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Colunas — Caminhos da Missão

Um grito de esperança no meio da dor!

Elizete “Zazá” Lima

 

Niko muhanga, niko mushindi! (“Sou sobrevivente, sou vencedor”, em swahili). O grito ecoava entre as mangueiras em flor e o milharal quase seco, num acampamento no oeste de Uganda.

 

Estávamos em Rwamwanja, um campo de refugiados habitado por mais de 50 mil pessoas. Elas tiveram de deixar a República Democrática do Congo ameaçadas por uma guerra que se arrasta por quase vinte anos, gerada pelos intermináveis conflitos entre forças do governo e grupos rebeldes e, como ferida aberta que não para de sangrar, deixa milhares de pessoas sem lar, sem esperança e profundamente marcadas pelas cicatrizes e traumas do abuso e da violência que atingem grande parte da população, principalmente as mulheres.

 

A cada dia chega mais gente em Rwamwanja -- crianças famintas e órfãs, adultos e idosos cansados e desesperados, pais feridos e impotentes diante das necessidades gritantes e do futuro incerto dos seus filhos, jovens desorientados, multidões dilaceradas pela dor de terem sido forçadas a fugir de seu país. Eles guardam lembranças de um tempo em que a colheita era farta e a vida mais esperançosa. Com nostalgia e tristeza, lamentam a abundância de recursos e a riqueza que parece ter transformado uma região conhecida pela qualidade dos seus diamantes, pelo valor do seu cobalto e pela imensidão das suas terras férteis em um verdadeiro campo de guerra.

 

Ali, fomos expostos à dura realidade das contradições do coração humano e da crueldade da guerra, do dilema do sofrimento humano... Nesse contexto tão difícil foi surpreendente e inspirador ver as mulheres dançando e rompendo cadeias de silêncio, vergonha e medo com um grito emblemático: “Somos vencedoras, somos sobreviventes!” Um grito que começou como um sussurro frágil e que tomou força, transformando-se em uma verdadeira declaração de fé e afirmação de dignidade. Elas eram entre 120 e 150 belas mulheres com seus vestidos e lenços coloridos e que ainda sabiam sorrir e bailar ao ritmo harmonioso de canções contagiantes que nos convidavam a olhar para a cruz de Cristo e a receber o amor ali revelado.

 

Passamos duas semanas em Rwamwanja reunidos em encontros de aprendizagem, cura e reconciliação por meio de uma bonita parceria entre algumas organizações internacionais (Refugee Aliance, CIBI, MAIS, PMI, Retalhos de Esperança e outras) e muitas igrejas locais, que nos permitiu aprender uns com os outros e experimentar a generosidade e a diversidade dos dons presentes no Corpo de Cristo.

 

As guerras continuam explodindo em vários países. Muitas pessoas continuam sendo forçadas a deixar a sua pátria e as suas casas, crianças expostas à violência e crueldade, famílias marcadas por perdas e traumas profundos. Diante desse contexto qual deve ser a nossa atitude? A indiferença, a piedade vazia, os medos? Ficaremos acomodados em nossas previsões políticas bem elaboradas, em nossas preocupações legítimas, em posturas polarizadoras e preconceituosas, em previsões inteligentes e racionais, em temores justificados?

 

Não quero simplificar ou banalizar o que é complexo. Tampouco quero sugerir soluções simplistas e mágicas ou ingênuas. Só gostaria que escutássemos o grito daquelas mulheres de Rwamwanja e o seu convite para olharmos para a cruz e nos identificarmos com aquele que se esvaziou a si mesmo para que pudéssemos ter acesso às boas notícias do seu amor e declarar a vitória que não se mede pelo que temos, mas pelo que somos nele!

 

Elizete “Zazá” Lima trabalha em diferentes países do Norte da África e Oriente Médio e atualmente também serve como diretora internacional da missão PMI e colabora com outras missões em outras regiões do mundo.

 

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