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Por Escrito

Dedicação, humor e (muita!) paciência na tradução da Bíblia para o Kaiwá

Entrevista com Audrey Helen Taylor

A Bíblia é traduzida desde, pelo menos, a época de Esdras e Neemias – “Eles iam lendo o Livro da Lei e traduzindo; e davam explicações para que o povo entendesse o que era lido” (Ne 8.8). Naquela época, era necessário fazer uma tradução oral ou falada para o aramaico, necessidade sentida ainda nos tempos de Jesus. A mais antiga tradução da Bíblia em forma escrita é a Septuaginta, que foi feita ao longo dos últimos 200 ou 300 anos antes de Cristo.
 
Já na era cristã, surgiram novas traduções, para línguas como o copta (no Egito), o etíope, o siríaco (no norte da terra de Israel), e o latim, além de muitas outras.
Atualmente, 674 línguas (faladas por mais de 5,4 bilhões de pessoas) têm uma Bíblia completa. Outras 1.515 línguas (faladas por 631 milhões de pessoas) têm o Novo Testamento.
 
Graças ao esforço de uma equipe de missionários e indígenas dedicados à tradução da Bíblia, o povo indígena Kaiwá consta na estatística dos que já têm a Bíblia completa em sua língua desde 2013. D. Audrey Helen Taylor, entrevistada por Ultimato, fez parte desta equipe de tradutores. Ela e seu esposo, Jonh Taylor, entenderam ainda jovens a chamada de Deus para o trabalho de tradução e dedicaram-se por mais de trinta anos ao exercício dessa vocação.
 
Na entrevista a seguir, D. Audrey conta sobre o percurso de trabalho, da dedicação necessária e de como ela e a equipe de tradução tornaram-se amigos durante os longos anos de trabalho. Segundo ela, dois requisitos para um bom trabalho são amor e (muita!) paciência.
 
Atualmente, com 90 anos, D. Audrey mora na Inglaterra, mas ainda visita o Brasil pelo menos duas vezes ao ano e faz questão de visitar os amigos que deixou no país.
 
Quando foi que a senhora e seu marido, John Taylor, entenderam que Deus os estava chamando para o trabalho missionário? 

No meu caso, foi depois da tragédia envolvendo cinco missionários que queriam levar o evangelho para os índios Auca, no Equador, e foram mortos por eles, em 1956.
 
Para meu marido John, foi quando ele estava estudando na Universidade de Oxford. Ele ouviu uma palestra de um médico que trabalhava no Oriente. Este médico disse que a Bíblia na língua do povo abençoava-o muito mais do que a ajuda médica. Por isso, John entendeu que Deus o estava chamando para fazer o trabalho de tradução.
 
John e eu não nos conhecíamos quando fomos chamados. Isso só aconteceu durante o curso de linguística que fizemos como parte da preparação missionária.
 
Conte como foi o processo de tradução da Bíblia para o Kaiwá– quando, onde e por que começou? 

John e eu começamos quando tínhamos experiência no uso da língua, depois de analisá-la. Isso foi mais ou menos no fim do primeiro ano morando e conversando diariamente com os Kaiwá. Notamos que havia um grupo interessado em Jesus e nas histórias bíblicas que contávamos com ilustrações colocadas nas paredes da nossa casa de sapé.
 
Sabemos que a tradução da Bíblia foi feita por uma equipe que incluía d. Loraine Irene Bridgeman, seu esposo, a senhora e por certo alguns outros missionários e indígenas. Qual é o segredo do trabalho em equipe para a tradução da Bíblia para uma língua indígena? 

A primeira coisa é que precisamos de amor. Amor por nosso Deus e também pelo povo com quem trabalhamos. É preciso também paciência (bastante!).
 
Outra necessidade é preparar bem o trecho que está sendo traduzido, encontrar expressões que podem dar problema. Às vezes é necessário explicar mais detalhadamente ou desenhar. Também é preciso muita oração!
 
Por quantos anos a senhora e seu esposo moraram entre os indígenas e trabalharam na tradução da Bíblia? 

No início, morávamos entre os Kaiwá por tempo integral, durante 4 anos. Mas depois houve um congresso (da Missão Wycliffe) quando o John (meu marido) foi eleito como Diretor. Depois disso, por mais de 20 anos, a família morou e trabalhou entre Brasília e Dourados. O Evangelho segundo Marcos foi o primeiro livro da Bíblia a ser traduzido para o Kaiwá e publicado em 1986. A Bíblia inteira saiu em 2013, depois que o meu marido tinha ido para a glória.
 
Além do conhecimento da língua e de conteúdo da linguística, o que é preciso para fazer uma boa tradução da Bíblia? 

Precisamos de paciência (muita), amor por Deus e pelo povo da tribo e por qualquer outra pessoa que nos visita, ou com quem é preciso trabalhar. Também é preciso certeza que Deus o tem chamado para este trabalho (importante para ambas as pessoas quando se trata de um casal). É preciso também de um bom senso de humor!
E deixar Deus decidir quanto tempo você vai demorar para realizar o que ele está querendo de você.
 
A senhora também colaborou para a tradução de músicas para o Kaiwá? 

Sim. Os Kaiwá gostam muito de cantar e nós reunimos as músicas que foram criadas por eles e as traduzidas do português ou do inglês. O nosso hinário agora tem 267 hinos em Kaiwá, e foi reimpresso mais de quinze vezes.
 
Existe um coral Kaiwá que se chama Coral Mitã Rory que quer dizer Coral de Crianças Felizes. É formado por cinquenta crianças cujo líder é um kaiwá que cantava e tocava violão desde 6 anos de idade – eu o conheci menino! Esse coral já se apresentou na televisão brasileira cantando hinos na sua própria língua. (foi lindo!). A música é muito importante para o povo Kaiwá e todos querem possuir o seu próprio hinário, o Japorahéi Joa (Vamos cantar juntos).
 
Qual é a importância da participação dos próprios indígenas no processo de tradução da Bíblia? 

Realmente é muito importante porque enquanto ajudam na tradução, eles estão conhecendo melhor o que a Bíblía diz e eles também podem trocar uma palavra errada ou fornecer uma expressão melhor. A gente nota que eles estão entendendo mais o que Deus quer dizer para nós. 
 
O que mais marcou a senhora durante o seu trabalho na equipe de tradução da Bíblia para o Kaiwá? 

O fato de que os Kaiwá ficaram nossos amigos de verdade e compartilharam suas perguntas e suas ideas sem problema. Você se torna um membro da família deles.
 
Em sua opinião, o que não pode faltar na vida e na experiência de jovens missionários tradutores da Bíblia? 

O que não pode faltar na vida e experiência de jovens missionários é que eles mostrem através dos seus atos e conversa que eles recebem os indígenas como pessoas iguais a eles, e que estão querendo viver como Jesus vivia quando veio ao nosso mundo. 
 
Nota: Com informações da Sociedade Bíblica do Brasil.
 
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