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Seções — Vamos ler!

Ser mulher é ser missionária da ternura

Nilza Valéria

Quando o homem permitir que o seu emocional seja liberto e que as pessoas tenham prioridade sobre as coisas, e a mulher permitir que o seu racional se desenvolva sem pedir licença ao mundo masculino, teremos o relacionamento homem—mulher idealizado por Deus desde o princípio
Nancy Gonçalves Dusilek, presidente da União Feminina Missionária Batista do Brasil, autora de Mulher sem Nome

São poucas as mulheres com quem convivo que lidam bem com os papéis de profissional, mãe, dona-de-casa e amante. Elas são profissionais com carreiras definidas e em ascensão, mães cuidadosas, filhas zelosas e amantes dispostas. Porém, o que vejo, e me incluo nisso, é que boa parte de nós perdeu a significação da missão. Afinal, como falar em missão diante da necessidade de ser co-responsável pelo sustento da casa? Essa já não seria a missão? Ler A Missão da Mulher (Editora Ultimato, 2005), de Paul Tournier, resgatou para mim a significação do que sou e do que fui criada para ser.

Sou jornalista e, para minhas reportagens, busco histórias interessantes, que personifiquem a necessidade de um mundo menos desigual, resgatem a cidadania e a solidariedade perdidas. Tenho dois filhos — uma menina de 7 anos e um garoto de 9 —, especializados em quase me enlouquecer com tantos por quê?, e meu marido é pastor. No relacionamento conjugal temos de fazer constantes exercícios de dissociação de papéis, para que nosso casamento não seja extensão da igreja (no pior sentido) ou um apêndice da mesma. Não gosto que me tomem como exemplo. Não sou nem sirvo para ser modelo para ninguém... Mas aonde quero chegar com essas confissões? Em Paul Tournier: ele me proporcionou a delícia de saber que eu, mulher, possuo o sentido da pessoa mais do que o homem. Não sirvo como exemplo, mas tenho uma missão.

Por causa da missão de ser uma pessoa plena para ajudar outros a resgatarem esse sentido, não devo temer o que é verdadeiramente pessoal para mim: amor, fé, tristeza, alegria, culpa, sucesso, revés. Minha vida não deve ser determinada por modelos, quer sejam tradicionais ou feministas, mas pela minha própria humanidade!

A leitura do livro me fez entender que a missão não tem a ver com opções pessoais, nem com a clássica guerra dos sexos. Não estou, nem quero estar, em disputa com os homens. Afinal, quem disse que o padrão da mulher é ter conflito entre a intimidade familiar e o espaço social? Decidi acreditar que todas as posturas são determinadas pela missão. Homem e mulher produzem. No trabalho, eu produzo; em seu ministério, meu marido produz; por anos tendo dado aulas, minha mãe produziu; meu pai, como representante comercial, produz. A diferença é que o homem conta a produção pelas coisas produzidas; a mulher, pelo desfrutar das coisas produzidas.

Percebi que nós, mulheres, não trabalhamos por alguma coisa, mas por alguém. Fazer uma receita de bolo elaborada, trabalhosa, e até mesmo cara, só faz sentido quando as crianças batem palmas de apreciação. Busco no meu trabalho jornalístico, que exige uma grande dose objetividade, temperá-lo com porções de subjetividade, que levam à síntese e à união. A opção apenas pela objetividade — característica masculina — leva à análise e à separação. Então, minha missão como mulher é temperar o mundo — não somente o jornalismo, mas principalmente minhas relações interpessoais — com generosas pitadas de subjetividade.

Reconheço que nem sempre pensei assim, e que fui mesmo salva pela leitura de A Missão da Mulher. Por muito tempo levei a sério a promoção da mulher, a disputa, a luta pelo poder e pelo controle. E posso dizer, sem medo, que dessa forma a promoção feriu a todas nós. Acabamos nos impondo uma (in)capacidade de administrar a jornada dupla, um padrão de beleza tirano e um desgaste tremendo na relação com os homens, para quem somos confusas e difíceis demais.

