Apoie com um cafezinho
Ol? visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Família

Hiperconectados

Por Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski

Uma das questões que gosto de levantar nos encontros de aconselhamentos que tenho com casais é: “O que vocês costumam fazer quando chegam em casa à noite após o trabalho?” Meu objetivo é saber como o tempo como casal é ocupado nos horários livres. Infelizmente a resposta que tenho ouvido com mais frequência é: “A gente janta e depois cada um fica no seu celular ou computador, atualizando o que rolou nas redes sociais”.

Vivemos na era da hiperconexão, em que acreditamos que não podemos perder informação alguma em momento algum. Muitos ficam ávidos por informações, quer sejam de cunho mais amplo – nosso macrouniverso –, quer de cunho mais privado – nosso microuniverso. “Nos anos 90, Arthur Clark escrevia: “Buscar uma informação na internet é como tentar encher um copo d’água debaixo da Niágara Falls. O que gera em nós uma vertigem, uma angústia; pois tudo é rápido, líquido, transitório e, principalmente, em excesso”.1

Estudos demonstram que as mídias sociais provocam um fenômeno interessante na mente humana: perda da noção de tempo. Ao navegar pelas mídias sociais e páginas da internet, uma pessoa – por mais consciente que esteja – perde totalmente a noção de tempo. Ela acredita que vai “só dar uma olhadinha rápida” e acaba envolvida por um longo período.

A consequência direta disso é que temos menos tempo de convívio interpessoal real. Estamos conectados com os que estão longe e distantes dos que estão próximos.

O impacto que isso trará para as relações familiares em longo prazo é algo a ser estudado, porém o que vemos de imediato é uma acelerada deterioração dos relacionamentos familiares. Casais já não encontram tempo de partilha de suas vidas um com o outro (partilham nas redes sociais), nem elaboram projetos comuns de vida (desejam a “felicidade” postada por conhecidos nas mídias), tampouco têm diálogos fecundos (apenas likes nos posts).

Há argumentos de que foi assim quando inventaram o rádio e a televisão: esses aparelhos ocupavam o centro dos interesses e distanciavam os relacionamentos mais íntimos. Concordo que todo o desenvolvimento tecnológico, desde a invenção do rádio, tem produzido efeitos impactantes sobre os relacionamentos interpessoais, porém a velocidade que a transmissão eletrônica alcançou hoje trouxe elementos que não havia antes.

Destaco dois desses elementos: a busca da valorização e o incremento do consumo como fator de bem-estar. Segundo Milanez: “Todos nós desejamos um sem-número de curtidas, queremos nos sobressair, influenciar, ser apreciados e valorizados. Como se todas essas curtidas nos fizessem felizes, amados ou trouxessem notoriedade e imortalidade, como acreditavam os gregos”.2

No incremento do consumo, transformamos os relacionamentos em produtos e desenvolvemos desejos compulsivos, como a necessidade de fotografar tudo que vivenciamos, como se pudéssemos possuir uma paisagem ou eternizar pessoas e momentos numa selfie.

Urge redescobrir a valorização de si e do outro no contexto relacional familiar, em que a família, ao redor da mesa, dialoga de forma fecunda, valoriza cada membro e potencializa o sentido de pertencimento.

Igualmente é necessário redescobrir a simplicidade e aprender a viver de forma plena cada momento, sem precisar possuir momentos ou invejar o que outros vivenciam – antes ser gratos a Deus por tudo que dele recebemos graciosamente!

Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. Acompanhe o blog.

Notas
1. MILANEZ, Alvaro, 2020. Redes sociais: felicidade e comunhão ou solidão e angústia? (Texto não publicado)
2. Idem.


Leia mais:
» A midiotização da família

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.