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A ação terapêutica do perdão de pecados


Muitas pessoas não sentem a bem-aventurada necessidade do perdão de Deus. Nem sequer passa pela cabeça delas a ideia do perdão. São pessoas irreligiosas na teoria e na prática, descomprometidas, sem o menor temor do Senhor. Para haver uma notável reviravolta, elas precisam ser trabalhadas antes de tudo pela graça de Deus.

 

Essa insensibilidade, esse apagão frente ao pecado e ao perdão em grande parte é devido ao não cumprimento da Grande Comissão, dada por Jesus aos seus discípulos pouco antes de sua ascensão. O Senhor ordena que a mensagem deles seja “sobre o arrependimento e o perdão dos pecados” (Lc 24.47). Se os ministros religiosos de hoje fossem como os profetas de ontem, um número muito maior de pessoas passariam a sentir necessidade de perdão e correriam atrás dele.

 

Além da omissão há também o problema da distorção. Hoje quase não se fala em perdão -- fala-se mais em cura. Quase não se fala em pecado -- fala-se mais em doença. Quase não se fala em pecaminosidade -- fala-se mais em prosperidade. Somos curados, mas não perdoados. Somos livres do câncer, mas não da culpa. Se a cura pressupõe a doença, o perdão pressupõe a culpa. Negar a doença não leva à cura. Negar a culpa não leva ao perdão. Em alguns casos a remissão da culpa pode contribuir para a remissão da doença. Em tudo, o perdão sempre leva vantagem!

 

Há distúrbios emocionais bastante desagradáveis, que são provocados por desacertos, por equívocos, por escorregões morais, por omissões e transgressões. O bom comportamento é um ótimo protetor do bem-estar, da saúde emocional. Aliás, Billy Graham uma vez escreveu que as leis de Deus são placas sinalizadoras fincadas em ambas as margens da estrada da vida para nos proteger de algum acidente desastroso.

O perdão de Deus é tão saudável que acaba com alguns distúrbios emocionais causados pelo pecado, como, por exemplo, o autonojo, o auto-ódio e a autodepreciação.

 

O autonojo

 

A Bíblia fala de coisas nojentas, pecados nojentos, ídolos nojentos, especialmente no livro de Ezequiel (7.4; 11.21; 20.8 etc). Eram práticas tão nojentas que até as nações pagãs tinham nojo daqueles que as faziam (Ez 22.16). O livro de Isaías descreve a situação moral do povo eleito de sua época: “Da ponta dos pés até o alto da cabeça nada está bem: machucaduras, escoriações, feridas abertas, não cuidadas, não lavadas, não tratadas” (Is 1.6, AM). Mais na frente, o profeta acrescenta: “Todos nós nos tornamos impuros, todas as nossas ações são como trapos sujos” (Is 64.6). Ao tratar da sujeira interior, Jesus vociferou contra os hipócritas: “Vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão” (Mt 23.27).

 

Em ocasiões assim, nada pode impedir que a graça venha à tona e mude o quadro: “Borrifarei água limpa sobre vocês e os purificarei de todos os seus ídolos e todas as coisas nojentas que vocês têm feito” (Ez 36.25). Afinal, “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7).

 

A graça de Deus cura o autonojo. Davi tinha tanta certeza disso que em sua confissão, ele clama: “Purifica-me de todas as minhas maldades [ou sujeiras] e lava-me do meu pecado” (Sl 51.2). Ele estava certo de que ficaria “mais branco que a neve” (Sl 51.7).

Numa das peças de Shakespeare, certa mulher, que foi cúmplice do marido no assassinato de um rei, tenta livrar-se, por vias naturais, do autonojo que a acometeu. Lady Macbeth sente a mão suja de sangue, mesmo lavada cuidadosamente vezes seguidas. Em seu desespero, confessa: “Nem todos os perfumes da Arábia jamais limparão esta pequena mão”.

 

O auto-ódio

 

Existe tal coisa como auto-ódio? Existe, sim. É um sentimento estranho e até perigoso. Perigoso porque quem odeia muito e não consegue controlar o ódio pode ser induzido a tirar a vida de quem odeia. Se o ódio é contra si mesmo, ela corre o risco de cometer suicídio. Basta ler uma passagem de Ezequiel, referindo-se aos israelitas de seu tempo: “Eles odiarão a si mesmos por causa das suas maldades e das coisas nojentas que fizeram” (Ez 6.9).

 

Será que Davi não teve momentos de ódio de si mesmo por ter interrompido a sua comunhão serena com Deus, por ter manchado sua reputação, por ter pecado contra suas esposas, seus filhos, Urias e Bate-Seba? Por ter cedido ao clamor do sexo, o salmista teria antecipado o apóstolo Paulo, quando este gritou: “Miserável homem que eu sou” (Rm 7.24).

 

Será que o filho pródigo não teve ódio de si mesmo quando, assentado num chiqueiro de porcos, lembrou-se da besteira que havia feito jogando fora a herança do pai em troca de alguns dias de prazeres carnais, enquanto os colonos da fazenda do pai comiam e bebiam com fartura?

 

Será que Pedro não teve ódio de si mesmo quando o galo cantou e Jesus virou o rosto em sua direção? Quando percebeu que havia negado três vezes ao Senhor, no momento mais impróprio possível e depois de garantir, poucas horas antes, que jamais faria tal coisa?

 

Será que Judas não teve ódio de si mesmo quando viu que Jesus havia sido condenado por Herodes? Por que o apóstolo após a tentativa fracassada de reparar a traição, comete suicídio? Não será este um exemplo do risco de morte por causa da agonia do auto-ódio não curado?

 

A autodepreciação

 

Não é possível evitar certa dose de autodepreciação após o cometimento de algum pecado. Quanto mais hediondo o pecado, maior será esse sentimento. Embora incômoda, a baixa estima é terapêutica porque pode levar a pessoa ao sentimento de culpa, ao arrependimento, à confissão e finalmente ao perdão. Pois ela quer pôr-se de pé mais uma vez e caminha nessa direção. É terapêutica também por outro motivo. A autodepreciação cura a autoapreciação demasiada, infundada e enganosa. É o caso de Pedro. O apóstolo estava como que fora de si quando romanticamente declarou ao Senhor: “Eu “nunca” abandonarei o senhor, “mesmo” que todos o abandonem” (Mt 26.33).

 

A autodepreciação é provisória. Dura enquanto durar o processo de restauração. A chegada do perdão, o benefício do perdão, a alegria do perdão, a surpresa do perdão -- a graça sempre surpreende -- e o alívio do perdão põem a autodepreciação a correr. E tudo volta ao normal.

 

O mesmo Deus que gera, que permite e que se serve da autodepreciação, retira-a na hora em que ela não é mais necessária e passa a ser prejudicial. Foi isso que Jesus fez com Pedro, dando-lhe muito graciosamente a oportunidade de declarar três vezes seguidas e em público que o amava de fato. O arquiteto do perdão sabe perdoar: além das perguntas provocadoras, Jesus pôs fim à autodepreciação de Pedro ordenando-lhe três vezes: “Tome conta das minhas ovelhas” (Jo 21.15-17).

 

A autodepreciação é notória na experiência de Davi. Ele sente necessidade de confessar: “De fato, tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido” (Sl 51.5).

 

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