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Especiais — Reportagem

O Mineiro com Cara de Matuto e as travestis

Eu sou uma travesti, mas vocês me tratam d’outra forma!

 

No Credo Apostólico dizemos que Jesus Cristo, talvez no breve espaço de tempo entre sua morte e ressurreição, desceu ao Hades (o mundo dos mortos) e pregou aos espíritos em prisão (1Pe 3.19). Deve ter sido uma experiência impactante. Em novembro de 2015, o Mineiro com Cara de Matuto também teve uma experiência nova e tremenda: ele visitou dois prostíbulos de travestis próximos um do outro numa rua central de Belo Horizonte, na companhia de duas mulheres. Uma é Esther Roth, missionária suíça de 51 anos, radicada no Brasil desde 2002. A outra é Jordânya Griffith, missionária brasileira de 24 anos, casada com Alan e recém-formada em missões.

 

Era um corredor estreito, sem ventilação e pouca luz (a luz que havia era vermelha), e quartos de um lado e de outro, todos com uma cama de casal e banheiro. À porta de cada quarto, havia uma travesti, quase todas com os seios à mostra. No corredor transitavam alguns homens de diferentes idades à procura de uma delas ou apenas para saciar os seus olhares lascivos.

 

O aparelho de som estava num volume muito alto. Eram três horas da tarde.

 

Esther ia na frente. Sem qualquer superficialidade, ela se dirigia a cada travesti pelo nome feminino, abraçava-as e beijava-as. Elas também a chamavam pelo nome. Esther ia esvaziando sua pesada mochila carregada de Bíblias, do devocionário Pão Diário, porções da Sociedade Bíblica, folhetos e preservativos. O Mineiro, por sua vez, passava para as travestis um exemplar de Ultimato, cuja matéria de capa era sobre a centralidade de Jesus Cristo. É possível que aquelas mulheres artificiais tenham ficado empanturradas de tanta literatura evangélica naquela tarde. Esther é conhecida delas porque as visita semanalmente.

 

Aquele “hotel” (nome de fantasia) porventura mostrava o ápice da decadência (expressão usada por Alan, esposo de Jordânya)? Haveria coisa pior dentro dos armários ou atrás das cortinas? Só Deus, cujos olhos percorrem todos os cantos do universo e todos os centímetros quadrados do coração humano, pode responder.

 

 

Eles ou elas?

A rigor, elas são eles, e não elas. São homens gays que usam roupas femininas e, na maioria das vezes, transformam seus corpos masculinos em corpos femininos, por meio de hormônios femininos, cabelo comprido, injeção de silicone industrial e/ou a colocação de prótese de silicone nos peitos por meio de cirurgia plástica. Os clientes das travestis querem um homem com corpo feminino. Mas elas não são mulheres. Em suas carteiras de identidade consta o nome masculino (Diego, João, Luiz), mas o que prevalece é o nome feminino (Yasmin, Vanessa, Luciana). Essa transformação é um processo, que geralmente começa cedo e demora anos.

 

Esther e muitos outros que evangelizam travestis preferem usar os nomes femininos para se aproximarem mais daquelas almas carentes. Mas, em suas orações, quando sabem e se lembram, eventualmente (e não obrigatoriamente), referem-se a eles, e não a elas. Eles conhecem bem a estratégia missionária de Paulo: “Quando trabalho entre os judeus, vivo como judeu a fim de ganhá-los para Cristo” (1Co 9.19-22).

 

A portaria nº 233, publicada no Diário Oficial da União em maio de 2010, garante aos servidores públicos federais travestis e transexuais o direito de usar o nome social (feminino) em vez do nome original (masculino) no ambiente de trabalho.

 

 

O objetivo de Esther é maior do que o objetivo de Symmy

Symmy Larrat é uma “moça” bonita e ocupa uma posição de muito destaque: ela está à frente da Coordenadoria Geral de Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Symmy se assumiu como travesti aos 30 anos e por dois anos trabalhou como prostituta. Ao ler sobre ela, o Mineiro ficou sabendo que a pretensão de Symmy é “tirar as pessoas trans das esquinas” e inseri-las no mercado de trabalho. Formidável!