A verdadeira promoção é nos reconhecermos mulheres com inteiras responsabilidades por nossas escolhas, respeitando nossas liberdades. Minha missão não é determinada pelo meu casamento, ou pela minha vida profissional, ou pelo sucesso dos meus filhos como crianças obedientes e estudiosas. Sou, independente de minha condição. O que dá sentido à vida é essa consciência. Como é bom saber que Jesus, que me motiva a trabalhar por um outro mundo possível, levou as mulheres a sério. Basta observar sua conversa com a mulher samaritana ou o anúncio de sua ressurreição a Maria Madalena, para vermos a estima e a confiança dadas a nós — mas também as mesmas exigências e promessas, como lembra Paul Tournier. De tudo isso tirei uma lição: Ser mulher é ser uma pessoa plena, por existir, e influenciar para transformar, sendo uma missionária daternura.

Nilza Valéria é jornalista da Visão Mundial, mãe e esposa, por acaso, de pastor.


As mulheres com a palavra
Depoimentos completos

Segundo Tournier, a pergunta mais importante para as mulheres liberadas dos nossos dias não é: "Do que fomos liberadas?" mas: "Para que fomos liberadas?" A questão final é: o que estamos fazendo com a liberdade que temos hoje? Tentando provar nossa competência no mundo masculinizado ou levando a esse mundo o suave toque feminino de mulheres seguras de seu valor e de sua identidade?
Wanda de Assumpção é professora de escola dominical, escritora e palestrante sobre assuntos relacionados a família e especificamente a mulheres.

Aqui a intuição feminina é celebrada, ao invés de menosprezada. A complementaridade entre homem e mulher é enfatizada como desejo e beleza do Criador.
Tais de Oliveira Machado, formou-se em psicologia e há anos atua como assessora da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB). Mais recentemente tem refletido e escrito sobre a mulher na Bíblia.

Jesus realmente nos libertou para sermos pessoas completas. Nossa oração é para que cada mulher, jovem, senhora ou idosa, decubra sua verdadeira missão e que cada homem participe da redescoberta de um mundo mais pessoal e humano.
Renira Cirelli Appa, tradutora do livro A Missão da Mulher

A experiência durante a leitura de A Missão da Mulher foi análoga à descoberta de um tesouro.
Zoica Bakirtzief

Fiquei empolgada com a leitura. O livro é muito rico em citações seculares e várias abordagens bíblicas. Claro, positivo, sincero, escrito como pessoa dirigido à pessoa do leitor. Senti-me encorajada como pessoa feminina!
Djanira Momesso César, 73 anos, 5 filhas, 10 netos é “a avó mais disponível do mundo”. Desde o início da revista Ultimato, em 1968, é assistente do redator, com quem é casada.

Depois da leitura, pude perceber mais claramente que a luta da mulher não deve ser pela “igualdade dos sexos”, mas pela celebração das diferenças entre eles. Afinal, foi o próprio Deus que deu uma missão específica para as mulheres, missão que pode ser cumprida sem que a mulher se renda ao mundo masculino.
Ana Cláudia Cunha Nunes, 17 anos, adora ler e escrever. Está se preparando para o vestibular para Jornalismo.

Quando o homem permitir que o seu emocional seja liberto e as pessoas passem a ser prioridade sobre as coisas e a mulher permita que o seu racional se desenvolva sem pedir licença ao mundo masculino, teremos o relacionamento homem-mulher idealizado por Deus desde o princípio.
Nancy Gonçalves Dusilek

Tournier convida a mulher a refletir sobre a missão dela de rehumanizar o mundo e reequilibrar nossa sociedade pela prioridade das pessoas sobre as coisas, ensinando ao homem o lado pessoal e aprendendo com ele a desenvolver a razão.
Isabelle Ludovico da Silva, casada com Osmar Ludovico da Silva e mãe de Priscila e Jonathan, é psicóloga com especialização em Terapia Familiar Sistêmica.

Lendo o livro A Missão da Mulher, vi que eu não precisava ser feminista, poderia apenas ser feminina e contribuir onde eu estivesse com a minha ótica de mulher. Percebi o meu valor e a minha importância como pessoa desde a criação e me encorajei a ser eu mesma.
Esther G. L. Carrenho é casada, mãe, e avó. Estudou teologia. É psicóloga clínica. Autora do livro: Ressurreição Interior.

A Missão da Mulher é uma leitura gratificante, onde o autor, com muita sinceridade se expões como homem, e é dotado de uma sabedoria divina, para tratar os sentimentos e dúvidas que rodeim as mulheres.
E mais ainda nos encoraja “a equilibrarmos o mundo” agindo institivamente como mulheres onde quer que optemos por estar.
Cíntia é mãe e esposa. Formada em Tecnologia de Laticínios, foi durante 7 anos supervisora de uma equipe formada por 50 homens.

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