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Palavra do leitor

A fé não para desdoidar, mas transformar

"O desafio de falar de fé, diante de uma sociedade arreligiosa, desafeita a acreditar em pautas de profundidade e autenticidade interior, torna-se na mais intensa e incisiva pauta de ser igreja’’.

A obra escrita pelo sublime Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas, aborda um personagem marcado por ser um assassino, por ser um matador, podemos dizer, profissional, ao afirmar de que a religião serve para não desdoidar, não endoidecer, não pirar, não surtar, diante das contradições e das controvérsias, das farsas e das abominações, das distorções da justiça e do respeito ao ser humano. Devo anotar, ao folhear pelas páginas da história do ser humano, para o momento ora vivenciado, percebe-se uma realidade subjugada ao caudilho ditatorial, as articulações tentaculares de um relativismo irrestrito, de um receio de assumir posições mais claras, mais específicas, mais plenas, numa aversão ao certo e ao errado, ao bom e ao mal, ao justo e ao iníquo, como se tudo dependesse de interpretações decorrentes de influências das mais variadas. Não por menos, estamos perante a deificação dos impulsos egoístas, da divinização dos desejos e dos anseios, da vida reduzida a leitura da satisfação imediata, numa infindável espiral de consumir e descartar, de encontros casuais e repulsivos a padrões mais elevados, mais exigentes. Nada disso, as vezes, tudo indica a fé ser um amuleto para os eventos de perdas e cerimoniais, ainda mantidos, por serem partes da cultura ou para pessoas desvencilhadas de qualquer sentido, destino ou motivo na existência. Então, será possível encontrar caminhos para ainda discorrer sobre a fé, sobre a fé cristã, sobre o Deus esculpido pela tradição judaico-cristã? O por qual motivo não conseguimos levar uma mensagem para participar e impactar os centros da nossa vida e não permanecer como válvula de escape, como desculpa esfarrapada, quando não há mais nada a fazer, a dizer e intervir? Ouso afirmar, mesmo com todos os turbilhões de uma realidade, cada vez mais, alinhada pelas direções da era digital, da inteligência artificial, da automatização dos meios pelo qual o ser humano se faz como ser de criação e expansão, com os enfoques de uma cidadania virtual, como se pudéssemos estar atrelados a múltiplos locais, a partir de um (ser um cidadão nascido no Brasil, com a cidadania da Estônia, de Singapura, sem precisar se deslocar da terra nascente ou natal), ao falar de fé, leva-nos a alcançar uma ponderação do que é válido ou não, daquilo que nos invade com sentido, com destino e com motivo de vida, de esperança, de misericórdia, de não se conformar com os desatinos, com os abusos e com as arbitrariedades. A fé, em questão, não se refere a soerguer estandartes fundamentalistas e inexoravelmente movidos por forças demônicas ou destrutivas. Diametralmente oposto, menciono a fé a qual contagia todos os cantos e recantos da nossa vida e faz com que um encontro, um telefonema, um serviço, um projeto, uma notícia, um texto, um escutar, um estender as mãos, um ir ao outro sejam, entre outros exemplos, caminhos para acarretar vida, para construir vida, para animar a vida, para restaurar a vida, para reunir, reconciliar, aproximar e expandir a vida. Vale dizer, a fé personificada em Jesus, o Cristo, não serve para desdoidar, manter-nos nas aparências, no faz de conta, porque nos desafia para uma transformação, para algo novo, para uma direção de sermos inteiros, apesar dos pedaços, do que perdeu sua finalidade e deve ser jogado fora, daquilo que não acrescenta e não faz diferença, para nos abrir para o novo de oportunidades e notícias boas. Por fim, a fé dos evangelhos não visa nos desdoidar, mas sim nos transformar, a cada dia, em glória e glória.

Baruch Há Shem!
São Paulo - SP
Textos publicados: 169 [ver]

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