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Opinião

Noé – a verdadeira história

Estamos acompanhando nas redes sociais toda uma polêmica em torno do filme “Noé”, estrelado por Russell Crowe. A opinião geral não tem sido favorável. Os cristãos que conhecem a Bíblia lamentam que o filme, de modo algum, é fiel ao relato bíblico, e peca contra algumas importantes doutrinas cristãs. Assim sendo, pareceu-me oportuno postar aqui a verdadeira história bíblica, com um pouco mais, ou seja, gráfico, mapa e informações arqueológicas. Este material é parte do meu livro “HGB – História e Geografia Bíblica” (esgotado).

A história do Dilúvio, que inclui a de Noé, é uma das histórias bíblicas mais conhecidas, secularmente também. E isto não somente por causa do filme Noé, mas também por um outro filme, mais antigo, “Impacto Profundo”, sobre possível destruição da humanidade por colisão de um meteoro com a Terra. Neste filme, o abrigo subterrâneo onde se poderia salvar uma representação da raça foi chamado de “Arca de Noé”.

Essa história é desacreditada por muitos, mas Jesus referiu-se à mesma como fato histórico; os apóstolos Paulo, Pedro e o autor da Epístola aos Hebreus também (Mt 24.37-39; Lc 17.26-27; 2 Pe 2.5; Hb 11.7). Além disso, há provas científicas de um grande dilúvio em épocas remotas. Vamos citá-las no fim deste post. Por agora, vamos examinar o relato bíblico.

1. Deus anuncia o dilúvio (Gênesis 6.1-14)
Nos versos 1-5 há algumas referências obscuras, difíceis de entender.

a) “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres…” Quem foram os “filhos de Deus” que se casaram com as “filhas dos homens”? A interpretação mais simples e contextual é que as expressões “filhos de Deus” e “filhas dos homens” referem-se, respectivamente, aos homens piedosos da linhagem de Sete (um dos filhos de Adão e Eva, Gênesis 4.25-26)  e às mulheres ímpias da linhagem de Caim (outro dos filhos de Adão e Eva, Gênesis 4). O intercurso sexual entre eles precipitou a corrupção generalizada que antecedeu o dilúvio.

b) “Ora, naquele tempo, havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome na antiguidade …”

A palavra “gigantes” é tradução do hebraico “nephilim” (plural), que significa “caídos”. Muitos associam os “nephilim” aos referidos “filhos de Deus” e entendem que os filhos que tiveram com as “filhas dos homens” também foram “nephilim”. Estes indivíduos agigantados e valentes não souberam usar seus dons e valentia, e pecaram ainda mais que seus pais. Ficaram famosos, mas por sua maldade…“Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração; então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração…” (vs.5-6).

c) Então disse o Senhor: "O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois ele é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos" (v. 3). O Espírito de Deus dá vida a todos; age em todos. Se Deus o retira, todos perecem. O castigo anunciado aqui é justamente este. Porém, graciosamente, Deus prometeu esperar cento e vinte anos.

d) Disse o Senhor: “Farei desaparecer da face da terra… o homem e o animal… porque me arrependo de os haver feito…” (v.7). O arrependimento de Deus, naturalmente, não é como o do homem quando reconhece e lamenta um erro, um pecado. A linguagem é antropopática, ou seja, atribui a Deus sentimentos humanos. O “arrependimento” de Deus é uma mudança de atitude e ação, não porque a anterior fosse errada, mas porque as circunstâncias mudaram.

e) A maldade e a corrupção nos dias daqueles “nephilim” foram extremas e generalizadas. Todavia, houve um homem, da antiga linhagem de Sete, que, de algum modo, com a graça de Deus, não se corrompeu. “Noé achou graça diante do Senhor… Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus. Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé” (Gênesis 6.8-10).

O texto não diz, mas podemos subentender que a mulher de Noé também era piedosa. O casal não se corrompeu. E seus filhos cresceram num lar piedoso. Deus ordenou a Noé que construísse uma arca na qual ele e sua família seriam salvos.

2. A arca de Noé (Gênesis 6.14-22)
a) O tipo da embarcação. A arca de Noé parecia-se mais com uma caixa do que com um navio; não foi feita para navegar, mas para flutuar. Aliás, a palavra hebraica traduzida por “arca”, em Gn 6.14, ocorre somente em mais uma passagem, para descrever o cesto em que o menino Moisés flutuou no rio Nilo (Êxodo 2.3).

b) As dimensões da arca. Estão especificadas em Gênesis 6.15: comprimento: 133 m; largura: 23 m; altura: 14 m. A Caravela Santa Maria, de Pedro Álvares Cabral, tinha 30m de comprimento; um transatlântico tem cerca de 258m.

c) Cuidados especiais. Abertura ao redor, uma porta lateral, três pavimentos… (6.16). A porta é de importância óbvia e seria um tipo ou símbolo de Cristo, a Porta do Aprisco e da Salvação (João 10.9).

d) Os passageiros. Noé, sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos, oito pessoas ao todo (Gênesis 6.18; 7.7,13; I Pedro 3.20; 2 Pedro 2.5). Estas passagens, a referência à longanimidade de Deus e à pregação de Noé, assim como a tipologia da porta dão a entender que outros poderiam ter entrado, mediante arrependimento e fé.

e) A carga. Dois animais de cada espécie, macho e fêmea (6.19-21). Note que dos animais limpos, Noé embarcou 7 pares. (Gênesis 7.2-3). Depois veremos o porquê.

