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Opinião

Refugiados

"Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses… que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa" (Deut 10.17-18).

A visão de um campo de refugiados no Oriente Médio abateu meu coração. Pessoas abaladas pela violência, perseguição e guerra – em busca de um lugar para sobreviver. Carregam baldes com água e recebem uma porção diária de alimento, além de um abrigo em uma tenda compartilhada. Permanecem em uma situação gravemente vulnerável: deslocadas de seus países, encontram-se em um lugar onde não se fala sua língua, não se conhece sua cultura e são frequentemente vistas como um problema para a população local. Quando de origem islâmica, são associadas ao terrorismo e violência, confundindo as vítimas com seus algozes. Desde a segunda Grande Guerra, o mundo jamais se viu em tamanha ebulição, com dezenas de milhões movendo-se de um lugar para o outro, buscando sobrevivência e paz.

Estou convencido que a Igreja de Cristo não é movida pelas estatísticas, imagens tocantes ou projetos missionários, mas sim por uma profunda compreensão e compromisso com a vontade de Deus. Somente em Deus somos levados a amar e chorar com os que choram. Somente em Deus somos despertados a sair de nossa rotina de conforto e nos envolver com algo além de nossos interesses pessoais. Somente em Deus somos convencidos a abraçar causas complexas, problemáticas e maiores do que nós. Somente em Deus somos desafiados e doar em lugar de acumular, fazer e não apenas observar, e amar – mesmo quando fora do nosso círculo de afinidade.

Deus não apenas está presente no caos, mas o transforma em lugar de esperança. Muitos foram mortos durante a perseguição que a Igreja sofreu no primeiro século, inclusive Estêvão. Outros foram encarcerados e dispersos por toda parte. Famílias eram partidas ao meio e angustiante incerteza pairava sobre todos os cristãos. Tudo parecia perdido e sem sentido, mas Deus moveu-se em meio ao caos: levou a Igreja a pregar a Cristo por onde fosse espalhada, trouxe multidões aos pés do Senhor Jesus e produziu a mais improvável alegria1. Somente em Deus é possível que tragédias se transformem em esperança.
Neste início de 2016 mais de 60 milhões de pessoas encontram-se forçadamente distantes de suas casas ou países devido a alguma forma de tragédia, instabilidade política, guerra ou perseguição. Destas, 20 milhões são refugiados2.

A maioria deixa tudo para trás – famílias, empregos, estudos, bens e sonhos, e desloca-se para regiões onde frequentemente desconhecem a língua e a cultura local. Comumente não são bem vistos pela população que os recebe e se encontram fora de seus países, rede de apoio e contato familiar. Os refugiados formam um dos grupos mais vulneráveis na atualidade.

Os países de onde procede a maior parte dos refugiados na atualidade são a Síria, Afeganistão, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Congo, República Centro-Africana, Myanmar, Eritréia e Iraque. Os que mais recebem refugiados são a Turquia, Paquistão, Líbano, Iraque, Etiópia, Jordânia, Quênia, Uganda, Chade e Sudão. Na Europa, o fluxo de refugiados também cresce de forma alarmante e se espalha por todo o mundo3.

A travessia do Mediterrâneo tem sido uma das vias de acesso de refugiados em busca de um porto seguro na Europa. Mais de 1 milhão de pessoas seguiu esta rota e cerca de 4.000 morreram no mar em 2015. Neste ano já somam 481 mortes4. Ali, as vidas se perdem (na maioria mulheres e crianças) em meio a um último ato de desespero – barcos abarrotados e sem qualquer segurança, na expectativa de encontrar paz.

O Brasil abriga mais de 8.000 refugiados provindos de 80 diferentes países5, sendo a maioria da Síria6, seguida pela Colômbia, Angola e República Democrática do Congo (RDC)7. Em um quadro mais amplo, quase 2 milhões de imigrantes vivem hoje no Brasil, sendo 250 milhões em todo o mundo8. A população de imigrantes no Brasil espalha-se por todo o território nacional com maiores concentrações em São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e Brasília9.

A crise em relação aos refugiados acontece em várias frentes, sobretudo duas: os que saem, fugindo da violência ou perseguição; e os que acolhem, movidos por compaixão, mas pressionados pelos recursos limitados e discriminação local. Síria e Sudão são dois exemplos destas crises.

Síria. Desde o início da Guerra civil, 470.000 sírios foram mortos no país10. Cerca de 5 milhões de sírios são refugiados em países como a Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito e mais de 6 milhões abandonaram suas casas a procura de abrigo em outra parte do país11. No total, mais de 11 milhões de sírios encontram-se em condição de severa vulnerabilidade, o que pode envolver violência, fome, humilhação e morte. Esta tragédia nacional ocorre em meio a processos humanos e sociais extremamente traumáticos e observadores consideram que a presente geração de crianças e jovens crescerá sem perspectiva e oportunidade.

