica budista sob pressão. Houve escândalos de corrupção financeira, falhas morais, envolvimento político, conexões com o crime organizado e monges celebridades acumulando riqueza. Fé nos Negócios é atualmente a série de TV mais popular na Tailândia, retratando a exploração da piedade budista como fachada para empreendimento criminoso e engano em massa — algo impensável duas décadas atrás. A maioria das pessoas não está abandonando o budismo em si. Mas muitos estão perdendo a confiança nas instituições.

Quando líderes espirituais falham moralmente — como tem ocorrido em vários contextos budistas — as pessoas começam a fazer perguntas mais profundas: “Esse caminho realmente produz pessoas boas?” e “Posso realmente confiar naqueles que o ensinam?”
 
É aqui que a integridade dos cristãos se torna importante. O evangelho não oferece apenas técnicas para lidar com a vida. Ele oferece transformação pela graça. O cristianismo não diz que somos salvos por desempenho perfeito, nem curados por atenção plena perfeita, nem aceitos por dominar nosso mundo interior. Somos salvos pela graça. E quando cristãos vivem em contextos budistas com humildade, perdão, fidelidade e coerência moral capacitada pelo Espírito, esse testemunho encarnado fala alto nesta era do autoaperfeiçoamento.

Cristãos que atuam em contextos budistas enfatizaram que a credibilidade do mensageiro importa mais do que a sofisticação do argumento. Precisamos enviar obreiros confiáveis, cujas vidas correspondam à sua mensagem. Em um mundo que pergunta “Isso funciona?”, demonstramos que o evangelho realmente transforma pessoas reais.

Em segundo lugar,
um questionamento da autoridade religiosa, cada vez mais abusada em favor de riqueza, política e poder

Há uma enorme ruptura social acontecendo. 80% dos tailandeses passam 10 horas ou mais por dia no celular. A tela está substituindo o templo. A urbanização está acelerando. A migração de trabalhadores faz com que vastos números de jovens adultos deixem suas aldeias. Famílias estão fragmentadas entre cidades ou países.

A vida budista tradicional no Leste Asiático sempre foi baseada na aldeia e marcada por ritmos de ciclos de mérito e festivais no templo. A ordenação temporária de jovens como monges tem sido um rito de passagem por gerações. Mas quando as pessoas se mudam para as cidades e trabalham longas horas, esses ritmos se quebram — e algo profundo acontece. As pessoas começam a perguntar não apenas “Qual prática religiosa funciona?”, mas “Onde eu pertenço?”
Solidão, deslocamento e fragmentação social estão crescendo. E aqui vemos uma das mais belas forças da fé cristã: a comunidade. Em sua melhor expressão, a igreja não é apenas sobre rituais ou espiritualidade privada. É sobre vida compartilhada, pertencimento, cuidado mútuo, responsabilidade, perdão e restauração. Em contextos migratórios, especialmente, as igrejas frequentemente se tornam novas estruturas familiares. E em um mundo onde a confiança institucional está enfraquecendo, a credibilidade relacional se torna central.

Repetidamente, aqueles que trabalham entre budistas afirmam que viver o Grande Mandamento é fundamental: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças… Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Precisamos enviar pessoas que vivam em amor e estejam aprendendo a amar. Em uma cultura budista, que muitas vezes é comunitária, ser um cônjuge amoroso e um pai ou mãe amoroso é algo muito visível! Acrescente a isso ser amigos dedicados e vizinhos fiéis — e o fruto vem. Em uma sociedade fragmentada, onde relacionamentos são frequentemente transacionais, há uma fome pelo amor generoso encontrado na comunidade cristã autêntica.



Em terceiro lugar, Um anseio por comunidade significativa em meio à solidão do
deslocamento social e da conectividade virtual superficial

Em toda a Ásia, budistas estão cada vez mais envolvidos com ecologia, ativismo climático, construção da paz, trabalho humanitário e ética pública — especialmente nas gerações Z e Alpha. Em vez da tradicional evitação budista das paixões e busca de separação do mundo, há um profundo desejo de propósito e impacto visível. Jovens perguntam: “Que diferença posso fazer?” ou “Como posso ajudar o mundo?”
 