3. As águas do dilúvio (Gênesis 7.10-12)
a) “Romperam-se as fontes do grande abismo.” A terra foi invadida pelas águas dos mares circundantes (Mediterrâneo, Negro, Cáspio, Golfo Pérsico, Oceano Índico).
b) “As comportas dos céus se abriram”, isto é, houve “copiosa chuva” durante 40 dias.
c) “Prevaleceram as águas excessivamente sobre a terra, e cobriram todos os altos montes…” (Gênesis 7.19; 2 Pedro 3.6).

4. A cronologia do dilúvio
a) Noé entrou na arca 7 dias antes de começar o dilúvio. Estava com 600 anos de idade (Gênesis 7.1,4,10; 7.6).
b) Noé passou 379 dias dentro da arca, 1 ano e 13 dias; foram 5 meses vogando sobre as águas e 7 meses encalhado no Monte Ararate (7.11-13; 8.13-16).
c) Quando no Ararate, Noé soltou um corvo e, posteriormente, por três vezes, em dias esparsos, uma pomba. Queria saber se já havia terra seca. Da segunda vez, a pomba voltou trazendo uma folha nova de oliveira, e “entendeu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra” (Gênesis 8.6-11). Esperou mais sete dias e soltou a pomba outra vez; “ela, porém, já não tornou a ele” (8.12).

d) Ao desembarcar, a primeira coisa que Noé fez foi construir um altar, sacrificar animais limpos e oferecê-los ao Senhor (8.20). (Ele embarcara pares extras de animais limpos, 7.2-3). A nova humanidade começou com um culto! Culto como o de Abel, aceitável a Deus (8.21). Note uma vez mais a presença de sacrifícios animais. “Um filete de sangue percorre a Bíblia” (D. Moody). Levíticos 17.11.

5. A aliança de Deus com Noé (Gênesis 6.18; 9.9-17)
a) Esta é a primeira menção de aliança na Bíblia: “Contigo estabelecerei a minha aliança…” (6.18).

b) O conteúdo da aliança de Deus com Noé: “Não será mais destruída toda a carne por águas de dilúvio, nem mais haverá dilúvio para destruir a terra” (9.9-11).

c) O sinal desta aliança é o arco-íris (9.12-17).

6. A arqueologia e a geologia comprovam o dilúvio
Os arqueólogos têm encontrado registros interessantes de um dilúvio de grandes proporções, ocorrido em eras remotas. São tradições antigas, evidentemente pagãs, mas que comprovam o fato em si.

a) Egípcia: Os deuses certa vez purificaram a terra por um dilúvio, do qual só uns poucos pastores escaparam.

b) Grega: Deucalião, avisado de que os deuses iam trazer uma inundação à terra, por causa da grande perversidade desta, construiu uma arca, que repousou no monte Parnasso. Uma pomba foi solta duas vezes.

c) Babilônica: Conhecida como Épico de Gilgamés. Neste seu poema, Gilgamés, quinto rei da dinastia de Ereque, conta sua visita a Utnapistim, o Noé babilônico, a procura do segredo da vida eterna. Utnapistim, então, contou a Gilgamés a história do dilúvio e como escapou dele.

Faz poucos anos, uma camada de lama, evidentemente depositada por dilúvio, foi encontrada em quatro lugares distintos, na região Mesopotâmica: Ur, a 19 km do lugar tradicional do Éden; Fara, 96 km mais acima; Quis, subúrbio da cidade de Babilônia, mais além; e Nínive, bem mais ao norte.

7. A tipologia do dilúvio
- No Dilúvio, a iniciativa da salvação foi de Deus. Foi ele quem idealizou e mandou construir a arca. Assim também é a salvação em Cristo. “Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).
- No dilúvio, Deus providenciou a arca, mas os que se salvaram tiveram que crer e entrar na arca. Assim também a salvação em Cristo. “Crê… e serás salvo” (Atos 16.31).
- A arca de Noé tinha uma porta, uma só. Jesus disse: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo…” (João 10.9).
- Os passageiros da arca tiveram total segurança. Assim também quem está em Cristo. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8.31).

Nota:
Artigo publicado originalmente no blog do autor. 

• Éber Lenz Cesar é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). É irmão de Elben César, redator-fundador da revista Ultimato.

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