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A arte de escrever na prisão faz o tempo e o ódio passarem mais depressa

No ventre da dor 

Dizem que na prisão os criminosos se tornam mais criminosos ainda. Uma das muitas razões é a convivência dos criminosos mais jovens e primários com os criminosos mais velhos e reincidentes. Mas, em alguns casos, desde os tempos mais remotos, é na prisão que muita gente aprende a escrever ou nela desenvolve o dom de escritor. Seria bom que as autoridades penitenciárias e a sociedade estimulassem os encarcerados a escrever. O tempo passaria muito mais depressa, a violência dentro do presídio diminuiria e a agonia de privação de liberdade seria aliviada. 

É oportuno ouvir o testemunho do encarcerado Luiz Alberto Mendes, 52 anos, da Penitenciária II de Serra Azul, São Paulo, condenado a 74 anos por assassinato, detido desde os 19 anos: “Escrevo para dividir angústias. Se parar, piro. Se não escrever, mato alguém. O ódio é grande e não some. Escrever é um grande barato para mim”. Luiz Alberto é autor de Memórias de um Sobrevivente (2001). 

Willian da Silva Lemos, outro encarcerado escritor, 59 anos, preso desde 1961, faz coro com Luiz Alberto: “Escrevo para me manter vivo. [...] Escrever é uma forma de sobreviver na adversidade. [...] Carceragem é um barril de dinamite que vai explodir. Estou sentado nele”. Willian escreveu Diário da Caverna (2006) e Quatrocentos Contra Um: uma história do Comando Vermelho (1991). 

O que leva o preso a escrever, explica Luís Antonio Giron, na reportagem Pena de sangue, publicada na revista Cult, “é um misto de vaidade e esperança”. Para ele, “a literatura prisional é a moda literária da estação”, que pode abrir caminho para a organização de uma Academia Brasileira de Letras na Prisão. 

O médico Drauzio Varella diz que detesta bandido, mas insiste que ele “é um homem e não um lobisomem. É preciso olhar para a prisão como um universo humano e literário” (mesmo que “os presos não tenham formação suficiente para escrever livros”). 

Além dos títulos já mencionados, é possível citar outros livros escritos nas prisões brasileiras: Letras da Liberdade (produzido por vários detentos do Carandiru), Diário de um Detento – o livro (Jocenir), Enjaulado: o amargo relato de um condenado pelo Sistema Penal (Pedro Paulo Negrini), Sobrevivente (André du Rap) e Vidas no Carandiru – histórias reais (Humberto Rodrigues). 

Talvez o mais profícuo de todos os encarcerados escritores (alguns preferem inverter pra escritores encarcerados) seja o médico Hosmany Ramos, 61, condenado a 56 anos de prisão por homicídio, roubo e seqüestro, autor de Marginália (1980), Pavilhão 9: paixão e morte no Carandiru e vários outros. 

É bom lembrar que algumas obras notáveis foram escritas por escritores que passaram algum tempo na prisão. Entre eles, é possível citar Recordações da Casa dos Mortos (1861-2), do escritor russo Fiodor Dostoiésvki; A Balada do Cárcere de Reading (1898) e De Profundis (1905), do escritor inglês Oscar Wilde; Memórias do Cárcere (1935), do escritor brasileiro Graciliano Ramos; e O Diário de um Ladrão (1949), do escritor francês Jean Ginet. 

Não poucos textos religiosos foram escritos em prisões (veja o artigo de Alderi Souza de matos). A primeira confissão de fé cristã, redigida na Améria Latina, foi escrita pelo calvinista Jean du Bourdel numa prisão do Rio de Janeiro, em 1558. Alguns dias depois, o almirante Villegagnon mandou executar Bourdel e outros dois calvinistas. Os três foram estrangulados, atados e largados na Baía de Guanabara!

Fonte: Cult, revista brasileira de cultura, julho de 2002.

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