Aqui encontramos tanto ressonância quanto distinção. Reconhecendo plenamente a queda e a ruptura da criação, o cristianismo afirma o engajamento neste mundo. Importamo-nos com justiça, com os pobres, com a criação e com a reconciliação. Mas o cristianismo também apresenta algo único: uma esperança que é ao mesmo tempo presente e eterna. Resistimos aos dois extremos — o escapismo (“Só o céu importa”) e o reducionismo (“Só este mundo importa”).

Durante o Fórum foi mencionado que o livro de Eclesiastes é uma ponte poderosa no mundo budista. Ele reconhece honestamente que a vida muitas vezes parece fútil, sem sentido e cheia de sofrimento. Isso ressoa profundamente com a filosofia budista. Um dos participantes comentou que vários pensadores budistas que ele conhecia haviam observado a semelhança entre o primeiro capítulo de Eclesiastes e o primeiro sermão pregado por Buda.
 
Mas o Mestre em Eclesiastes faz algo crucial que Buda não fez: inclui o Criador em seus escritos. Ele situa o sofrimento e a futilidade dentro de uma história maior. A esperança cristã afirma que este mundo importa e que a história está caminhando para um propósito. Não abandonamos este mundo, mas também não colocamos toda a nossa esperança em consertá-lo por nossos próprios esforços. A renovação virá não apenas pelo esforço humano, mas pela obra redentora de Deus em renovar todas as coisas. Essa combinação de engajamento presente e esperança eterna pode falar profundamente a uma geração mais jovem de budistas que deseja significado sem desespero.

 
Crédito: SEANETEntão, o que vemos na paisagem budista de hoje? 
 
Uma busca por bem-estar duradouro em um contexto religioso que se tornou terapêutico, mais do que transformador. Um questionamento da autoridade religiosa, cada vez mais abusada em favor de riqueza, política e poder. Um anseio por comunidade significativa em meio à solidão do deslocamento social e da conectividade virtual superficial.
 
Os delegados observaram com tristeza que essas tendências dentro do budismo espelham tendências semelhantes dentro do cristianismo. Isso nos convida à humildade, e não ao triunfalismo. O testemunho autêntico exige continuamente autoexame e o poder transformador e de convencimento do Espírito Santo, tanto quanto análise cultural.
 
E como respondemos? Não principalmente com argumentos. Não com superioridade cultural. Não com triunfalismo. Mas com fidelidade encarnada e integridade, comunidade genuína e esperança profunda. E, acima de tudo, com dependência do poder do Espírito Santo. Aqueles que compartilharam seus estudos sobre conversão em contextos budistas observaram algo surpreendente: a oração respondida muitas vezes é o ponto de partida. Antes que a doutrina seja compreendida, antes que a teologia seja plenamente assimilada, alguém ora com um amigo budista — e Deus responde — e corações se abrem.

Reunimo-nos na Tailândia para considerar estratégias frutíferas para alcançar budistas com o evangelho. Foi marcante perceber que os pontos de partida mais estratégicos para compartilhar as Boas Novas continuam sendo os mesmos de sempre: oração, vidas transformadas em obediência fiel, comunidades acolhedoras e amorosas que perseveram, e aprender a compartilhar nossa esperança profunda, enraizada em Cristo — para hoje e para todos os nossos amanhãs.

 
Notas:
* SEANET é uma rede desenvolvida para uma mega esfera negligenciada: o budismo. O nome SEANET é formado pelas iniciais de South, East, Southeast, and North Asia NETwork (Rede da Ásia do Sul, Leste, Sudeste e Norte), onde um bilhão de budistas aguardam a iluminação.
 
  • Steve Griffiths, missionário da OMF, é zimbabuano e médico de formação. Juntamente com sua esposa, Anna, ele trabalha em contextos muçulmanos e budistas há 25 anos. Em parceria com o movimento missionário brasileiro, eles buscam conscientizar as pessoas sobre os povos não alcançados do Leste Asiático.

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