Sudão. Estando entre os 10 países que mais abriga refugiados, o Sudão convive com duras realidades internas. Além da pobreza e violência no país, há uma onda de perseguição religiosa que tem pressionado as igrejas cristãs que acolhem refugiados, colocando-as em uma situação de forte pressão. Portas Abertas informa que “as igrejas estão sendo prejudicadas, principalmente aquelas que acolheram os refugiados da Eritreia, Etiópia e Filipinas”12.

Em meio a tanto sofrimento, humilhação e morte, devemos manter viva a nossa esperança pela certeza de que Deus está presente em meio ao caos. Vemos igrejas na África acolhendo com amor os refugiados, mesmo debaixo de perseguição. Famílias cristãs no Oriente Médio abrindo as portas de suas casas para desconhecidos que chegam de longe. Igrejas europeias passando por um despertamento espiritual perante o desafio que lhes bate à porta. Muitos refugiados sendo recebidos com amor e cuidado e tendo a oportunidade de ouvir de Jesus em todo o mundo. Não são poucos os relatos daqueles que passam a amar e seguir a Cristo.

Além de um grande desafio, os refugiados representam também uma inédita oportunidade para a Igreja de Cristo. Oportunidade de acolher e amar; chorar com os que choram; abrir a boca em favor dos que não tem voz; e partilhar do amor e da salvação de Deus em Cristo Jesus.

Em Deuteronômio13 lemos que Deus faz justiça ao “órfão e à viúva” e “ama o estrangeiro”, referindo-se a alguns dos segmentos mais vulneráveis nas sociedades humanas. Não apenas faz justiça e ama, mas dá “pão e roupa”, pois “não faz acepção de pessoas”. E a Palavra é clara ao afirmar que é o “Deus dos deuses” e o “Senhor dos senhores” que faz tais coisas. Como Igreja somos convocados a fazer parte desta missão – amar o estrangeiro, dar-lhe pão e roupa e, sobretudo, faze-lo saber que é o Deus dos deuses que faz todas as coisas.

Informe-se e ore pelos refugiados no Brasil e no mundo. Convide seu grupo e igreja para se juntarem a este movimento. Conheça a seguir algumas preciosas iniciativas e envolva-se!

Algumas iniciativas em prol dos Refugiados
AMTB – PEM: Profissionais e Empresários em Missões.
ANAJURE Refugees.
APMT – Apoio aos refugiados.
CAEB (Centro de Apoio a Estrangeiros do Brasil).
Compassiva – Compaixão que transforma.
CONARE – Comitê Nacional para os Refugiados. 
Dignità – Dignidade, justiça e cultura de paz.
MAIS no mundo – Refugiados.
Projeto de Missão Urbana para Refugiados – IPB de Pinheiros.
Refugee Highway Partnership – WEA.
REMIR - Rede Evangélica de Apoio ao Migrante e Refugiado.

Notas
1 - Atos 8.1-8.
2 - “Mid-Year Trends 2015”. UNHCR: www.unhcr.org.
3 - UNHCR – Mid-Year Trends 2015: www.unhcr.org.
4 - “Mediterranean Migrants”. International Organization for Migration: www.iom.int.
5 - “7.700 refugiados de 81 nações”. Agência Brasil: www.agenciabrasil.ebc.com.br.
6 - “Notícias no mundo”. O Globo: www.g1.globo.com.
7 - UNHCR – ACNUR: www.acnur.org.
8 - “O panorama de imigração no Brasil”. Exame: www.exame.abril.com.br.
9 - “Quem são os menos Evangelizados”. Ultimato: www.ultimato.com.br.
10 - “Report on Syria conflict finds 11.5% of population killed or injured”. The Guardian: www.theguardian.com.
11 - “What you need to know: Crisis in Syria, refugees, and the impact on children”. World Vision: www.worldvision.org.
12 - “Sudão”. Portas Abertas: www.portasabertas.org.br.
13 - Deuteronômio 10.17-18.

Foto: Requerentes de asilo em um centro de acolhida na ilha de Samos na Grécia. Foto: ACNUR/A. D’Amato
Ronaldo Lidório é doutor em antropologia e missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e da Missão AMEM. É organizador de Indígenas do Brasil -- avaliando a missão da igreja e A Questão Indígena -- Uma Luta Desigual.
  • Textos publicados: 24 [ver]

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