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Capa

Paraíso reconquistado

Em 1667, 150 anos depois do início da Reforma Protestante do Século 16, o protestante John Milton, de 59 anos, publicou “Paraíso Perdido”, um dos mais importantes poemas épicos da literatura universal. A essa altura, ele já havia sido rudemente açoitado pela morte, que levara suas duas primeiras esposas e dois de seus filhos, e era casado pela terceira vez. Por questões políticas – o apoio por ele dado a Oliver Cromwell –, Milton estava preso. Por ter perdido a visão, o dramaturgo não escreveu à mão os dez cantos de “Paraíso Perdido”, mas ditou-os a um escriba.
 
O poema descreve intensamente o drama da queda do homem, narrado no terceiro capítulo de Gênesis, o primeiro livro da Bíblia. A queda aconteceu no jardim do Éden, quando Adão desprezou o “certamente você morrerá se comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2.17) para acatar a mentira da serpente – “certamente você não morrerá se comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 3.4). Paulo refere-se a esse trágico acontecimento quando escreve aos romanos: “Quando o pecado entrou no mundo por meio de um homem, o pecado entrou na raça humana inteira. O pecado dele trouxe consigo a morte a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). A paráfrase de Eugene Peterson é mais detalhada: “[...] Aquele pecado afetou os relacionamentos com Deus em tudo e com todo o mundo, mas a extensão das consequências negativas não ficou clara até que Deus a explicasse em detalhes a Moisés”.
 
Entre os “detalhes” da queda estão os incontáveis transtornos mentais, todas as demais doenças e a morte, que é considerada “o rei dos terrores” (Jó 18.14), a mais feia e prepotente tragédia humana e “o último inimigo a ser destruído” (1Co 15.26). Estas e muitas outras desgraças, como o pecado, a tentação, a maldade, a violência, a injustiça, a opressão, o crime, a guerra, a fome, a poluição ambiental, não estavam nos planos do Criador.
 
Parece que John Milton acordou a tempo para não deixar o ser humano apenas com esse poema. Em 1671, quatro anos depois de publicar “Paraíso Perdido” e três anos antes de morrer (1674), o poeta publicou “Paraíso Reconquistado”, uma continuação do primeiro. Ele seguiu o roteiro da Bíblia, que começa com a criação dos céus e da terra que agora existem e termina com a criação dos novos céus e da nova terra, que começa em Gênesis e termina em Apocalipse, que começa na queda e termina no levantamento, que começa na vergonha e termina na glória. Milton mostra que tem conhecimento bíblico, o que se pode ver no primeiro parágrafo do poema: “Eu, que outrora cantei o feliz jardim pela desobediência de um homem, agora canto a reconquista desse paraíso por toda a humanidade, obtida pela firme obediência de um homem contra a tentação; também canto o tentador frustrado em todas as suas manobras, derrotado e repelido; e o Éden erguido na vastidão”. O sofrimento humano situa-se entre o Paradise Lost [Paraíso Perdido] e o Paradise Regained [Paraíso Reconquistado]; esse é o tamanho da história. Não existe antes nem existirá depois!

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