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Os evangelizadores e os desevangelizadores

Todo mundo sabe que em todos os tempos houve falsos profetas. A presença deles na história do Antigo Testamento, na história do Novo Testamento e na história da igreja é muito desgastante. Os profetas autênticos nunca estão sozinhos: eles sofrem a pressão dos falsos profetas. Esses também não estão sozinhos: eles sofrem a pressão dos profetas autênticos. Desde o Éden é assim.

 

Há uma passagem curiosa em Jeremias. Deus promete dar ervas amargas para comer e água envenenada para beber aos profetas de Jerusalém porque “espalharam a descrença pelo país inteiro” (Jr 23.15).

 

É um crime horrível: espalhar a descrença em todo o país! Enquanto alguns pregam a fé e a esperança, outros pregam a descrença. Não é preciso criar uma palavra nova para dizer o que os pregadores da descrença estão fazendo. Ela já existe. Está no dicionário Aurélio. Os pregadores da boa nova estão evangelizando e os outros estão simplesmente “desevangelizando”. Não há o que tirar. É isso mesmo. O dicionário diz que desevangelizar, verbo transitivo direto, é “tirar a doutrina evangélica a [alguém]” ou “inutilizar a propagação de certa doutrina ou sistema”.

 

O público-alvo da evangelização é o descrente. O público-alvo da desevangelização é a pessoa que está a caminho da cruz. É um conflito histórico e pesado. Aquele que evangeliza cumpre o mandato de Jesus: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas” (Mc 16.15). Se descermos aos bastidores do inferno, descobrimos que aquele que desevangeliza cumpre o mandato do Diabo: “Vão pelo mundo inteiro e tirem o evangelho aos que estão sendo evangelizados ou inutilizem de alguma maneira a propagação do evangelho que está sendo feita”. Na parábola do semeador (Mt 13.19), “o Maligno vem e tira o que foi semeado no coração delas” (das pessoas que estavam ouvindo o evangelho). O caso é tão sério que, quando a semente nasce e cresce (para alegria do evangelizador e tristeza do desevangelizador), o próprio Diabo vem e semeia o joio para prejudicar o trigo (Mt 13.37-43).

 

A desevangelização conta com muito reforço: o apoio da natureza carnal do ser humano, o apoio da sociedade permissiva, o apoio da secularização, o apoio do fanatismo religioso, o apoio dos escândalos eclesiásticos, o apoio dos céticos de projeção e militância, o apoio da mentira, o apoio das potestades do ar. É possível que haja mais desevangelizadores do que evangelizadores. Quanto ao resultado, os que se deixam levar pelos desevangelizadores são um número muito maior. No Sermão da Montanha, Jesus diz que “muitas” pessoas entram pela porta larga e “poucas” pessoas percorrem o caminho estreito (Mt 7.13-14). Em outra oportunidade, Jesus afirma que “muitos são convidados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22.14). Pedro lembra que apenas oito pessoas entraram na arca de Noé para escapar com vida do Dilúvio (1Pe 3.20).

 

Todavia não é preciso entrar em pânico. O desfecho da história favorece a evangelização, e não a desevangelização. Desde o primeiro anúncio do evangelho, logo após a queda do ser humano, está escrito que, embora a serpente pique o calcanhar de Jesus Cristo, é ele quem vai esmagar de vez a cabeça dela (Gn 3.15)!

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