 

O que ela quer, Deus quer, a igreja quer, as missões querem, Esther e Jordânya querem, Roberto Rodrigues Lugom (pastor da Igreja Metodista de Carlos Prestes) e Rafael Brandão (obreiro leigo da Terceira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte) querem, Geraldo Silva (pastor da Comunidade Cristã Caverna de Adulão) e Gilmar Ferreira (líder do ministério underground da Igreja Batista da Lagoinha) querem, o CEM (Centro Evangélico de Missões) e a Ultimato querem.

 

O que a coordenadora da Promoção de Direitos LGBT quer é muito e é pouco. A paraense Symmy quer tirar as travestis das esquinas e arranjar um emprego para elas. É muito, mas está longe de ser tudo. A missionária Esther quer isso e muito mais. Ela e todos os ministérios underground querem tirar as travestis das trevas para a luz, da perdição para a salvação, da carne para o Espírito, dos equívocos para as certezas, da incredulidade para a fé, da culpa para o perdão, da “terra distante” para a “casa do pai” (Lc 15.11-32), do pecado para Cristo. “A igreja deve agir com tolerância e compreensão para com todos os envolvidos com os desvios sexuais” – como explica Wolfhart Pannenberg, professor de teologia sistemática da Universidade de Munique –, “mas também deve levá-los ao arrependimento.” O que os missionários querem é muito mais demorado, muito mais trabalhoso, muito mais significativo.

 

Os abraços e os beijos de Esther não são fingidos. É uma manifestação contrária à discriminação, ao preconceito, ao farisaísmo, à indiferença, ao egocentrismo. É algo palpável, concreto e real. Eles mostram a proximidade de Deus, a graça de Deus, o amor de Deus.

 

Mas as travestis não vivem só de abraços e beijos. Assim como Jesus tocou na ferida moral da mulher samaritana e pediu para ela buscar o seu marido de Sicar até o poço de Jacó (Jo 4.1-41), os bem-aventurados missionários do submundo precisam mostrar que as travestis são pecadoras, como todo mundo, e precisam de salvação. Assim como Jesus, depois de impedir o apedrejamento da mulher adúltera e perdoá-la, disse-lhe: “Siga o seu caminho. Mas, de agora em diante, não volte a pecar” (Jo 8.11, AM), os missionários do submundo precisam dizer as mesmas palavras às travestis que aceitarem o evangelho e forem perdoadas.

A melhor ocasião para pregar o evangelho às travestis é quando o arco-íris (a ilusão) começa a desaparecer, por causa de um golpe inesperado, de uma doença grave ou de um misterioso sopro do Espírito Santo. Quando o dinheiro acabou, a comida acabou, os amigos acabaram, o principal personagem da parábola de Jesus caiu na realidade e tomou a decisão de abandonar o chiqueiro de porcos onde vivia e voltar para casa para pedir a misericórdia do pai cá debaixo e do Pai lá de cima. E tudo deu certo!

 

 

A porta estreita e o caminho apertado são uma bênção!

Não é fácil aceitar Cristo como Senhor e Salvador. A porta de entrada é estreita e o caminho a percorrer é apertado, do primeiro ao último quilômetro (Mt 7.13-14). Uma vez cristão, o pecador se obriga a negar-se a si mesmo quantas vezes forem necessárias (Mt 16.24). Mas toda essa disciplina serve de proteção e realização que a travesti não tem.

 

O problema da travesti não é só o espiritual, o transcendente, a não salvação. O Mineiro pretende enumerar as adversidades pelas quais ele passa:

 

A travesti é discriminada por grande parte da sociedade. Não só ela, mas também os gays, as lésbicas, os bissexuais e os transexuais. Daí as palavras novas que classificam a homofobia: bifobia, gayfobia, lesbifobia, transfobia e travestifobia.

 

O Ministério da Saúde diz que depressão, crises de ansiedade e sensações de pânico parecem ser frequentes entre as travestis. A possiblidade de suicídio existe.

 

A mesma fonte informa que o uso indiscriminado e sem orientação médica de hormônios femininos é um grande problema de saúde para as travestis. Pois “há reconhecida relação entre o uso desses hormônios e a ocorrência de acidente vascular cerebral, flebites, infarto do miocárdio e sequelas importantes”. Além disso, elas são mais vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), especialmente em relação ao HIV -- Aids -- e às hepatites virais. A aplicação de silicone industrial por parte de algumas travestis pode provocar câncer e morte.

 

As travestis estão sujeitas à violência alheia. Segundo o 3º Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos no Brasil, realizado na USP, em 2006, entre 2003 e 2005, aconteceram 360 homicídios de gays, lésbicas e travestis no país.

