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Opinião

Sou mãe. E agora?

Sobre desestrutura e encontros; cuidado e amor

Por Priscila Vieira

Exaustão. Maravilhamento. Espanto. Amor. Ternura. Fome. Medo. Preocupação. Dor… Algumas sensações que me tomaram nos primeiros dias com a bebê. A minha sensibilidade à flor da pele gerou até piada. As profissionais de saúde que visitam as mães e os recém-nascidos[1] são treinadas para identificar sinais de depressão na mulher. Quando contei a minha mãe as perguntas que a enfermeira tinha feito, recebi uma resposta enérgica, espirituosa, de fino sutil senso de humor:

– Depressão pós-parto?!! Você está sofrendo de emoção pós-parto!

Ambas rimos. Uma boa expressão para o tumulto emocional daqueles dias. Eu chorava, emocionada. Porque minha bebê era (e é) perfeita, linda, saudável. De cansaço e exaustão. De dor para amamentar (bico machucado; duas ou três mastites). De impotência e frustração, quando o choro dela prosseguia sem fim. Porque eu queria protege-la do mundo ao redor, até da poluição do ar. Porque em uma das mastites fiquei cinco horas no hospital, longe dela, e tudo que eu pensava é que tinha que amamenta-la (mesmo com a dor). Porque as pessoas ao meu redor eram tão cuidadosas e amáveis. Porque em tudo eu via Deus.

Quem queira explicar objetivamente o que acontece nessa fase, aos modos do que chamamos ‘racional’ na nossa era, esqueça. É de outra coisa que se trata. Por isso, desestrutura encabeça a minha sopa de palavras. E que sabor teve esse prato! Tantas aventuras misturadas, tantos temperos exóticos – à minha experiência até então. Eu degustei cada minuto daquela fase. Lambuzei as mãos, lambi o prato.

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