 

 

 

Os cantos mais escuros da sociedade

Parece que a Igreja não sabe o que acontece na periferia, nos cortiços, no submundo, nos bordéis da cidade grande, na escuridão da noite. Se lá não são os confins do mundo, geograficamente falando, são os confins do mundo sob o ponto de vista da miséria humana. É campo de missão. Os que lá vivem dificilmente procurariam uma igreja nem teriam certeza de que seriam recebidos de braços abertos, principalmente as travestis, porque “elas estão com os pecados expostos”, como diz o ex-travesti Joide Miranda. A organização Steiger, que procura alcançar “a secularizada cultura global jovem” para Jesus, chama esse campo de missão os “cantos mais escuros da sociedade”, onde existem, além de prostíbulos, clubes terroristas, clubes satanistas, clubes de roqueiros, punks, góticos etc. Calcula-se que há pelo menos 1 bilhão de não alcançados, de 17 a 35 anos, nos centros urbanos em todo o mundo.

 

O Mineiro teve o prazer de almoçar com alguns missionários do submundo em Belo Horizonte e, depois, conversar longamente com eles no gabinete pastoral da Igreja Metodista de Carlos Prates. Lá estavam Roberto Lugon (pastor da igreja), Rafael Brandão (do Ministério RP2) e Esther Roth e Leia Freitas (do Ministério D’outra Forma).

 

O Ministério Redenção Pedro II (daí a sigla RP2), da Terceira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, tem o objetivo de alcançar as travestis da avenida Pedro II e conduzi-las a Deus. Pretende reintegrá-las, apoiá-las e oferecer amor.

 

O Ministério D’outra Forma tem o nome muito curioso. Ele lembra a surpresa daquela travesti que, ao ser tratada tão bem pelos chamados missionários underground, exclamou: “Vocês nos tratam d’outra forma”. É um dos ministérios da Comunidade Cristã Caverna de Adulão, uma igreja séria que recebe de braços abertos jovens e adultos do chamado submundo, cujo nome lembra o lugar onde Davi reunia “todos os homens que estavam em dificuldades, ou com dívidas, ou insatisfeitos” (1Sm 22.1-2). Além de transmitir o amor de Deus às travestis, esse ministério ajuda na prevenção de doenças e acompanha o processo de conversão das que se decidiram por Cristo, ajudando-as a resolverem seus conflitos internos e a restaurar a sua identidade (masculina, e não feminina).

 

O Mineiro com Cara de Matuto não quer, nem pode, cometer alguma injustiça. Há muitas outras pessoas em Belo Horizonte e em outras cidades do Brasil e do mundo realizando ministério semelhante não só com travestis, mas também com prostitutas, dependentes químicos, criminosos, mendigos, crianças de rua etc. O Ministério Talitá Cumi (palavras em aramaico que Jesus usou para ressuscitar a filha de Jairo e que significam “Menina, levante-se”), por exemplo, existe para resgatar crianças vítimas do tráfico sexual. Fundada em 2004, a organização conta hoje com 1.100 freiras católicas, que, às vezes, se passam por prostitutas para atingir o seu alvo, sobretudo na África, nas Filipinas, na Índia e no Brasil (uma vergonha para a sociedade brasileira). O Ministério D’outra Forma, sob cujas asas a suíça Esther Roth trabalha, vê as travestis como diamantes, pedras preciosas, que precisam ser encontradas e trabalhadas, como todos nós, pelo supremo Lapidário, o Senhor Jesus, para brilhar e refletir a sua imagem.

 


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Há esperança para as travestis

O mato-grossense Joide Miranda, casado e pai de um filho, é o diretor da Associação Brasileira de Ex-lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Transgêneros (ABEX-LGBTT). Ex-travesti no Brasil e na Europa, Joide converteu-se em 1991. Antes, dono de seu nariz, a partir de então, descobriu que precisava prestar contas a Deus. Em entrevista à assessoria de imprensa da Anajure, Joide declarou que as travestis possam lembrar que Deus deu seu único Filho e que Jesus sempre esteve e sempre estará de braços abertos. Ele é o nosso advogado. Temos o direito de pedir perdão a ele e pedir também que ele se esqueça de nossas falhas e nos abençoe. Triste é quando encontramos Cristo não mais como nosso advogado, e sim como nosso juiz!

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